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sábado, 1 de dezembro de 2012

Ficha de leitura que saiu ontem em slideshare


 
 



 

 

Ficha de aferição da leitura do conto “A pesca da baleia”, de Raul Brandão

 

I-             Leitura

Depois de leres o conto com atenção, responde às questões com frases completas:

 


1)    A pesca da baleia era uma prioridade na vida das gentes dos Açores.

1.1.        Retira segmentos textuais que comprovem a afirmação anterior.

1.2.        Que cerimónia ficou a meio quando a baleia foi avistada?

1.2.1. Explica a ironia presente nessa situação.

 

2)     Ao longo do conto há sensações que se realçam, sobretudo o olfato.

2.1. Retira do texto segmentos que comprovam o mau cheiro que sempre está associado à pesca da baleia.

2.2. Também a visão desempenha um papel importante neste texto.

           2.2.1. Que cores surgem realçadas e associadas a que elementos/ situações?

 

3)    Procura investigar a simbologia do número sete, associando-o ao seu uso no texto, e referindo outras situações em que é usado.

 

4)    Que perigos recaem sobre os pescadores pelo facto de a pesca ser artesanal?

 

5)    Caracteriza as baleias, segundo as informações retiradas do texto.

 

6)    Refere o recurso estilístico presente na expressão “É uma coisa que faz parar o coração, é um quadro imenso e duma frescura extraordinária.” e o seu valor expressivo.

 

7)    No conto, os americanos são criticados. Porquê?

7.1.        Refere a expressividade da comparação “matando sempre, como se a sua missão fosse sujar a grande pureza do oceano.”

 

8)    O narrador refere-se à baleia como um “bicho inocente e estúpido”. Porém, o narrador relata duas situações que mostram que este animal é capaz de atitudes próprias dos humanos. Refere-as.

 

9)    O narrador afirma que “o homem impressiona-me ainda mais que a baleia”. Porquê?

9.1. Em que medida poderá esta afirmação estar relacionada com a moral deste conto?

 

10) Retira do texto três expressões que retomam o nome “baleias”.

 

11) A pesca da baleia é um negócio muito lucrativo. Segundo o narrador, tudo da baleia se aproveita. Prova esta afirmação de acordo com as informações do texto.


12) O que significa a expressão “trancar para quebrar”?

12.1. Quem era o trancador?

 

13) A pesca artesanal da baleia é uma verdadeira epopeia.

13.1.      Procura do dicionário o significado da palavra “epopeia” e transporta-o para o contexto deste conto.

 

14) Que importância tem o vigia durante este esforço coletivo?

 

15) O que é considerado mais difícil durante a pesca da baleia?

 

16) Classifica o narrador quanto à sua presença e retira do texto, pelo menos, dois segmentos textuais que comprovem a tua resposta.

16.1. O narrador termina o seu relato referindo as situações que mais o marcaram naquela experiência. Enumera-os.

 

II- GRAMÁTICA

1)    Retira do texto hipónimos do hiperónimo “ilhas dos Açores”.

1.1.        Elabora uma lista de cinco hipónimos do hiperónimo “mamíferos marinhos”.

 

2)    Agora, procura merónimos do holónimo “baleia”.

 

3)    Associa os recursos expressivos que se seguem à sua definição:

Recursos expressivos
Definição
 
 
 
a) metáfora
b) enumeração
c) adjetivação
d) assíndeto
e) comparação
f)  hipérbole
1- Supressão de elementos de ligação (geralmente conjunções coordenativas copulativas) entre diversas palavras de uma frase ou entre várias frases;
2- Recurso a termos exagerados na apresentação de uma determinada ideia;
3- Aproximação entre dois conceitos ou duas realidades, que partilham entre si a mesma característica;
4- Aproximação de duas ideias ou realidades a destacar as suas semelhanças ou diferenças, através do uso da conjunção como ou de outras palavras de valor equivalente;
5- Exposição sucessiva de vários elementos, geralmente da mesma classe gramatical, apresentados de acordo com uma determinada linha lógica;
6- Recurso ao adjetivo de forma a realçar as características de uma cera realidade.
 

