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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Os Lusíadas

FICHA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS SOBRE
 O EPISÓDIO D’ “O GIGANTE ADAMASTOR” – 9º ano de escolaridade
Nome: ________________________________ Turma:_____ nº____ data _____________________
Avaliação: ________________ A professora: ________________ O E.E._________________
1.   Identifica o plano narrativo em que se situa o episódio (apesar de serem dois planos que se entrecruzam).

2.     Retira da estância 38 o verso que sugere o ruído ouvido pelos marinheiros.

3.   Que elemento natural anunciou o aparecimento do monstro.

4.   Apoiando-te no texto, faz a caracterização física do gigante. 
5.     Reconstitui o episódio, ordenando numericamente a sequência de acontecimentos nele narrados:
·         Referência do Gigante à sua origem e destino. _____
·         Interpelação do Gama ao Mostrengo. _____
·         Súbito aparecimento do Adamastor. _____
·         Final da conversa com o Gama. _____
·         Aparecimento da figura gigantesca. _____
·         Primeiros sinais de que algo terrível se vai passar. _____
·         Pormenorização das profecias. _____
·         Descrição física do horrendo monstro. _____
·         Discurso do tenebroso Adamastor. _____
·         Anúncio de desgraças futuras, como punição da ousadia dos Portugueses. _____
·         Imediata mudança de atitude do Gigante. _____

6.   Sintetiza, numa frase, o conteúdo de cada uma das seguintes unidades narrativas:
a)    Estrofes 39-40:



b)    Estrofes 41-48:



c)    Estrofe 49:



d)   Estrofes 50-59:
7.   Atenta na estrofe 40 e identifica a comparação aí existente.


8.   Este é um episódio simbólico. Comenta esta afirmação.

9.   De acordo com a primeira parte do discurso do gigante, assinala a hipótese correta:
9.1.        O Adamastor considera os portugueses…
a)    ambiciosos e mesquinhos. ___
b)    Corajosos e audaciosos. ___
9.2.        O gigante profetiza…
a)    mortes e naufrágios para todos aqueles que se atreverem a ultrapassar os limites.___
b)    o fracasso total da viagem dos portugueses. ­­­___
9.3.        Vasco da Gama supera…
a)    o medo e parte sem ouvir a história do gigante. ___
b)    o medo e enfrenta o gigante. ___

10.                 Especifica as profecias que o gigante anunciou. 


10.1.     A enumeração das profecias exige um determinado tempo verbal. Identifica-o e retira dois exemplos retirados do discurso do monstro.


11.                 Poderemos dizer que neste texto existe um tom lírico, pela expressão de emoções e sensações íntimas por parte de determinada personagem? Identifica essa personagem e retira duas passagens do texto que provem a tua opinião.


12.              Retira do episódio:
a)    uma apóstrofe (v._____, est. _____):__________
b)    uma perífrase (v._____, est. _____):___________
c)    um eufemismo (v._____, est. _____): _________

A professora: Lucinda Cunha

Cotações:

1-4
2-4
3-4
4-12
5-11
6-8
7-7
8-10
9-6
10-12;10.1-5
11-8
12-9

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"O homem" de Sophia de Mello Breyner

