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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Recursos expressivos- com correção

Lê os excertos retirados da obra O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: uma história de amor, de Jorge Amado, e identifica os recursos expressivos presentes (exercício "repescado" do meu outro blogue-inativo- porque acho que vale a pena "ressuscitar este exercício-"oficinadeescrita8"):
in google.pt

“A Manhã vem chegando devagar, sonolenta”
“dizem-no velhaco e capadócio”
“Certo relógio universalmente famoso, colocado na torre da universalmente famosa fábrica dos universalmente famosos relógios”
“ria pelos olhos pardos também”
“uma rosa que, apressada, já se abrira, deixou cair todas as pétalas sobre o chão”
“Em torno era a Primavera, o sonho de um poeta”
“Feio e convencido”
“uma sombra anuviava a vida da Andorinha Sinhá”
“Un tipo tan chiquito y ya de bigotes ”
"O Gato, em evidente e imperdoável desrespeito, teve a ousadia de responder-lhe”
“Falta sentia de outras coisas: de afeição, de carinho e de salsichas vienenses”
“De repente, o amor desperta do seu sono”
“gesto insultuoso e condenável”
“seus pés, de tão pesados, pareciam ter chumbo grudado”
“Não lhe chamo mais de feio. Agora só lhe trato de formoso”
“A Andorinha ficou calada, num silêncio de noite profunda”
"O Rouxinol é belo e gentil”
"O Vento sentia frio e, para esquentar-se, corria zunindo pelo Parque”
“pássaros voavam entre trinados alegres, pombos arrulhavam amor”
“o Outono trazia consigo uma cauda de nuvens”
“nas páginas iniciais desta história, tremiam todos apenas o Gato Malhado abria um olho”
“A poesia não está somente nos versos, por vezes ela está no coração, e é tamanha, a ponto de não caber nas palavras”
“as murmurações ruidosas amorteceram-se em cochichos segredados”
“era como se uma invisível cortina os separasse”
“a felicidade não pode se alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro”
“O gato a colocou sobre o peito, parecia uma gota de sangue”
“Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue”
“Canção nupcial para os noivos; para o Gato Malhado, canto funerário”



Exercício corrigido “A Manhã vem chegando devagar, sonolenta” (personificação) “dizem-no velhaco e capadócio” (dupla adjectivação) “Certo relógio universalmente famoso, colocado na torre da universalmente famosa fábrica dos universalmente famosos relógios” (repetição/ anáfora/ paralelismo) “ria pelos olhos pardos também” (metáfora) “uma rosa que, apressada, já se abrira, deixou cair todas as pétalas sobre o chão” (hipérbole/personificação) “Em torno era a Primavera, o sonho de um poeta” (metáfora) “Feio e convencido” (dupla adjectivação) “uma sombra anuviava a vida da Andorinha Sinhá” (metáfora) “Un tipo tan chiquito y ya de bigotes ” (ironia) « O Gato, em evidente e imperdoável desrespeito, teve a ousadia de responder-lhe” (ironia) “Falta sentia de outras coisas: de afeição, de carinho e de salsichas vienenses” (enumeração) “De repente, o amor desperta do seu sono” (metáfora) “gesto insultuoso e condenável” (dupla adjectivação) “seus pés, de tão pesados, pareciam ter chumbo grudado” (comparação/ hipérbole) “Não lhe chamo mais de feio. Agora só lhe trato de formoso” (antítese) “A Andorinha ficou calada, num silêncio de noite profunda” (metáfora) O Rouxinol é belo e gentil” (dupla adjectivação) "O Vento sentia frio e, para esquentar-se, corria zunindo pelo Parque” (personificação/ onomatopeia) “pássaros voavam entre trinados alegres, pombos arrulhavam amor” (onomatopeia/assíndeto) “o Outono trazia consigo uma cauda de nuvens” (metáfora) “nas páginas iniciais desta história, tremiam todos apenas o Gato Malhado abria um olho”(hipérbole) “A poesia não está somente nos versos, por vezes ela está no coração, e é tamanha, a ponto de não caber nas palavras” (metáfora) “as murmurações ruidosas amorteceram-se em cochichos segredados” (antítese) “era como se uma invisível cortina os separasse” (comparação) “a felicidade não pode se alimentar apenas das recordações do passado, necessita também dos sonhos do futuro” (antítese) “O gato a colocou sobre o peito, parecia uma gota de sangue” (comparação) “Apenas uma pétala vermelha sobre o coração, uma gota de sangue” (metáfora) “Canção nupcial para os noivos; para o Gato Malhado, canto funerário”(metáfora/ antítese)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mais uma ficha de leitura com as soluções


