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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Ficha de preparação para teste


FICHA DE AVALIAÇÃO FORMATIVA DE PORTUGUÊS, 7º ANO
(com a correção no final para estudo autónomo)

“Quando eu era pequena, passava às vezes pela praia um velho louco e vagabundo a quem chamavam o Búzio.
O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navio. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco. Os seus olhos, como o próprio mar, ora eram azuis, ora cinzentos, ora verdes, e às vezes mesmo os vi roxos. E trazia sempre na mão direita duas conchas.
Eram daquelas conchas brancas e grossas com círculos acastanhados, semirredondas e semitriangulares, que têm no vértice da parte triangular um buraco. O Búzio passava um fio através dos buracos, atando assim as duas conchas uma à outra, de maneira a formar com elas umas castanholas. E era com essas castanholas que ele marcava o ritmo dos seus longos discursos cadenciados, solitários e misteriosos como poemas.
O Búzio aparecia ao longe. Via-se crescer dos confins dos areais e das estradas. Primeiro julgava-se que fosse uma árvore ou um penedo distante. Mas quando se aproximava via-se que era o Búzio.
Na mão esquerda trazia um grande pau que lhe servia de bordão e era seu apoio nas longas caminhadas e sua defesa contra os cães raivosos das quintas. A este pau estava atado um saco de pano, dentro do qual ele guardava os bocados do pão que lhe davam e os tostões. O saco era de chita remendada e tão desbotada que quase se tornara branca.
O Búzio chegava de dia, rodeado de luz e de vento, e dois passos à sua frente vinha o seu cão, que era velho, esbranquiçado e sujo, com o pelo grosso, encaracolado e comprido e o focinho preto.
 E pelas ruas fora vinha o Búzio com o sol na cara e as sombras trémulas das folhas dos plátanos nas mãos.
 Parava em frente duma porta e entoava a sua longa melopeia ritmada pelo tocar das suas castanholas de conchas.
Abria-se a porta e aparecia uma criada de avental branco que lhe estendia um pedaço de pão e dizia:
- Vai-te embora, Búzio.
E o Búzio, demoradamente, desprendia o saco do seu bordão, desatava os cordões, abria o saco e guardava o pão.
Depois de novo seguia.
Parava debaixo de uma varanda cantando, alto e direito, enquanto o cão farejava o passeio.
 E na varanda debruçava-se alguém rapidamente, tão rapidamente que o seu rosto nem se mostrava, e atirava-lhe um tostão e dizia:
- Vai-te embora, Búzio.
E o Búzio demoradamente (…)  desprendia o saco do pau, desatava os cordões, abria o saco, guardava o tostão, e de novo fechava o saco e o atava e o prendia.
E seguia com o seu cão.
Havia na terra muitos pobres que apareciam aos sábados em bandos acastanhados e trágicos, e que pediam esmola pelas portas e faziam pena. Eram cegos, coxos, surdos e loucos, eram tuberculosos cuspindo sangue nos trapos, eram mães escanzeladas de filhos quase verdes, eram velhas curvadas e chorosas com as pernas incrivelmente inchadas, eram rapazes novos mostrando chagas, braços torcidos, mãos cortadas, lágrimas e desgraça. E sobre o bando pairava um murmúrio incansável de gemidos, queixas, rezas e lamentações.
 Mas o Búzio aparecia sozinho, não se sabia em que dia da semana, era alto e direito, lembrava o mar e os pinheiros, não tinha nenhuma ferida e não fazia pena. Ter pena dele seria como ter pena de um plátano ou de um rio, ou do vento. Nele parecia abolida a barreira que separa o homem da natureza.
O Búzio não possuía nada, como uma árvore não possui nada. Vivia com a terra toda que era ele próprio. “
Sophia de Mello Breyner Andresen, "Homero", in Contos Exemplares


I

Responde às questões que se seguem com frases completas e bem estruturadas.

1.    Partindo da frase “O Búzio era como um monumento manuelino(…)”, responde às questões:
1.1.        Quem era esta personagem?
1.1.1.   Caracteriza-a, recorrendo a dados textuais.
1.2.        Que objetos trazia sempre com ele?
1.2.1.   Refere a sua utilidade.

2.    Atenta na frase: “O Búzio aparecia ao longe.”
2.1.        Por onde andava ele?
2.2.        Ao longe, o que parecia? Justifica a tua opinião com dados textuais.

3.    Identifica o fiel amigo que acompanhava Búzio nas suas caminhadas.

4.    Responde ás questões depois de leres atentamente a seguinte frase: “Parava em frente de uma porta e entoava a sua longa melopeia(…)”.
4.1.        O que fazia o Búzio?
4.2.        Qual era a reação das pessoas quando ele se aproximava?
4.3.        E o Búzio, como se comportava?

5.    Indica o dia da semana em que o Búzio aparecia sozinho.
5.1.        O que pensava as pessoas a seu respeito?

II

1.    De acordo com o novo acordo ortográfico, assinala com um X as palavras que estão mal escritas:
anti-rugas

acção

Egito

egípcio

extraescolar

Novembro

primavera

óptimo



2.    Seleciona as hipóteses corretas:
 
O resultado do jogo foi dececionante!

O resultado do jogo foi decepcionante!



No outono as folhas caem.

No Outono as folhas caem.


 
Os felinos vêem bem de noite.

Os felinos veem bem de noite.


 
O seu ato foi heroico!

O seu acto foi heróico!



