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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Teste diagnóstico de 11º ano (ou 10º)- com correção


Proponho este teste (que segue a estrutura do exame nacional do 12º ano- como todos aqui publicados para o secundário) como diagnóstico de 11º ano (ou mesmo para a unidade do texto narrativo no 10º ano) pois este texto/ teste não é dos mais fáceis. A interpretação exige algum raciocínio que, a meu ver, a par da escrita, é uma das principais dificuldades dos nossos alunos.

IA
Conto integral:
O homem que parecia um domingo”
         O Velho Fausto parecia um domingo. Costumava vê-lo, manhã cedo, cruzar o passeio, pisando sem ruído as flores das acácias, muito aprumado no seu fato de linho branco, chapéu de palha, laço e bengala, e tão sem pressa, meu Deus!, cumprimentando com acenos lentos (largos sorrisos) a turba ansiosa. Um dia alguém o provocou:
         “Afinal, o que faz você nos dias úteis?”
         Ele sorriu, ainda mais generoso, e o claro fulgor dos seus dentes perfeitos cegou o atrevido:
         “Todos os meus dias são inúteis”, respondeu com solene orgulho: “Eu os passeio.”
         Durante muitos anos, devo confessar, quis ser como ele. Hoje sei que pecava por excessiva ambição. Trabalhando intensamente qualquer pessoa é capaz de alcançar, no fim da vida, relativa prosperidade e a admiração dos outros. Um ladrão hábil pode ficar rico em dez ou quinze anos. A conquista do poder também impõe considerável esforço; isto, já para não falar em santidade ou heroicidade. A inutilidade, porém, exige algo mais difícil: talento. Nem todos podem ser inúteis, realmente inúteis, da mesma forma que poucos conseguem fazer chorar um violino. Também nem todos merecem ser inúteis. Fausto sim, era inútil e merecia-o. Foi, enquanto viveu, ocioso e magnífico como uma tela de Gauguin.
         Depois veio a revolução. Nenhuma revolução tolera pessoas desnecessárias. Nas revoluções há os revolucionários e os reacionários; não há lugar para observadores e muito menos para imprestáveis. Fausto percebeu isso num dia em que, tendo decidido passar pela Cervejaria Biker para refrescar a alma, encontrou a velha e gloriosa catedral da boémia luandense transformada numa espécie de centro cultural. Alguém se tinha lembrado de organizar ali uma receção a um poeta, antigo preso político, há poucos dias regressado do Tarrafal. O poeta era um homenzinho miúdo, de densa barba negra, rosto pálido, liso como o de uma criança, mãos muito finas, de dedos longos, que se moviam com veemência, como se fossem independentes do corpo. Leu alguns poemas e contou histórias da cadeia. Explicou que para conseguir sobreviver à solidão e ao desespero, fechado sozinho numa minúscula cela escura, se entretivera durante anos e amestrar insetos. Em particular fizera amizade com uma barata, um bicho amável e inteligente, à qual ensinara a dançar. O poeta calou-se, a cabeça entre as mãos, enquanto na sala se fazia um silêncio comovido. Então Fausto levantou-se e pediu a palavra:
         “O que aconteceu à barata?”
         A pergunta ecoou na sala como um traque. Alguém gritou: “Fascista!” Um tipo alto, de bigodes, sentado ao lado do escritor, encolheu os ombros:
         “Calma! O camarada que falou é um notório vadio.”
O desprezo com que disse aquilo serenou os ânimos. Encontrei Fausto, horas mais tarde, ainda na mesma mesa. Ardia ao lume brando do crepúsculo. “Gostaria realmente de saber o que aconteceu à barata”, disse-me com tristeza. Ele queria saber que género de música dançava o inseto: rumba, valsa, a velha rebita? Recomendei-lhe mais cuidado com a língua. Podia-se ser preso, naquela época, por coisas assim. Fausto encolheu os ombros, cético, terminou de beber a sua cerveja e foi-se embora. Morreu, tempos depois, atropelado por um camião do exército.
Voltei a lembrar-me dele quando, há poucos dias, um amigo me disse ter descoberto no Cemitério do Alto das Cruzes uma lápide partida: “Aqui repousa Fausto Bendito. Foi ele quem renunciou à vida/ podeis continuar a ocupar o seu lugar/ vós, que nos roubastes/ Não foi, nunca foi, renunciou-se/ atingiu o zero.” Reconheci os versos de Agostinho Neto, musicados depois pelos Irmãos Kafala no belo álbum “Salipo”. “E agora vivei, cantai, chorai/ e agora casai-vos, matai-vos/ embriagai-vos/ e agora dai esmolas aos pobres/ nada me pode interessar/ que não sou, não sou/ Atingi o zero/ Nada me pode interessar/ Não sou, não sou/ Atingi o zero.”.
AGUALUSA, José Eduardo, Catálogo de Sombras, 4ª ed., Publicações D. Quixote, Lisboa, 2003.