 

2.1.        Identifica os recursos expressivos, associando os excertos da coluna A às hipóteses da coluna B:

COLUNA A
COLUNA B
a)    “o gorduroso barracão de madeira, tudo negro, enfumado e fétido”
b)    “O mar desmaia, mais etéreo que o céu”
c)    “A canoa voga suspensa na atmosfera”
d)    “Metem-lhe dentro sete homens, o arpão e a lança”
e)    “São os grandes devoradores dos monstros que na água glauca esperam a presa como sacos coroados de tentáculos”
f)     “cauda horizontal apartada ao meio como a cauda da andorinha”
g)    “Pus-me a olhar para aqueles monstros desconformes e maciços”
h)    “digere à tona da água, inerte como um saco cheio”
i)     “Só depois que lhe vi abrir a cabeça, melancia preta desconforme e toda de branco”
j)     “em tábuas amarradas ao costado, cortam, içam, despedaçam as banhas do bicho.”
k)    “Ao lado, no barco, vai a lança, que é maior, para acabar este monstro do tamanho de um prédio.”
l)     “ninguém diz palavra inútil: homens, barco, arpoador e arpão”
m)  “com o risco de os arrastar para o fundo,  e leva-os, numa velocidade de expresso, pelo mar fora”
 
 
 
 
1) metáfora
2) enumeração
3) adjetivação
4) assíndeto
5) comparação
6) hipérbole
 

 

4)    Reescreve a primeira frase do conto, colocando os verbos no futuro do indicativo.

3.1. Agora, transforma as frases seguintes, substituindo os complementos sublinhados por pronomes pessoais:

a) O vigia avistará a baleia.

b) As mulheres largarão os funerais se for preciso.

c) Os pescadores seguiriam as baleias durante dias, se fosse preciso.

d) O narrador fez o relato do que viu nos Açores.

e) As gentes da ilha contarão os feitos dos baleeiros durante anos.

f)  As gentes da ilha contarão aos netos todas as aventuras.

g) As gentes da ilha contariam aos netos todas as aventuras.

 

BOM TRABALHO!          A PROFESSORA: Lucinda Cunha

 

PROPOSTA DE CORREÇÃO: (a análise deste conto é da minha autoria – procurei na internet e não encontrei nada, pelo que construí a ficha de raiz - e fica aqui uma proposta de correção que poderá ser melhorada J )

NOTA- no 7º ano não está previsto o estudo da hiperonímia e holonímia, mas penso que pode ser aflorada, até porque faz parte do programa do 8º ano e o texto dispõe-se a isso.

I

 

1.1.                A pesca da baleia era uma prioridade nos Açores, já que, mal o vigia deu sinal, “todos os homens desataram a correr para as canoas”. Largavam-se todas as cerimónias a meio para correr para o mar: “Deixam um casamento ou um enterro a meio…”. Até o juiz permitia que se interrompesse um julgamento.

1.2.                A cerimónia que ficou a meio foi um funeral.

1.2.1.                    Esta situação revelou-se irónica pois o funeral era o de um baleeiro que falecera poucos dias antes no mar.

2.               

2.1.                “cheiro horrível, que faz náuseas e que se entranha na comida e no fato”; “tudo negro, enfumado e fétido”; “Mais fartum…”.

2.2.1. As cores que surgem realçadas neste texto são essencialmente três: o azul, o vermelho e o preto. O azul sempre ligado ao cenário que envolve os baleeiros, isto é, ao mar e ao céu; o vermelho refere-se à enorme quantidade de sangue derramado; e o negro associa-se ao fumo que sai dos caldeirões que derretem a carne da baleia e de onde se retira o óleo.