Sophia
Era uma tarde do fim de Novembro, já sem nenhum Outono.
A cidade erguia as suas paredes de pedras escuras. O céu estava alto, desolado, cor de frio. Os homens caminhavam empurrando-se uns aos outros nos passeios. Os carros passavam depressa.
Deviam ser quatro horas da tarde de um dia sem sol nem chuva.
Havia muita gente na rua naquele dia. Eu caminhava no passeio, depressa. A certa altura encontrei-me atrás de um homem muito pobremente vestido que levava ao colo uma criança loira, uma daquelas crianças cuja beleza quase não se pode descrever. É a beleza de uma madrugada de Verão, a beleza de uma rosa, a beleza do orvalho, unidas à incrível beleza de uma inocência humana.
Instintivamente o meu olhar ficou um momento preso na cara da criança. Mas o homem caminhava muito devagar e eu, levada pelo movimento da cidade, passei à sua frente. Mas ao passar voltei a cabeça para trás para ver mais uma vez a criança.
Foi então que vi o homem. Imediatamente parei. Era um homem extraordinariamente belo, que devia ter trinta anos e em cujo rosto estavam inscritos a miséria, o abandono, a solidão. O seu fato, que tendo perdido a cor tinha ficado verde, deixava adivinhar um corpo comido pela fome. O cabelo era castanho-claro, apartado ao meio, ligeiramente comprido. A barba por cortar há muitos dias crescia em ponta. Estreitamente esculpida pela pobreza, a cara mostrava o belo desenho dos ossos. Mas mais belos do que tudo eram os olhos, os olhos claros, luminosos de solidão e de doçura. No próprio instante em que eu o vi, o homem levantou a cabeça para o céu.
Como contar o seu gesto?
Era um céu alto, sem resposta, cor de frio. O homem levantou a cabeça no gesto de alguém que, tendo ultrapassado um limite, já nada tem para dar e se volta para fora procurando uma resposta: A sua cara escorria sofrimento. A sua expressão era simultaneamente resignação, espanto e pergunta. Caminhava lentamente, muito lentamente, do lado de dentro do passeio, rente ao muro. Caminhava muito direito, como se todo o corpo estivesse erguido na pergunta. Com a cabeça levantada, olhava o céu. Mas o céu eram planícies e planícies de silêncio.
Tudo isto se passou num momento e, por isso, eu, que me lembro nitidamente do fato do homem, da sua cara, do seu olhar e dos seus gestos, não consigo rever com clareza o que se passou dentro de mim. Foi como se tivesse ficado vazia olhando o homem.
A multidão não parava de passar. Era o centro do centro da cidade. O homem estava sozinho, sozinho. Rios de gente passavam sem o ver.
Só eu tinha parado, mas inutilmente. O homem não me olhava. Quis fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Era como se a sua solidão estivesse para além de todos os meus gestos, como se ela o envolvesse e o separasse de mim e fosse tarde de mais para qualquer palavra e já nada tivesse remédio. Era como se eu tivesse as mãos atadas. Assim às vezes nos sonhos queremos agir e não podemos.
O homem caminhava muito devagar. Eu estava parada no meio do passeio, contra o sentido da multidão.
Sentia a cidade empurrar-me e separar-me do homem. Ninguém o via caminhando lentamente, tão lentamente, com a cabeça erguida e com uma criança nos braços rente ao muro de pedra fria.
Agora eu penso no que podia ter feito. Era preciso ter decidido depressa. Mas eu tinha a alma e as mãos pesadas de indecisão. Não via bem. Só sabia hesitar e duvidar. Por isso estava ali parada, impotente, no meio do passeio. A cidade empurrava-me e um relógio bateu horas.
Lembrei-me de que tinha alguém à minha espera e que estava atrasada. As pessoas que não viam o homem começavam a ver-me a mim. Era impossível continuar parada.
Então, como o nadador que é apanhado numa corrente desiste de lutar e se deixa ir com a água, assim eu deixei de me opor ao movimento da cidade e me deixei levar pela onda de gente para longe do homem.
Mas enquanto seguia no passeio rodeada de ombros e cabeças, a imagem do homem continuava suspensa nos meus olhos. E nasceu em mim a sensação confusa de que nele havia alguma coisa ou alguém que eu reconhecia.
Rapidamente evoquei todos os lugares onde eu tinha vívido. Desenrolei para trás o filme do tempo. As imagens passaram oscilantes, um pouco trémulas e rápidas. Mas não encontrei nada. E tentei reunir e rever todas as memórias de quadros, de livros, de fotografias. Mas a imagem do homem continuava sozinha: a cabeça levantada que olhava o céu com uma expressão de infinita solidão, de abandono e de pergunta.
E do fundo da memória, trazidas pela imagem, muito devagar, uma por uma, inconfundíveis, apareceram as palavras:
- Pai, Pai, por que me abandonaste?
Então compreendi por que é que o homem que eu deixara para trás não era um estranho. A sua imagem era exactamente igual à outra imagem que se formara no meu espírito quando eu li:
- Pai, Pai, por que me abandonaste?
Era aquela a posição da cabeça, era aquele o olhar, era aquele o sofrimento, era aquele o abandono, aquela a solidão.
Para além da dureza e das traições dos homens, para além da agonia da carne, começa a prova do último suplício: o silêncio de Deus.
E os céus parecem desertos e vazios sobre as cidades escuras.
Voltei para trás. Subi contra a corrente o rio da multidão. Temi tê-lo perdido. Havia gente, gente, ombros, cabeças, ombros. Mas de repente vi-o.
Tinha parado, mas continuava a segurar a criança e a olhar o céu.
Corri, empurrando quase as pessoas. Estava já a dois passos dele. Mas nesse momento, exactamente, o homem caiu no chão. Da sua boca corria um rio de sangue e nos seus olhos havia ainda a mesma expressão de infinita paciência.
A criança caíra com ele e chorava no meio do passeio, escondendo a cara na saia do seu vestido manchado de sangue.
Então a multidão parou e formou um círculo à volta do homem. Ombros mais fortes do que os meus empurram-me para trás. Eu estava do lado de fora do círculo. Tentei atravessá-lo, mas não consegui. As pessoas apertadas umas contra as outras eram como um único corpo fechado. À minha frente estavam homens mais altos do que eu que me impediam de ver. Quis espreitar, pedi licença, tentei empurrar, mas ninguém me deixou passar. Ouvi lamentações, ordens, apitos. Depois veio uma ambulância. Quando o círculo se abriu, o homem e a criança tinham desaparecido.
Então a multidão dispersou-se e eu fiquei no meio do passeio, caminhando para a frente, levada pelo movimento da cidade.
**
Muitos anos passaram. O homem certamente morreu. Mas continua ao nosso lado. Pelas ruas.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, in Contos Exemplares)