1.    Diz-se, no conto, que “O Velho Fausto parecia um domingo.”. Explica esta afirmação partindo do texto que leste.
2.    Segundo o narrador, ser inútil é muito difícil. Explica a afirmação por palavras tuas.
3.     No texto conta-se um episódio da vida do ocioso Fausto. Faz o seu breve resumo e explica a importância desse episódio no contexto social e político em que aconteceu.
3.1.        Explica a expressividade da comparação “A pergunta ecoou na sala como um traque.”.
4.    Explica a ironia do tipo de morte sofrida por Fausto.
B


Esta é uma tela de Gauguin, pintor francês do século XIX. Num breve texto, entre 60 e 100 palavras, explica a afirmação “Foi, enquanto viveu, ocioso e magnífico como uma tela de Gauguin.”

 II

Lê o seguinte texto com atenção:

Superpotências: ao assalto da África
Por: CARLOS REIS, Jornalista
“No século XXI, África constitui-se definitivamente como fornecedor de recursos naturais das duas superpotências. A China não impõe contrapartidas políticas, enquanto os Estados Unidos não são indiferentes aos problemas de segurança e às emergências humanitárias. A não ingerência de Pequim é mais sedutora para os Estados africanos.
Com a ascensão da China ao estatuto de superpotência, o novo milénio apresenta-se como um mundo bipolar tendo como centros Washington e Pequim. A nova realidade é visível especialmente no relacionamento do G2, a China e Estados Unidos, com África. Os países do continente menos desenvolvido passaram a contar com as opções das vias norte-americana ou chinesa. Pequim oferece a harmonia ao proclamar a ajuda ao desenvolvimento sem pré-condições e ao prezar a paz, desenvolvimento e comércio e ignorar modelos políticos ou económicos. O gigante asiático não está nos negócios com África para exportar modelos de desenvolvimento ou projetos políticos, em oposição aos Estados Unidos, que pretendem contrapartidas como mais democracia, liberdade, direitos humanos e o domínio da lei.
O Governo de Hu Jintao pretende apenas fazer negócios em paz sob a sua conceção do mundo em que o crescimento é o objetivo absoluto. Uma visão estratégica assente na convicção de que a economia resolverá a maioria dos problemas de direitos e desenvolvimento humano do continente. Esta ênfase na harmonia abona a favor de Pequim, tanto mais que rivaliza com a estratégia de compensações norte-americana. «Se o consenso de Washington é ideologicamente intervencionista, o emergente consenso de Pequim parece ideologicamente agnóstico», observa Roger Cohen, colunista do diário «The New York Times».

Enquanto a Administração norte-americana condiciona a ajuda a África à democracia e combate à corrupção, a China faz acordos energéticos sem pré-condições como o estabelecido no FOCAC, o fórum de cooperação China-África. Os países africanos têm agora uma superpotência alternativa e podem desvalorizar não só os Estados Unidos, como o G8, grupo dos países mais industrializados, e as ONG de ajuda ao desenvolvimento, muito preocupadas com a boa governabilidade e os direitos humanos. (…)”
1. Para cada um dos itens de 1.1. a 1.7., escolhe a alternativa correta, de acordo com o sentido do texto:
1.1. Segundo o primeiro parágrafo do texto,

a. os negócios entre África, a China e os Estados Unidos são harmoniosas.

b. as negociações com a China são consideradas mais vantajosas.

c. os Estados Unidos são um país sem preocupações sociais.

d. o regime chinês não necessita dos recursos naturais africanos.