3. O sete é considerado o número da perfeição, uma vez que Deus criou o mundo em 7 dias, são 7 as notas musicais e as cores do arco-íris. Não é por acaso que quando alguém se sente bem diz que está “no sétimo céu” ou então nas suas “sete quintas”. Diz-se também que a raposa é o mais manhoso dos animais tendo, por isso, 7 manhas. O número 7 está associado a muitas realidades, o que mostra a sua importância e enorme simbolismo. Neste conto, são sete os homens que vão na canoa em busca da baleia, o número perfeito segue em busca da aventura.

(poderiam ainda referir que são 7: as virtudes; os pecados mortais; os sacramentos; os dias da semana; etc…)

4. Os homens arriscavam a sua própria vida para conseguirem apanhar a baleia. Muitas vezes partiam ossos ou ficavam gravemente feridos quando a baleia se virava contra eles. Em último caso, poderiam mesmo morrer.

5. As baleias podem, segundo o texto, pesar “cem toneladas”; a cabeça é enorme e “quadrangular, que é o terço do corpo”; daí para baixo vai “arrendondando e diminuindo até à cauda”; a “barbatana curta e grossa” e a “cauda horizontal apartada ao meio”; a baleia não tem dentes; os olhos são “pequeninos”; apesar de enormes são bichos ágeis e rápidos; são animais “tímidos”; os machos solitários viajam sozinhos, mas as mais novas juntam-se em grupos; ouvem muito bem e são capazes de atos de “ternura e sacrifício” pelas suas crias, preferem morrer quando a cria é apanhada…

6. Trata-se de uma metáfora e reforça a beleza que existe na visão de um grupo de baleias que ora mergulha, ora vem à tona para respirar. É um belo quadro que sensibiliza e emociona o narrador.

7. Os americanos são criticados por pescarem da maneira industrial, em grande massa, o que coloca em perigo de extinção as populações de baleias, por oposição à pesca primitiva praticada nos Açores.

7.1. Esta comparação é usada para realçar a mortandade levada a cabo pelos grandes navios baleeiros americanos que só pensam no negócio e no lucro, sem se importarem com o número importante de baixas que causam e que pode pôr em cheque as populações mundiais de baleias. A pureza do oceano vê-se, assim manchada pela ganância humana.

8. Em primeiro lugar, diz-se que a baleia é um animal capaz de sentir um profundo amor maternal, um sentimento tão forte que prefere morrer a deixar para trás o seu filho capturado. Em segundo lugar, as baleias que conseguem escapar ao ataque, não esquecem a afronta e atiram-se aos baleeiros, meses depois do ataque falhado, mostrando, assim, serem vingativas.

9) O narrador fica impressionado com o descomunal tamanho do animal, mas é o homem que verdadeiramente impressiona, por ser tão minúsculo e frágil, mas ao mesmo tempo corajoso e determinado.

9.1. De facto, a grandeza muitas vezes não está no tamanho do corpo, mas no do coração, isto é, são grandes aqueles que seguem os seus sonhos e lutam por eles, arriscando perder tudo, mesmo a vida, até porque faz parte da alma humana esta vontade de vencer os obstáculos e de não desistir perante as contrariedades.

10. Ao longo do texto surgem várias palavras/ expressões que substituem a palavra “baleia” como, por exemplo, “monstros desconformes e maciços”, “bicho inocente e estúpido”, “coisa monstruosa e zincada”, “monstro do tamanho de um prédio”, “bicho enfurecido” …

11) De acordo com o narrador, a carne, o óleo e o âmbar valem fortunas e “até o fogo das caldeiras se alimenta com vértebras e torresmos de baleia”.

12. Esta expressão significa que alguém, na ânsia de “roubar” a baleia, atira o arpão por cima de outra canoa que está mais perto do animal.

12.1. O trancador era quem segurava a linha que ia agarrada ao arpão, mas neste texto surge como sinónimo de “arpoador”, por exemplo na passagem “o trancador lança o ferro”.

13.1. Segundo o dicionário, “epopeia” é um poema narrativo que celebra factos grandiosos que é protagonizado por um herói individual ou coletivo. Pode significar também uma série de grandes acontecimentos. Assim, no contexto deste conto, aqueles sete homens que seguem na canoa à pesca da baleia são os heróis em busca da conquista do “monstro”, numa aventura que durava horas ou até dias digna de ser relatada de geração em geração.