Fonte: http://belostextos.aaldeia.net/homem/

sexta-feira, 20 de maio de 2011

FICHA DE TRABALHO SOBRE CONHECIMENTO EXPLÍCITO DA LÍNGUA-12ºANO

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                                             D. João V, o mulherengo (1689-1750)
                                                                                                           Reinado: 1706-1750
“É provavelmente o Rei mais conhecido pelas suas relações extraconjugais. E de todas as amantes, a mais famosa terá sido a madre Paula Silva, uma jovem morena, freira do Convento de Odivelas, para quem D. João V mandou construir aposentos sumptuosos, com tectos em talha dourada, onde era servida por nove criadas. Segundo o livro Amantes dos Reis de Portugal, de Paula Lourenço, Ana Cristina Pereira e Joana Troni, as camas eram de dossel, forradas com lâmina de prata e rodeadas de veludos vermelhos e dourados, e os jarros onde urinava eram de prata.
Ao longo dos 10 anos que durou esta relação, o Rei deu-lhe um rendimento anual de 1708$000 réis, segundo o livro As Amantes de D. João V, de Alberto Pimentel. Mas apenas podia ir para Odivelas ter relações com a freira quando o médico do paço o autorizava.
Em 1720, quando a madre Paula tinha 19 anos, deu à luz Gaspar, que era já o quarto filho bastardo do Monarca. O primeiro tinha nascido já após o casamento com D. Maria Ana de Áustria e era filho da sua primeira namorada, D. Filipa de Noronha, irmã do marquês de Cascais, seduzida quando D. João tinha apenas 15 anos.
Seguiram-se os três bastardos de D. João V que ficaram conhecidos como os Meninos de Palhavã (por terem vivido num palácio nessa zona de Lisboa). Antes da madre Paula, nas suas primeiras visitas ao Convento de Odivelas, o Rei foi íntimo de uma freira francesa, que deu à luz D. António, e de outra religiosa portuguesa, mãe de D. Gaspar, que chegou a ser arcebispo de Braga. O Rei reconheceu estes seus três filhos ilegítimos numa declaração assinada em 1742.
Depois, D. João V envolveu-se ainda com uma cigana, Margarida do Monte, mas enviou-a para um convento, de forma a que deixasse de receber outros amantes. Marcante foi ainda D. Luísa Clara de Portugal, uma loira casada e já com três filhos que o Monarca terá conquistado com este piropo: “Flor da murta, raminho de freixo; deixar de amar-te é que eu não deixo!” A última amante foi a actriz italiana Petronilla Basilii, numa altura em que o Rei tinha já 50 anos, e precisava de pedir a um amigo que fosse aos boticários de Lisboa para lhe comprar afrodisíacos.
In revista Sábado, nº 355


Assinala as alíneas corretas:
1.     “É provavelmente o Rei mais conhecido pelas suas relações extraconjugais.” (l.1). O adjetivo está no grau
a.     superlativo absoluto analítico.
b.     superlativo relativo de superioridade.
c.     normal.
d.     comparativo de superioridade.

2.     Na mesma frase, o sujeito é
a.     simples.
b.     composto.
c.     nulo indeterminando.
d.     nulo subentendido.


3.     O processo de formação da palavra “extraconjugais” é
a.     composição morfológica.
b.     composição morfossintática.
c.     derivação por parassíntese.
d.     derivação por prefixação.