1.2. Neste novo século,

a. continua a verificar-se a supremacia dos Estados Unidos da América sobre o mundo.

b. a China aspira cada vez mais ao estatuto de superpotência.

c. o continente africano já depende pouco da ajuda externa.

d. o maior país da Ásia continua a não valorizar os direitos humanos.

1.3. O que significa o enunciado “em oposição aos Estados Unidos, que pretendem contrapartidas como mais democracia, liberdade, direitos humanos e o domínio da lei.” (2º parágrafo)?

a. Os Estados Unidos seguem as mesmas ideologias da China.

b. Os Estados Unidos procuram fazer respeitar a democracia no seu país.

c. A China e os Estados Unidos têm pontos de vista diferentes no que concerne aos negócios com África.

d. Os Estados unidos não são uma nação interventiva.


1.4. Qual é o processo irregular de formação de palavras que se verifica em “FOCAC” (último parágrafo)?

a. Truncação.

b. Empréstimo.

c. Sigla.

d. Acrónimo.



1.5. A expressão “O gigante asiático”, referido no segundo parágrafo, pretende retomar a palavra “China”, sendo considerada, por isso,

a. uma anáfora.

b. uma catáfora.

c. um correferente.

d. uma elipse.



1.6. Que figura de retórica se verifica no enunciado “continente menos desenvolvido” (2º parágrafo)?

a. Eufemismo.

b. Perífrase.

c. Antonomásia.

d. Metonímia.



1.7. Que figura de retórica se verifica no enunciado “Pequim oferece a harmonia (…)” (2º parágrafo)?

a. Metonímia.

b. Metáfora.

c. Eufemismo.

d. Pleonasmo.



2. Responde, de forma correta, aos itens apresentados.



2.1. Indica a que classe de palavras pertence a palavra sublinhada em “Pequim oferece a harmonia ao proclamar a ajuda ao desenvolvimento sem pré-condições”.

2.2. Identifica a função sintática sublinhada no enunciado “Os países do continente menos desenvolvido passaram a contar com as opções das vias norte-americana ou chinesa.” (2º par.).

2.3. Classifica a oração subordinada presente no enunciado “em oposição aos Estados Unidos, que pretendem contrapartidas como mais democracia, liberdade, direitos humanos e o domínio da lei.” (2º par.).


III



         Num texto bem estruturado, entre 150 e 200 palavras, comenta o cartoon apresentado, refletindo sobre a importância que os computadores assumem na vida do Homem: moderno.


BOM TRABALHO!!!

COTAÇÕES:
Grupo I………… 100 pontos
1………………… 15pontos (C=9+O=6)
2………………….10 pontos (C=6+O=4)
3.………………..20 pontos (C=12+O=8)
3.1……………..10 pontos (C=6+O=4)
4………………. 15 pontos (C=9+O=6)
B…………………….. 30 (C=18+O=12)
Grupo II …………….. 50 pontos
1……………………… 35 pontos
2……………………… 15 pontos
Grupo III…………….. 50 pontos (C=30+O=20)


                       Conteúdo = C                                                        Organização e Correção Linguística = O

QUERO FRISAR AQUI QUE QUANDO OS EXERCÍCIOS NÃO SÃO DA MINHA AUTORIA EU REFIRO SEMPRE A FONTE. ESTE TESTE É DA MINHA INTEIRA RESPONSABILIDADEJ (peço desculpa por qualquer lapso):
Proposta de Correção:
1.O Velho Fausto parecia um domingo visto que era considerado um “inútil”, alguém ocioso que não fazia nada de útil para a sociedade. Limitava-se a passear o seu fato de linho branco pela cidade de Luanda, sem preocupações, “sem pressa” e a irradiar simpatia e sorrisos. Ora, sendo o domingo o dia de descanso semanal, em que as pessoas podem passar o seu tempo despreocupadamente, é assim que se justifica esta afirmação que dá também o título ao conto.

2.Segundo o narrador, ser inútil exige um talento que nem todos possuem. Ou seja, será mais fácil ficar-se rico, ser-se poderoso, tornar-se um herói ou ser considerado santo que ser considerado um verdadeiro inútil e merecer sê-lo.