"Ficha de leitura de O Evangelho segundo Jesus Cristo de José Saramago

            Responde às questões, assinalando a alínea correta para cada item:

1.    Um Anjo apareceu a Maria sob a forma de

a.    uma criança.

b.    um mendigo.

c.    um velhinho.

d.    um estrangeiro.



2.    O Anjo deixou a Maria

a.    as sagradas escrituras.

b.    uma pulseira com contas de marfim.

c.    uma tigela com terra luminosa.

d.    alguns peixes para o almoço.



3.    José soube, por Ananias, seu vizinho, que

a.    teria de se ir recensear à sua terra, Belém.

b.    os romanos tinham perguntado por ele e pela sua mulher.

c.    tinham acontecido desacatos na praça.

d.    o seu burro tinha fugido.



4.    O Rei Herodes tinha um grave problema de saúde. Qual?

a.    Sofria de uma terrível comichão e gangrena.

b.    Tinha escorbuto e, consequentemente, perdera todos os dentes.

c.    Uma doença intestinal.

d.    Sofria de uma doença cardíaca que o fazia desfalecer frequentemente.



5.    Após o nascimento de seu filho Jesus, e na véspera de regressar a Nazaré, José

a.    foi receber o pagamento pelos seus serviços de carpinteiro no templo.

b.    discutiu com Maria por não concordar com o nome dado ao bebé.

c.    foi despedir-se da escrava que ajudara Maria no parto.

d.    ouviu três soldados romanos a conversarem entre si, combinando o massacre de crianças.



6.    O chefe da guerrilha contra os romanos era conhecido por

a.    Matias, o Zebedeu.

b.    Judas, o Galileu.

c.    João, o Batista.

d.    Marcos, o malfeitor.



7.    Um ano depois, José decidiu ir à aldeia de Séforis

a.    visitar  a sua irmã, Madalena.

b.    para realizar um trabalho para um homem rico.

c.    resgatar o seu vizinho, que estava ferido.

d.    comprar madeira para construir uma barraca.



8.    Em Séforis, José foi

a.    mal recebido pelos habitantes.

b.    maltratado por uma prostituta.

c.    crucificado.

d.    chicoteado.



9.    Jesus deixou a sua casa e a sua família com

a.    13 anos.

b.    18 anos.

c.    27 anos.

d.    32 anos.



10.  Ao regressar a Belém, a primeira pessoa que Jesus encontrou foi a escrava que o tinha ajudado a nascer. Como se chamava?

a.    Maria.

b.    Lutécia.

c.    Berani.

d.    Zelomi.



11.  Jesus começou a trabalhar como

a.    pescador.

b.    pastor.

c.    ferreiro.

d.    agricultor.



12.  Quando a sua ovelha se perdeu e Jesus foi à sua procura no deserto

a.    ficou muito doente devido a uma insolação.

b.    perdeu-se durante 12 dias e 12 noites.

c.    apareceu-lhe Deus.

d.    caiu a um buraco, mas foi salvo por caçadores.



13.  Jesus pediu ajuda a Maria de Magdala, a prostituta porque

a.    tinha uma chaga aberta no pé.

b.    tinha sido assaltado por malfeitores que lhe bateram.

c.    sentia  uma sede invulgar.

d.    se tinha perdido.



14.  Quando Jesus começou a trabalhar como pescador, um dia

a.    apanhou um peixe do seu tamanho.

b.    caiu à água e ia-se afogando.

c.    acalmou o vento e o mar durante uma tempestade.

d.    salvou Pedro de ser levado pelas ondas.