4.     No enunciado “a mais famosa terá sido a madre Paula Silva, uma jovem morena, freira do Convento de Odivelas” (ll.2-3), que função sintática desempenha a expressão realçada?
a.     Complemento direto.
b.     Predicativo do sujeito.
c.     Modificador restritivo.
d.     Complemento oblíquo.

5.     Ainda no mesmo enunciado, que função sintática é desempenhada por “uma jovem morena” e “freira do Convento de Odivelas”?
a.     Complemento direto.
b.     Predicativo do complemento direto.
c.     Modificador da frase.
d.     Modificador apositivo.

6.     O complexo verbal da frase do exercício 4. é composto por:
a.     verbo auxiliar dos tempos compostos + verbo principal.
b.     verbo auxiliar da passiva + verbo principal.
c.     verbo auxiliar aspetual + verbo principal.
d.     verbo auxiliar temporal + verbo principal.

7.     Classifica a oração “onde era servida por nove criadas” (l.4).
a.     Oração subordinante.
b.     Oração subordinada adjetiva restritiva.
c.     Oração subordinada adjetiva explicativa.
d.     Oração subordinada substantiva relativa sem antecedente.

8.     Refere a função sintática desempenhada por “por nove criadas”.
a.     Complemento agente da passiva.
b.     Complemento oblíquo.
c.     Complemento indireto.
d.     Modificador do grupo verbal.

9.     O complexo verbal “podia ir” (l.10) é composto por
a.     verbo auxiliar aspetual + verbo principal.
b.     verbo auxiliar temporal + verbo principal.
c.     verbo auxiliar dos tempos compostos + verbos principal.
d.     verbo auxiliar modal + verbo principal.

10.   Em “quando o médico do paço o autorizava” (l. 9), no que diz respeito às palavras destacadas, estas são, respetivamente,
a.     determinante artigo definido e determinante artigo definido.
b.     determinante artigo definido e pronome pessoal.
c.     determinante artigo definido e pronome indefinido.
d.     determinante artigo definido e pronome demonstrativo.

11.   que era já o quarto filho bastardo do Monarca” (ll. 11-12). Classifica esta oração.
a.     Subordinante.
b.     Subordinada substantiva completiva.
c.     Subordinada substantiva relativa sem antecedente.
d.     Subordinada adjetiva explicativa.


12.   A que classes de palavras pertence “primeiro” (l.12)?
a.     Quantificador numeral.
b.     Pronome demonstrativo.
c.     Adjetivo numeral.
d.     Adjetivo relacional.


13.   Em que tempo se encontra o complexo verbal “tinha nascido”(l. 12)?
a.     Pretérito imperfeito composto do Indicativo.
b.     Pretérito mais-que-perfeito composto do Indicativo.
c.     Pretérito imperfeito composto do Conjuntivo.
d.     Pretérito perfeito composto do Indicativo.

14.   Classifica a oração “que ficaram conhecidos como os Meninos de Palhavã” (ll. 14-15).
a.     Subordinada adjetiva explicativa.
b.     Subordinada adjetiva restritiva.
c.     Subordinada substantiva completiva.
d.     Subordinada substantiva relativa sem antecedente.

15.   A oração “por terem vivido num palácio nessa zona de Lisboa”(l.16) é
a.     subordinada adverbial causal.
b.     subordinada adverbial temporal.
c.     subordinada adverbial concessiva.
d.     subordinada adverbial comparativa.

16.   Classifica a oração “de forma a que deixasse de receber outros amantes” (l. 21).
a.     Subordinante.
b.     Subordinada adverbial final.
c.     Subordinada adverbial causal.
d.     Subordinada adverbial consecutiva.

17.   A palavra “Depois” (l. 20) é um advérbio
a.     de predicado.
b.     de frase.
c.     de inclusão.
d.     conectivo.

18.   A locução conjuntiva “de forma a que” (l. 21) rege que modo verbal?
a.     Indicativo.
b.     Condicional.
c.     Conjuntivo.
d.     Infinitivo.

19.   O adjetivo “sumptuosos” (l.3) é um adjetivo
a.     qualificativo.
b.     relacional.
c.     numeral.
d.     caracterizador.

20.   A palavra “onde” (l. 4) é
a.     um advérbio interrogativo.
b.     um pronome demonstrativo.
c.     um advérbio relativo.
d.     um advérbio de predicado.

Bom trabalho!!!
A PROFESSORA: Lucinda Cunha

1.b
2.d
3.d
4.b
5.d
6.a
7.c
8.a
9.d
10.b
11.d
12.c
13.b
14.b
15.a
16.b
17.d
18.c
19.a
20.c