3.Um dia, Fausto decidiu refrescar-se com uma bebida numa cervejaria famosa de Luanda onde se juntavam pessoas ligadas à cultura. Nesse dia homenageava-se um poeta que tinha sido libertado há poucos dias da prisão do Tarrafal. O poeta contou que, para sobreviver à solidão e não perder a sanidade, amestrou alguns insetos, em particular uma barata que até aprendeu a dançar. Fausto quis saber o que foi feito da barata e aquela pergunta foi considerada terrivelmente ofensiva para aqueles que ali discutiam a revolução e alguém como Fausto, sem preocupações e indiferente quanto à política, era visto como alguém desprezível e sem importância.

3.1. A pergunta inofensiva e sem conotação política foi vista como uma ofensa por aqueles cuja única preocupação se prendia com a revolução e a mudança do regime político opressor que vigorava na altura.

4. Fausto, que não se importava minimamente com política nem com as coisas sérias da vida, e que foi apelidado de “fascista” durante aquele encontro na Cervejaria Biker, ironicamente foi morto por um veículo do governo.

B. Sugestão de resposta:

Neste quadro de Gauguin vemos três raparigas à sombra de uma árvore acompanhadas de dois animais, um deles também a descansar refugiado do calor. Pela cor da erva percebe-se que a cena se passa no auge do verão. Num plano mais afastado vemos uma série de montanhas e um lago, o que transmite uma sensação de tranquilidade e serenidade. Este quadro retrata-nos um belo e maravilhoso momento de descanso, através de cores fortes, tanto nos seres animados como na própria natureza, tão próprias da técnica do artista. (87 palavras)

II. 1.1. b; 1.2. d; 1.3. c; 1.4. d; 1.5. c; 1.6. b; 1.7. a;

2.1. Preposição.

2.2. Complemento oblíquo.

2.3. Oração subordinada adjetiva relativa explicativa.

III. Resposta aberta.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Entrevista a José Eduardo Agualusa



FICHA DE VERIFICAÇÃO DA VISUALIZAÇÃO DO VÍDEO
Após a visualização da curta entrevista a Agualusa, seleciona as opções corretas em cada ítem:
1. O escritor fala do seu novo livro, Barroco Tropical, que se segue a

a.  As mulheres do meu pai.

b. Nação Crioula.

c. O vendedor de passados.



2. A personagem principal do seu novo livro é

a. professor de Língua Portuguesa.

b. deputado do partido da oposição.

c. documentarista e escritor.



3. Essa personagem chama-se

a. Pascal Adibe.

b. Bartolomeu Falcato.

c. Tata Ambroise.



4. O seu novo livro passa-se em Angola no ano de

a. 2020.

b. 2010

c. 2000.



5. O autor escreveu uma peça para teatro em conjunto com outro escritor. Qual?

a. Ondjaki.

b. Craveirinha.

c. Mia Couto.



6. Essa peça de teatro intitula-se

a. No verão os dias são tão grandes como a dor.

b. Chovem amores da rua do matador.

c. Batem à porta vendedores ambulantes.



7. Essa peça já foi representada em Portugal e agora vai ainda ser levada a palco

a. em Moçambique.

b. em Timor.

c. no Brasil.



8. António Zambujo canta uma canção que, em Barroco Tropical, é interpretada pela cantora

a. Kianda.

b. Myao.

c. Mouche Shaba.



9. O cantor luso-moçambicano João Afonso tem um disco com letras de Agualusa e de

a. Mia Couto.

b. Fernando Pessoa.

c. Luís Vaz de Camões.



10. Para Agualusa, há livros que o influenciam muito na sua escrita. Ele traz sempre consigo

a. Os Lusíadas de Camões.

b. Os Maias de Eça de Queirós.

c. O livro do desassossego de Fernando Pessoa.