14. O vigia tem dupla função. Em primeiro lugar, é ele que, do poleiro, avista a baleia e toca o búzio para a população ouvir o seu chamamento. Em segundo lugar, durante a perseguição vai acendendo fogueiras para guiar as canoas com o fumo, “para a direita, para a esquerda, para o largo”, seguindo um código muito próprio.

15. O mais difícil, segundo o narrador, é trazer a baleia para terra, tarefa que, às vezes, demorava dias no caso de o bicho arrastar as canoas para muito longe. Nestas situações tinha de ser o reboque a trazer o animal para a costa.

16. O narrador participa na história, como espetador, fazendo uso da primeira pessoa. É, assim, um narrador homodiegético, pois participa na história sem ser o protagonista: “Vejo daqui a fiada de casas à beira da estrada”; “num dia vi cinco na baía do Porto Fim”…

16.1. No último parágrafo, o narrador termina o conto referindo que ficou marcado por três aspetos, essencialmente: “a posta gorda de carniça”, “o cheio a fartum” e o navio americano “que corre o mar, deixando um rasto de fumo e de sangue.”

II

1.            S. Jorge, Faial, Pico

1.1.        orca, baleia-azul, leão-marinho, foca, golfinho

2.    carcaças, tripas, ossos, vértebras, torresmos, asas, barbatanas, olhos, cabeçorra, …

3.    a-3; b-5; c-6; d-1; e-4; f-2

3.1.        a-3; b-1; c-1; d-2; e-5;f-5; g-3; h-5; i-1; j-4; k-6; l-2; m-6

4.    Lá de cima do poleiro o vigia erguer-se-á de salto, dará sinal de baleia à vista com o búzio e todos os homens desatarão a correr para as canoas.

4.1. a) O vigia avistá-la-á.

b) As mulheres largá-los-ão se for preciso.  

c) Os pescadores segui-las-iam durante dias, se fosse preciso.

d) O narrador fê-lo.

e) As gentes da ilha contá-los-ão durante anos.

f) As gentes da ilha contar-lhes-ão todas as aventuras.

g) As gentes da ilha contar-lhes-iam todas as aventuras.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Teste sobre o Sermão de S. António


Teste sobre Sermão de Santo António, com soluções





IA

Lê o texto que se segue e responde às questões com frases completas:


1
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
          Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!
          Suposto, pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut mittatur foras et conculcetur ab hominibus. «Se o sal perder a substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos.» Quem se atrevera a dizer tal cousa, se o mesmo Cristo a não pronunciara? Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra ou com a vida prega o contrário.
          Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.
          Pregava Santo António em Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o santo, mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António? Sacudiria o pó dos sapatos, como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não pegou nada da terra não tinham que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia? Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a prudência ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina, que ardia naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças, vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a ferver as ondas, começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água, António pregava e eles ouviam.
          Se a Igreja quer que preguemos de Santo António sobre o Evangelho, dê-nos outro. Vos estis sal terrae: É muito bom texto para os outros santos doutores; mas para Santo António vem-lhe muito curto. Os outros santos doutores da Igreja foram sal da terra; Santo António foi sal da terra e foi sal do mar. Este é o assunto que eu tinha para tomar hoje. Mas há muitos dias que tenho metido no pensamento que, nas festas dos santos, é melhor pregar como eles, que pregar deles. Quanto mais que o são da minha doutrina, qualquer que ele seja tem tido nesta terra uma fortuna tão parecida à de Santo António em Arimino, que é força segui-la em tudo. Muitas vezes vos tenho pregado nesta igreja, e noutras, de manhã e de tarde, de dia e de noite, sempre com doutrina muito clara, muito sólida, muito verdadeira, e a que mais necessária e importante é a esta terra para emenda e reforma dos vícios que a corrompem. O fruto que tenho colhido desta doutrina, e se a terra tem tomado o sal, ou se tem tomado dele, vós o sabeis e eu por vós o sinto.
          Isto suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me da terra ao mar, e já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes. O mar está tão perto que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles. Maria, quer dizer, Domina maris: «Senhora do mar»; e posto que o assunto seja tão desusado, espero que me não falte com a costumada graça. Ave Maria.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António