15. A primeira pessoa a chamar Jesus de filho de Deus foi

a.    uma idosa.

b.    um sacerdote.

c.    um mendigo.

d.    um louco.



16.  Deus encontrou-se com Jesus

a.    atrás de umas figueiras.

b.    no meio do mar.

c.    em sua casa.

d.    no templo.



17. A meio da conversa entre Jesus e Deus, apareceu

a.    sua mãe, Maria.

b.    o Diabo.

c.    Simão Pedro.

d.    Maria de Magdala.



18. Jesus encontrou João quando este

a.    estava  a rezar no templo, em Jerusalém.

b.    o foi visitar a Magdala.

c.    lhe foi pedir conselhos a Nazaré.

d.    estava  no rio Jordão.



19.  Lázaro era

a.    pai  de Maria de Magdala.

b.    seu vizinho.

c.    irmão de Maria de Magdala e de Marta.

d.    irmão de um discípulo de Jesus.



20.  Jesus não ressuscitou Lázaro porque

a.    Maria o impediu.

b.    já era tarde demais.

c.    Deus não deixou.

d.    os romanos chegaram e levaram-no para o crucificarem.


Correção

1-b
2-c
3-a
4-a
5-d
6-b
7-c
8-c
9-a
10-d
11-b
12-c
13-a
14-c
15-d
16-b
17-b
18-d
19-c
20-a


domingo, 24 de junho de 2012

Declaração de Amor à Língua Portuguesa

Recebi este texto por email como sendo da autoria da escritora Teolina Gersão. Não sei se o será, mas é uma boa reflexão sobre a nossa gramática, perdão! conhecimento explícito da língua. Depois da Gramática e da TLEBS, agora estamos às voltas com o dicionário terminológico. A ver se é desta que se chega a um acordo!