11. Um seu livro está a ser adaptado para cinema. Qual?

a. Barroco Tropical.

b. O vendedor de passados.

c. A conjura.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Teste de 7º ano- texto poético- com soluções




TESTE DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS                                                      Ano Letivo 2011/2012



A PREENCHER PELO ESTUDANTE


Nome completo
BI/CC nº








Emitido em ( localidade)
Assinatura do Estudante
Teste  de  PORTUGUÊS               Ano de Escolaridade      Turma ____Nº___ 1º/2º/3º CEB/ CEF/ES/ EP
Duração do Teste   90 mn  Número de Páginas Utilizadas 





I

Compreensão do oral

Ouve atentamente a gravação do conto “Sábios como camelos” de José Eduardo Agualusa. De seguida, refere se as afirmações que se seguem são verdadeiras (V) ou falsas (F):


1.    O único espaço onde se desenrola esta história é no deserto asiático.

2.    O grão-vizir gostava muito de ler e, por isso, nem em viagem se separava dos seus livros.

3.    Quando o grão-vizir tinha de viajar, eram os camelos que transportavam a sua biblioteca.

4.    Nesta biblioteca ambulante, era quase impossível encontrar o livro que se queria.

5.    Uma tempestade no deserto destruiu a preciosa coleção de livros do grão-vizir.

6.    Os camelos salvaram-se por serem sábios. o que lhes permitiu ter a ideia brilhante de comerem os livros todos.

7.    Os camelos ficaram sábios depois de terem comido os livros — aprenderam a falar e a contar as histórias dos livros que os tinham alimentado.

8.    O grão-vizir não queria camelos falantes; queria a biblioteca perdida.

9.    O grão-vizir deixou de ser leitor e passou a ser ouvinte.

10.  Graças a um pastor salvou-se o tesouro do grão-vizir — as suas histórias.


                                                                             II

Leitura

Lê o poema com atenção e, de seguida, responde às questões com frases completas:



Ao ver o neto a brincar,
Diz o avô, entristecido,
«Ah, quem me dera voltar
A estar assim entretido!

Quem me dera o tempo quando
Castelos assim fazia,
E que os deixava ficando
Às vezes p´ra outro dia;

E toda a tristeza minha
Era, ao acordar p´ra vê-lo,
Ver que a criada já tinha
Arrumado o meu castelo.»

Mas o neto não o ouve
Porque está preocupado
Com um engano que houve
No portão para o soldado.

E, enquanto o avô cisma, e triste
Lembra a infância que lá vai,
Já mais uma casa existe
Ou mais um castelo cai;

E o neto, olhando afinal
E vendo o avô a chorar,
Diz, «Caiu, mas não faz mal:
Torna-se já a arranjar.»

               Fernando Pessoa,1926



  1. Faz a análise formal (ou externa) do poema, referindo-te ao tipo de estrofes, à rima e à métrica.

1.1.             Faz a escanção dos versos 1 e 2.

  1. O que sente o avô ao ver o neto brincar?

2.1.             Explica, por palavras tuas, aquilo que o avô diz, nos versos 3 a 12.

2.2.             A partir das palavras do avô, faz a sua caracterização.

  1. Por que razão o neto não o ouve?
  2. Finalmente, a criança repara nas lágrimas do avô. Como as interpreta? Como tenta consolá-lo?
  3. Este poema mostra-nos mais qualquer coisa do que um neto que brinca e um avô que chora ao vê-lo brincar, ou seja, mostra-nos as duas maneiras diferentes como crianças e idosos veem o mundo e a realidade. Comenta esta afirmação.
  4. Transcreve as duas palavras homófonas presentes na quarta estrofe.

III

Conhecimento Explícito da Língua



1.       Passa o quadro seguinte para a folha de teste e distribui os pares de palavras apresentados:



    a)livro / livro       b)comprimento/cumprimento      c)simpático/gentil       d)fácil/difícil
     e)à/há           f)soar/suar          g)molho/molho         h) crer/querer        i)concelho/conselho 
       j)chegar/partir          k)canto/canto       l)cor/cor (saber algo de cor)      m)cem/sem  
                             n)aço/asso             o) lava/lava         p) próximo/ chegado



homófonas
homógrafas
homónimas
parónimas
sinónimas
antónimas












1.1.             Redige uma frase onde utilizes uma palavra homógrafa da palavra sublinhada a seguir:  Os portugueses usaram a rota marítima para chegar mais rapidamente à Índia.