1.    Atenta no conceito predicável deste sermão: “Vós sois o sal da terra”.

1.1.        A quem se refere o pronome “Vós”?

1.2.        Interpreta a frase.


2.    Explica por que razão o orador inicia o seu discurso citando Cristo.


3.    A terra está tão corrupta que a culpa pode ser da responsabilidade quer dos pregadores, quer dos ouvintes.

3.1.        Explicita a responsabilidade de uns e de outros.


4.    Refere em que medida o Padre António Vieira se identifica com Santo António.


5.    Transcreve do texto o excerto que mostra o objetivo do orador ao escrever este sermão.


6.    Justifica a invocação que o autor faz à Virgem Maria.



IB


            Num texto, entre 80 e 120 palavras, refere em que medida as ideias do Padre António Vieira poderão ser consideradas intemporais e sempre atuais, dando, pelo menos, um exemplo concreto.

II


1.    Lê o texto que se segue com atenção e assinala as alíneas corretas para cada item:


1
5
10
          Com toda a sua vaidade e com toda a sua ambição, Vieira sabia-se portador de uma mensagem importante para os seus compatriotas, mensagem que, desligada do seu precário contexto histórico, ainda hoje continua importante. Intrépido, tomava a defesa de grupos indefesos do império Português do século XVII: os cristãos-novos em Portugal e os ameríndios no Brasil. Aberto e “ecuménico”, concedia um lugar próprio a todas a raças e todas as culturas no seu Quinto Império, que seria um mundo pacífico e unificado, mas não monótono ou uniformizado. Acreditamos ─ talvez piamente, mas muito sinceramente ─ que, se Vieira tivesse vivido durante algum tempo em terra islamita, onde reina “a nefanda seita de Mafona”, também lá teria encontrado coisas respeitáveis e teria excogitado meios apropriados para converter os muçulmanos com o mínimo possível de sacrifícios culturais.
          José Van Den Besselaar, António Vieira: O Homem, a Obra, as Ideias


1.1.        A mensagem de Vieira que “ainda hoje continua importante” (ll. 3) centra-se na ideia de que

a)    Portugal voltará a formar um grande império.

b)    todos os povos devem viver em harmonia e em comunhão.

c)    a mensagem cristã ainda é importante nos nossos dias.

d)    os tempos se repetem.


1.2.        A palavra “intrépido” (l. 3) significa

a)    temeroso.

b)    insensível.

c)    destemido.

d)    simpático.


1.3.        Vieira foi um “profeta” bem-sucedido, no sentido bíblico do termo, na medida em que

a)    tinha visões e compreendia as vontades de Deus.

b)    revelou um ideal e apontou um caminho para o seu povo.

c)    pregava ao povo, mas este não o ouvia.

d)    previu o futuro.


1.4.        A “nefanda seita de Mafona” (l. 8) é uma referência

a)    à religião cristã.

b)    a uma seita religiosa que adora o pão.

c)    a uma seita da localidade portuguesa de Mafômedes.

d)    à religião muçulmana.


1.5.        A palavra “importante” (l. 3) desempenha a função sintática de

a)    predicativo do sujeito.

b)    complemento direto.

c)    complemento agente da passiva.

d)    complemento oblíquo.


1.6.        A oração “se Vieira tivesse vivido durante algum tempo em terra islamita” (ll. 7-8) é uma oração

a)    adjetiva relativa restritiva.

b)    coordenada explicativa.

c)    subordinada adverbial condicional.

d)    subordinada adverbial causal.