Teolinda Gersão
Escritora

Tempo de exames no secundário, os meus netos pedem-me ajuda para estudar português. Divertimo-nos imenso,confesso. E eu acabei por escrever a redacção que eles gostariam de escrever. As palavras são minhas,mas as ideias são todas deles.
Aqui ficam,e espero que vocês também se divirtam. E depois de rirmos espero que nós, adultos, façamos alguma coisa para libertar as crianças disto.
Redacção– Declaração de Amor à Língua Portuguesa
Vou chumbar a Língua Portuguesa, quase toda a turma vai chumbar, mas a gente está tão farta que já nem se importa. As aulas de português são um massacre. A professora? Coitada, até é simpática, o que a mandam ensinar é que não se aguenta. Por exemplo, isto: No ano passado, quando se dizia “ele está em casa”, ”em casa” era o complemento circunstancial de lugar. Agora é o predicativo do sujeito. “O Quim está na retrete” : “na retrete” é o predicativo do sujeito, tal e qual como se disséssemos “ela é bonita”. Bonita é uma característica dela, mas “na retrete” é característica dele? Meu Deus, a setôra também acha que não, mas passou a predicativo do sujeito, e agora o Quim que se dane, com a retrete colada ao rabo.
No ano passado havia complementos circunstanciais de tempo, modo, lugar etc., conforme se precisava. Mas agora desapareceram e só há o desgraçado de um“complemento oblíquo”. Julgávamos que era o simplex a funcionar: Pronto, é tudo“complemento oblíquo”, já está. Simples, não é? Mas qual, não há simplex nenhum,o que há é um complicómetro a complicar tudo de uma ponta a outra: há por exemplo verbos transitivos directos e indirectos, ou directos e indirectos ao mesmo tempo, há verbos de estado e verbos de evento,e os verbos de evento podem ser instantâneos ou prolongados, almoçar por exemplo é um verbo de evento prolongado (um bom almoço deve ter aperitivos, vários pratos e muitas sobremesas). E há verbos epistémicos, perceptivos, psicológicos e outros, há o tema e o rema, e deve haver coerência e relevância do tema com o rema; há o determinante e o modificador, o determinante possessivo pode ocorrer no modificador apositivo e as locuções coordenativas podem ocorrer em locuções contínuas correlativas. Estão a ver? E isto é só o princípio. Se eu disser: Algumas árvores secaram, ”algumas” é um quantificativo existencial, e a progressão temática de um texto pode ocorrer pela conversão do rema em tema do enunciado seguinte e assim sucessivamente.
No ano passado se disséssemos “O Zé não foi ao Porto”, era uma frase declarativa negativa. Agora a predicação apresenta um elemento de polaridade, e o enunciado é de polaridade negativa.
No ano passado, se disséssemos “A rapariga entrou em casa. Abriu a janela”, o sujeito de “abriu a janela” era ela,subentendido. Agora o sujeito é nulo. Porquê, se sabemos que continua a ser ela? Que aconteceu à pobre da rapariga? Evaporou-se no espaço?
A professora também anda aflita. Pelo vistos no ano passado ensinou coisas erradas, mas não foi culpa dela se agora mudaram tudo, embora a autora da gramática deste ano seja a mesma que fez a gramática do ano passado. Mas quem faz as gramáticas pode dizer ou desdizer o que quiser, quem chumba nos exames somos nós. É uma chatice. Ainda só estou no sétimo ano, sou bom aluno em tudo excepto em português,que odeio, vou ser cientista e astronauta, e tenho de gramar até ao 12º estas coisas que me recuso a aprender, porque as acho demasiado parvas. Por exemplo,o que acham de adjectivalização deverbal e deadjectival, pronomes com valor anafórico, catafórico ou deítico, classes e subclasses do modificador, signo linguístico, hiperonímia, hiponímia, holonímia, meronímia, modalidade epistémica, apreciativa e deôntica, discurso e interdiscurso, texto, cotexto, intertexto, hipotexto, metatatexto, prototexto, macroestruturas e microestruturas textuais, implicação e implicaturas conversacionais? Pois vou ter de decorar um dicionário inteirinho de palavrões assim. Palavrões por palavrões, eu sei dos bons, dos que ajudam a cuspir a raiva. Mas estes palavrões só são para esquecer. Dão um trabalhão e depois não servem para nada, é sempre a mesma tralha, para não dizer outra palavra (a começar por t, com 6 letras e a acabar em “ampa”, isso mesmo, claro.)
Mas eu estou farto. Farto até de dar erros, porque me põem na frente frases cheias deles, excepto uma, para eu escolher a que está certa. Mesmo sem querer, às vezes memorizo com os olhos o que está errado, por exemplo: haviam duas flores no jardim. Ou : a gente vamos à rua. Puseram-me erros desses na frente tantas vezes que já quase me parecem certos. Deve ser por isso que os ministros também os dizem na televisão. E também já não suporto respostas de cruzinhas, parece o totoloto. Embora às vezes até se acerte ao calhas. Livros não se lê nenhum, só nos dão notícias de jornais e reportagens,ou pedaços de novelas. Estou careca de saber o que é o lead, parem de nos chatear. Nascemos curiosos e inteligentes, mas conseguem pôr-nos a detestar ler, detestar livros, detestar tudo. As redacções também são sempre sobre temas chatos, com um certo formato e um número certo de palavras. Só agora é que estou a escrever o que me apetece, porque já sei que de qualquer maneira vou ter zero.
E pronto, que se lixe, acabei a redacção – agora parece que se escreve redação.O meu pai diz que é um disparate, e que o Brasil não tem culpa nenhuma, não nos quer impôr a sua norma nem tem sentimentos de superioridade em relação a nós, só porque é grande e nós somos pequenos. A culpa é toda nossa, diz o meu pai, somos muito burros e julgamos que se escrevermos ação e redação nos tornamos logo do tamanho do Brasil, como se nos puséssemos em cima de sapatos altos. Mas, como os sapatos não são nossos nem nos servem, andamos por aí aos trambolhões, a entortar os pés e a manquejar. E é bem feita, para não sermos burros.
E agora é mesmo o fim. Vou deitar a gramática na retrete, e quando a setôra me perguntar: Ó João, onde está a tua gramática? Respondo: Está nula e subentendida na retrete, setôra, enfiei-a no predicativo do sujeito.
João Abelhudo, 8º ano, turma C (c de c…r…o, setôra, sem ofensa para si, que até é simpática).