1.2.             Redige uma frase onde utilizes uma palavra homónima da que surge sublinhada na frase que se segue: A partida de futebol foi emocionante.

1.3.             Constrói duas frases onde utilizes a palavra “banco” com significados diferentes.



2.       Identifica o tempo e modo dos verbos compostos nas frases seguintes (associa um número a uma alínea):





1.       Já te tinha avisado antes!
2.       Tendo lavado dos dentes, finalmente deitei-me.
3.       Ela já terá cumprido o serviço comunitário?
4.       Se me tivesses ouvido não estavas nesta situação!
5.       Tenho falado todos os dias com a Margarida.

a.       pretérito perfeito do Indicativo
b.       pretérito mais-que-perfeito do Indicativo
c.        futuro do presente do Indicativo
d.       gerúndio
e.      pretérito mais-que-perfeito do Conjuntivo



3.       Divide e classifica as orações seguintes:

a)      O avô chorava porque tinha saudades da infância.

b)      Como a criança estava distraída, não viu o acidente.

c)       Logo que chegues a casa, manda-me uma mensagem.



4.       Apresenta o campo semântico de uma das palavras seguintes:

                   ponto                 meter               cara



5.       Refere se a palavra sublinhada nas frases/expressões que se seguem estão usadas com sentido denotativo ou com sentido conotativo:



a)      Os porcos cheiram tão mal!

b)      Dar pérolas a porcos é um desperdício.

c)       Eles andam de candeias às avessas.

d)      A luz da candeia está fraca.

e)      Ele magoou-se nas canelas.

f)       Ela deu às canelas para o Brasil.



IV

Escrita

 Imagina que, durante a noite, acordas com um ruído estranho. Quem será que está a fazer barulho? Um ladrão? A tua avó que foi à cozinha beber água? O teu vizinho que veio bater à porta a pedir ajuda? Imagina a situação e relata-a, num de texto de cerca de 150 palavras.



******************************

 Atenção: *Antes de redigires o texto, esquematiza, numa folha de rascunho, as ideias que pretendes desenvolver na introdução, no desenvolvimento e na conclusão (planificação);

                   *Tendo em conta a tarefa, redige o texto segundo a tua planificação (textualização);

                   *Segue-se a etapa de revisão, que te permitirá detetar eventuais erros e reformular o texto. Para tal, consulta o conjunto de tópicos que a seguir te apresento:

Tópicos de revisão da Expressão Escrita
Sim
Não
Respeitei o tema proposto?


Estruturei o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão?


Respeitei as características do tipo de texto solicitado?


Selecionei vocabulário adequado e diversificado?


Utilizei um nível de linguagem apropriado?


Redigi frases corretas e articuladas entre si?


Respeitei a ortografia correta das palavras?


Respeitei a acentuação correta dos vocábulos?


Identifiquei corretamente os parágrafos?


A caligrafia é legível e sem rasuras?



































COTAÇÕES:

Grupo I………………………………………… 10 pontos
Grupo II ……………………………………….. 42 pontos
1 ………………………………………………… 7 pontos
1.1……………………………………………….4 pontos
2…………………………………………………. 5 pontos
2.1.………………………………………………. 6 pontos
2.2.…………….……………………………….4 pontos
3 e 4…………………………………..…………4  pontos
5………..…………………………………… 5 pontos
6……………………………………………… 2,6 pontos
Grupo III
1…………………………………………………..6,4 pontos
1.1     e 1.2 ……………………………………….1,5 pontos
1.3. ……………………………………………..2 pontos
2……………………….…………………….….. 5 pontos
3…………………………………………………..6 pontos
4 e 5 ..………………….……………………..2,5 pontos
Grupo IV ……………………………………… 21 pontos
(estruturação temática e discursiva – 15; Organização e correção textuais – 10)


BOM TRABALHO!                                                      A DOCENTE: Lucinda Cunha



CORREÇÃO

I-                    Questões deste grupo foram retiradas do manual de 7º ano de Língua Portuguesa da Lisboa Editora, Plural 7, pp. 22,23.