2.    Liga os elementos da coluna A a um elemento da coluna B:

COLUNA A
COLUNA B
1.    A palavra “hoje” (l. 3) trata-se
2.    Após os dois pontos, na linha 4,
3.    Com a utilização da conjunção “mas” (l. 6)
4.    Com a informação, entre travessões, na linha 7,
5.    Com a oração iniciada por “se Vieira tivesse vivido” (l.7)
a.    o enunciador especifica a sua posição sobre o assunto que vai expor.
b.    de um advérbio de predicado que funciona como um deítico espacial.
c.    o enunciador concretiza com exemplos a ideia exposta anteriormente.
d.    de um advérbio de predicado que funciona como um deítico temporal.
e.    de um advérbio de tempo e um deítico temporal.
f.     o enunciador exprime oposição em relação à ideia apresentada anteriormente.
g.    o enunciador formula uma situação hipotética.


3.    Indica os processos fonológicos presentes na variação histórica das seguintes palavras:

3.1.        lana> lãa> lã

3.2.        area> areia


III


SELECIONA UMA HIPÓTESE:

A)   Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, imagina que te dirigias a todos os portugueses, pela televisão, e que querias dar dois importantes conselhos, bem fundamentados, que fariam de Portugal um país melhor.


B)   Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, redige um discurso a proferir na ONU subordinado ao tema “As alterações climáticas e os seus efeitos nefastos para as gerações futuras”.


BOM TRABALHO!!!

A professora: Lucinda Cunha


COTAÇÕES:

Grupo I………… 100 pontos
1.1……… 5pontos (C=3+O=2)
1.2………….. 8 pontos (C=5+O=3)
2………………….8 pontos (C=5+O=3)
3.1…………..18 pontos (C=12+O=6)
4…………….…..12 pontos (C=8+O=4)
5………………… 10 pontos (C=6+O=4)
6……………….. 9 pontos (C=6+O=3)
B…………………….. 30 (C=18+O=12)
Grupo II …………….. 50 pontos
1……………………… 24 pontos
2……………………… 20 pontos
3………………………  6 pontos
Grupo III…….. 50 pontos (C=30+O=20)

Conteúdo = C Organização e Correção Linguística = O


Proposta de Correção:


IA (questões e respostas retiradas, em parte, do manual Português 11º ano (Santillana)- com adaptações:


1.1. O pronome “Vós” refere-se aos pregadores.

1.2. Uma vez que os pregadores são considerados “o sal da Terra” e o sal evita a corrupção, isto é, a degradação espiritual, aos pregadores caberá a função de impedir a degradação moral dos fiéis que os escutam.

2. O orador cita Cristo para conferir autoridade ao seu sermão, uma vez que as suas palavras sempre serão sinónimo de verdade absoluta.

3.1. Segundo o orador, tanto os pregadores como os ouvintes poderão ter responsabilidade no facto de a Terra estar corrupta e enumera as várias hipóteses, a saber: ou os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, praticam ações distintas das palavras que proferem ou pregam-se a si próprios e não a Cristo, isto é, defendem os seus interesses pessoais e não a doutrina de Jesus; ou, por outro lado, os ouvintes não estão recetivos às pregações, ou preferem seguir as ações dos pregadores em vez das suas palavras ou, por último, preferem servir os seus caprichos e não a Cristo.

4. O orador identifica-se com o referido Santo pois, tal como este não foi ouvido pelos hereges em Arimino, na Itália, também ele sente que as suas palavras são ignoradas pelos fiéis que o escutam.

5. “para emenda e reforma dos vícios que a corrompem” (l. 48).

6. Padre António Vieira pede à Virgem Maria a graça de o ajudar a proferir um bom sermão. Sendo este dirigido aos peixes, o orador vê a ajuda divina como mais relevante ainda.


IB- resposta aberta

II- questões 1 e 2 retiradas do manual Português 11º, Santillana Constância (com adaptações)

 1.1. b ; 1.2. c; 1.3. b; 1.4. d; 1.5. a; 1.6. c

2.

1-d; 2-c;3-f; 4-a; 5-g

3.1. síncope do “n”; nasalização do “a” e crase do “ãa”;

3.2. Ditongação do “e”.


III- Resposta aberta