3.    Identifica o tipo e a forma das frases que se seguem:
a.    “Vai-te embora, Búzio.”
b.    “Quando eu era pequena, passava às vezes pela praia um velho louco e vagabundo a quem chamavam o Búzio.”
c.    “(…)não se sabia em que dia da semana(…)”

4.    Sublinha o grupo verbal das frases seguintes:
O Búzio tinha um cão.
O Búzio pedia esmola.
As pessoas ralhavam-lhe.

5.    Qual é o sujeito da frase retirada do texto que leste : “Na mão esquerda trazia um grande pau (…)”.
5.1.        Substitui o(s) sujeito(s) das frases que se seguem por um pronome:
a.    “O Búzio aparecia ao longe.”
b.    “O seu corpo parecia um mastro (…)”.

6.    Identifica os complementos sublinhados com um X na tabela em frente:

FRASES:
Compl.
Direto
Compl.
Indir.
Compl.
Oblíq.
Em minha casa separamos o lixo.



Acabo de chegar de Itália!



Dei o meu carro ao meu filho.



Entregaste o teu coração à pessoa errada



Ele propôs-me um negócio lucrativo.





7.    Repara na frase: “Na mão esquerda trazia um grande pau que lhe servia de bordão e era seu apoio nas longas caminhadas e sua defesa contra os cães raivosos das quintas.”.
7.1.        Transcreve do excerto três nomes comuns contáveis.
7.2.        Qual é o nome coletivo que designa um conjunto de cães?

8.    Sublinha os cinco nomes comuns não contáveis presentes nos provérbios seguintes:
a.    A ambição é filha do orgulho.
b.    Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
c.    Quem diz a verdade não merece castigo.
d.    A beleza está nos olhos de quem a vê.

9.    Dos nomes que se seguem, assinala com um X os que são uniformes em género:
rapaz

doente

conde

vítima

jornalista

rei

cavalo

criança



BOM TRABALHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Correção da ficha de trabalho formativa:
I

1.   
1.1.        Era um mendigo.
1.1.1.   “O Búzio era como um monumento manuelino: tudo nele lembrava coisas marítimas. A sua barba branca e ondulada era igual a uma onda de espuma. As grossas veias azuis das suas pernas eram iguais a cabos de navio. O seu corpo parecia um mastro e o seu andar era baloiçado como o andar dum marinheiro ou dum barco. Os seus olhos, como o próprio mar, ora eram azuis, ora cinzentos, ora verdes, e às vezes mesmo os vi roxos.”
1.2.        Ele trazia sempre com ele duas conchas na mão direita e na esquerda um grande pau.
1.2.1.   As conchas eram utilizadas como castanholas; o pau servia de cajado e de arma de defesa contra os cães das quintas.

2.1.        Andava pelas estradas e pelas praias.
2.2.        Ao longe parecia uma árvore ou um penedo.

3.     O fiel amigo que o acompanhava nas suas caminhadas era um cão, que era muito velho e sujo.

4.     Responde ás questões depois de leres atentamente a seguinte frase: “Parava em frente de uma porta e entoava a sua longa melopeia(…)”.
4.1.        O Búzio aproximava-se das casas, cantava enquanto tocava as suas conchas como se fossem castanholas, e as pessoas já sabiam que queria uma esmola.
4.2.        As pessoas atiravam-lhe a esmola e mandavam-no embora.
4.3.        O Búzio guardava a esmola com muita calma e seguia caminho até à próxima casa para fazer a mesma coisa.

5.     O Búzio aparecia em qualquer dia da semana.
5.1.        As pessoas achavam que ele era uma figura que imponha respeito e não sentiam pena dele.




II

anti-rugas
x
acção
x
Egito

egípcio

extraescolar

Novembro
x
primavera

óptimo
x

1.   

 






2.
O resultado do jogo foi dececionante!
x
O resultado do jogo foi decepcionante!



No outono as folhas caem.
x
No Outono as folhas caem.


 
Os felinos vêem bem de noite.

Os felinos veem bem de noite.
x

 
O seu ato foi heroico!
x
O seu acto foi heróico!



3. a.tipo imperativo, forma afirmativa
b. tipo declarativo, forma afirmativa
c. tipo declarativo, forma negativa

4. O Búzio tinha um cão.
O Búzio pedia esmola.
As pessoas ralhavam-lhe.

5. Ele/ O Búzio (sujeito nulo subentendido)
5.1. a.Ele aparecia ao longe.”
          b. Ele parecia um mastro.

6.

FRASES:
Compl.
Direto
Compl.
Indir.
Compl.
Oblíq.
Em minha casa separamos o lixo.
x


Acabo de chegar de Itália!


x
Dei o meu carro ao meu filho.

x

Entregaste o teu coração à pessoa errada

x

Ele propôs-me um negócio lucrativo.
x




7.1. “Na mão esquerda trazia um grande pau que lhe servia de bordão e era seu apoio nas longas caminhadas e sua defesa contra os cães raivosos das quintas.”.
7.2. matilha

8.
a.A ambição é filha do orgulho.
b. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão.
c.    Quem diz a verdade não merece castigo.
d.    A beleza está nos olhos de quem a vê.

9.Dos nomes que se seguem, assinala com um X os que são uniformes em género:
rapaz

doente
X
conde

vítima
X
jornalista
X
rei

cavalo

criança
X

NOTAS: As questões do grupo I foram retiradas do manual de 7º ano da Santillana.

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