SÁBIOS COMO CAMELOS

Há muitos anos viveu na Pérsia um grão-vizir - nome dado naquela época aos chefes dos governos -, que gostava imenso de ler. Sempre que tinha de viajar ele levava consigo quatrocentos camelos, carregados de livros, e treinados para caminhar em ordem alfabética. O primeiro camelo chamava- se Aba, o segundo Baal, e assim por diante, até ao último, que atendia pelo nome de Zuzá. Era uma verdadeira biblioteca sobre patas. Quando lhe apetecia ler um livro o grão-vizir mandava parar a caravana e ia de camelo em camelo, não descansando antes de encontrar o título certo.
Um dia a caravana perdeu-se no deserto. Os quatrocentos camelos caminhavam em fila, uns atrás dos outros, como um carreirinho de formigas. À frente da cáfila, que é como se chama uma fila de camelos, seguiam o grão-vizir e os seus ministros. Subitamente o céu escureceu, e um vento áspero começou a soprar de leste, cada vez mais forte. As dunas moviam-se como se estivessem vivas. O vento, carregado de areia, magoava a pele. O grão-vizir mandou que os camelos se juntassem todos, formando um círculo. Mas era demasiado tarde. O uivo do vento abafava as ordens. A areia entrava pela roupa, enfiava-se pelos cabelos, e as pessoas tinham de tapar os olhos para não fica-rem cegas. Aquilo durou a tarde inteira. Veio a noite e quando o Sol nasceu o grão-vizir olhou em redor e não foi capaz de descobrir um único dos quatrocentos camelos. Pensou, com horror, que talvez eles tivessem ficado enterrados na areia. Não conseguiu imaginar como seria a vida, dali para a frente, sem um só livro para ler. Regressou muito triste ao seu palácio. Quem lhe contaria histórias?
Os camelos, porém, não tinham morrido. Presos uns aos outros por cordas, e conduzidos por um jovem pastor, haviam sido arrastados pela tempestade de areia até uma região remota do deserto.
Durante muito tempo caminharam sem rumo, aos círculos, tentando encontrar uma referência qualquer, um sinal, que os voltasse a colocar no caminho certo. Por toda a parte era só areia, areia, e o ar seco e quente. À noite as estrelas quase se podiam tocar com os dedos.
Ao fim de quinze dias, vendo que os camelos iam morrer de fome, o jovem pastor deu-lhes alguns livros a comer. Comeram primeiro os livros transportados por Aba, ou seja, todos os títulos come-çados pela letra A. No dia seguinte comeram os livros de Baal. Trezentos e noventa e oito dias depois, quando tinham terminado de comer os livros de Zuzá, viram avançar ao seu encontro um grupo de homens. Eram as tropas do grão-vizir.
Conduzido à presença do grão-vizir o jovem guardador de camelos, explicou-lhe, chorando, o que tinha acontecido. Mas este não se comoveu:
- Eras tu o responsável pelos livros - disse -, assim por cada livro destruído passará um dia na prisão.
O guardador de camelos fez contas de cabeça, rapidamente, e percebeu que seriam muitos dias. Cada camelo carregava quatrocentos livros, então quatrocentos camelos transportavam cento e sessenta mil! Cento e sessenta mil dias são quatrocentos e quarenta e quatro anos. Muito antes disso morreria de velhice na cadeia.
Dois soldados amarraram-lhe os braços atrás das costas. Já se preparavam para o levar preso, quando Aba, o camelo, se adiantou uns passos e pediu licença para falar:
- Não faças isso, meu senhor ? disse Aba dirigindo-se ao grão-vizir ? esse homem salvou-nos a vida.
O grão-vizir olhou para ele espantado:
- Meu Deus! O camelo fala!?
- Falo sim, meu senhor ? confirmou Aba, divertido com o incrédulo silêncio dos homens - Os livros deram-nos a nós, camelos, a ciência da fala.
Explicou que, tendo comido os livros, os camelos haviam adquirido não apenas a capacidade de falar, mas também o conhecimento que estava em cada livro. Lentamente enumerou de A a Z os títulos que ele, Aba, sabia de cor. Cada camelo conhecia de memória quatrocentos títulos.
- Liberta esse homem - disse Aba -, e sempre que assim o desejares nós viremos até ao vosso palácio para contar histórias.
O grão-vizir concordou. Assim, a partir daquele dia, todas as tardes, um camelo subia até ao seu quarto para lhe contar uma história. Na Pérsia, naquela época, era habitual dizer-se de alguém que mostrasse grande inteligência:
- Aquele homem é sábio como um camelo.
Isto foi há muito tempo. Mas há quem diga que, quando estão sozinhos, os camelos ainda conversam entre si.
Pode ser.

José Eduardo Agualusa, Estranhões & Bizarrocos
estórias para adormecer anjos], Publicações Dom Quixote

Respostas do grupo I: F,V,V,F,F,F,V,F,V,V


II (as questões –e respostas- deste grupo foram retiradas, quase todas, do manual Plural 7, p. 185)

1.       O poema é composto por seis estrofes de quatro versos, ou seja, por seis quadras. Os versos são de redondilha maior, isto é, têm sete sílabas métricas cada. A rima é cruzada e o esquema rimático é abab/ cdcd/ efef/ ghgh/ijij/kaka.

1.1.  Ao/ ve/r o/ ne/to a/ brin/car,
Di/z o a/vô/, en/tris/te/ci/do,

2.       Ao ver o neto brincar, o avô sente tristeza e saudade. Sente também o desejo impossível de regressar à infância, ao tempo das brincadeiras, em que a única tristeza era alguém poder estragar-lhe uma brincadeira começada.

2.1. O avô revela um enorme desejo de voltar atrás no tempo, a uma altura em que construía castelos e em que a sua única tristeza era ver que alguém lho tinha destruído.

2.2. O avô mostra-se “entristecido”, melancólico, saudoso e sonhador.

3.       O neto não o ouve porque as suas preocupações são apenas as brincadeiras. Está tão entretido que não liga a nada e a ninguém à sua volta.

4.       A criança pensa que as lágrimas do avô se devem ao facto de o castelo ter caído. É por isso que, para o consolar, o neto lhe diz que não faz mal porque o castelo se torna a montar.

5.       O poema mostra-nos a grande diferença entre o mundo dos idosos e o das crianças, um cheio de tristeza, solidão e melancolia e outro cheio de alegria e despreocupação. Mostra-nos também uma realidade a que ninguém pode fugir- a passagem do tempo- porque o avô também já foi menino e o menino há de ser velho um dia.

6.       “ouve”/ “houve”

III

1.       homófonas: e); i); m);n)/ homógrafas: g); l)/ homónimas: a); k); o)/ parónimas: b); f); h); sinónimas: c); p)/ antónimas: d); j)

1.1.             A minha meia está rota.

1.2.             Encontramo-nos na linha de partida.

1.3.             O banco de jardim está pintado de fresco./ Fui ao banco levantar 100 €.

2.       1-b; 2-d; 3-c; 4-e; 5-a

3.       a) O avô chorava- oração subordinante; porque tinha saudades da infância- oração subordinada adverbial causal

b) Como a criança estava distraída- oração subordinada adverbial causal; não viu o acidente- oração subordinante

c) Logo que chegues a casa- oração subordinada adverbial temporal; manda-me uma mensagem- oração subordinante

        4. ponto- ponto de exclamação/interrogação/final; ponto de conflito; ponto de honra; ponto de partida; pontos cardeais; aí é que bate o ponto; a ponto de; dar um ponto na boca; do ponto de vista; em ponto; ponto de rebuçado; ser um bom ponto; ponto de encontro; estar no ponto; livro de ponto; não dar ponto sem nó; ser ponto assente; pôr os pontos nos ii; ponto-morto; ponto por ponto; ponto de cruz…

Meter- meter na cabeça; meter os pés pelas mão; meter o nariz onde não é chamado; meter à bulha; meter raiva…

Cara- estar cara a cara; cara de enterro; cara de réu; à má cara; cara de poucos amigos; cara de quem lhe deve e ninguém lhe paga; cara de caso; custar os olhos da cara; dar de caras com; ficar de cara à banda…

5. sentido denotativo- a, d, e

sentido conotativo- b, c, f
IV- Resposta livre