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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

sexta-feira, 1 de março de 2013

Questionário com correção- Dentes de Rato, de Agustina


A CIVIDADE

O monte da Cividade era um lugar muito antigo. Os roma­nos tinham lá um quartel que servia para vigiar tudo em volta, e ainda se podiam ver restos das casernas e das habitações deles. Apareciam também púcaros de barro quebrados e até pulseiras de ouro. O monte estava ao lado da quinta de Cavaleiros e era como uma cabeça que saía da terra, com os olhos fechados. Da aldeia de Corvos ele só parecia um monte qualquer, e mais nada.

A aldeia de Corvos ficava em frente da casa de Cavaleiros; era preciso atravessar um campo muito maior do que um estádio de futebol para lá chegar. Era um campo onde dantes os condes faziam justas para se treinarem para a guerra, e Falco dizia que ele fora regado com sangue; por isso é que apareciam espigas vermelhas quando se colhia o milho. Mas dizia isto para assustar Lourença; só que ela já estava habituada.

Na aldeia de Corvos havia muitos cães e todos eram ferozes. Os rapazes atiravam pedradas às portas dos quinteiros, que eram as portas que serviam para passar os carros de bois, e eles ladra­vam como doidos. Até era pena obrigá-los a desesperar-se daquela maneira. Quem tinha os cães mais valentes era a senhora Maria Costa, uma lavradeira rica. Tinha também três filhas e um filho do mais bonito que podia haver. Lourença não se cansava de olhar para eles quando Emília a levava a casa da senhora Maria Costa. Pareciam feitos de barro colorido e tinham cabelos aos cachos, pretos. Até Marta os achou bonitos. E Marta só gostava de gente esbelta e com ar cansado. A senhora Maria Costa era vaidosa, o que quase parecia impossível com aquelas saias de roda e chine­los nos pés com solas de madeira. Sentava-se nos banquinhos de pedra junto das janelas e olhava para os campos com prazer e orgulho. Era tudo dela, o que se via dali. Lourença pensava que as mulheres eram quem mandava; os maridos delas quase não apareciam.

Falco combinou com Xerxes subirem ao monte da Cividade. Levavam batatas para assar e bacalhau cru. Pensavam passar lá o dia inteiro a fazer explorações. Lourença teve inveja da liber­dade que eles tinham e quis ir também.

— Raparigas são um empecilho. Se ela for eu não vou — disse Xerxes. Empurrou Lourença e ela caiu e até se magoou. Falco não fez nada para a socorrer.

— Vais para outra vez — foi tudo o que ele disse. Afastaram--se, e Lourença sentiu o coração apertado ao ver que desapare­ciam sem se importarem mais com ela. Levavam no farnel nozes verdes, de que ela gostava muito.

Apareceram só à noite, e era de desesperar não contarem nada do que viram. Falco guardava segredo de tudo; ou então esquecia-se depressa das suas aventuras. Tal e qual tio António, que dera a volta ao mundo e nunca se lhe arrancava nada do que gozara ou padecera. Pessoas assim não ajudavam os outros a viver.

Passados uns dias aconteceu quase o que a mãe chamava «uma tragédia». Falco apanhou um tiro na cara, e os chumbos miúdos ficaram lá metidos e foi preciso ir curar-se ao hospital. O pai dessa vez veio buscá-lo, já de noite, Lourença estava deitada. Emília fez o possível por esconder-lhe o desastre, mas ela percebeu que havia um movimento desacostumado. Ninguém se importou com ela, e isso magoou-a. Quase lhe apeteceu ter levado um tiro tam­bém; não na cara, isso era repugnante e nunca se sabia o resul­tado. Podia perder o nariz, o que era humilhante. Pensava que Falco perdia o nariz, e aquilo dava-lhe vontade de rir, apesar da pena que sentia por ele. «O ridículo mata», dizia tio António. Lou­rença achava que aquilo, sim, ela percebia.

Ficou sozinha na casa de Cavaleiros. Caiu-lhe o primeiro dente e David ensinou-lhe a atirá-lo para o telhado, para que lhe nas­cesse outro. Xerxes tinha desaparecido. Emilia contou que ele fugira para a Cividade e que só apareceu quando a fome o obri­gou. Mas Lourença não o viu. Andava ocupada a ajudar Emília a fazer a marmelada, e descascava marmelos com uma faquinha aguçada que servia também para tirar as pevides. Emília encheu quatro tigelinhas de barro do tamanho dum tinteiro e Lourença ia todos os dias pô-las ao sol a secar. As vespas fizeram-lhes bura­cos, que até parecia impossível elas comerem tanto em tão pou­cas horas. Emília tinha o cuidado de cobrir a marmelada com uma cortina velha de étamine. E dizia:

— As ladras! As bandidas! — Sacudia-as com o avental, e Lou-rença pensava se alguma vespa lhe entrasse na cabeleira crespa nunca mais podia sair.

Começou a chover e o gado agitava-se muito nos eidos, que era o lugar onde se recolhia. Sabiam quando ia trovejar; a aldeia de Corvos ficava escura e a tempestade caía de repente e trazia um pouco de terror, como uma novidade que o coração estima. A caseira passava com as saias pela cabeça, gritando qualquer coisa, e o homem dela estava à porta de casa, com um saco a fazer de capuz. Mas Xerxes não se via em parte nenhuma. Lourença, que tinha ido com Emília ao celeiro, ficou à espera que ela lhe trouxesse um guarda-chuva. Mas Emília demorava-se; tinha sem­pre que fazer pelo caminho ou não sabia da chave da cozinha, ou encontrava alguém que a desviava e se punha a conversar. Lourença esperou um tempo infinito, e chovia tanto que a água estalava como chicotadas nas pedras. Foi então que ela ouviu baru­lho e pensou nos condes de Cavaleiros, com armaduras de ferro, a mexer-se lá para o lado das adegas. «Agora até me apetece vê-los» — pensou Dentes de Rato. Quando sentia curiosidade tornava-se muito valente. Ninguém podia imaginar do que era capaz nessas ocasiões. Desceu as escadas para a adega e estava tão escuro que só se viam as teias de aranha brancas a balançar ao vento que entrava pelas frestas. Continuava a ouvir o mesmo barulho, como se alguém batesse no ferro com outro ferro. O barulho vinha das prisões dos condes, que na verdade não passa­vam de antigas garrafeiras. Uma voz disse:
— Olha a Dentes de Rato! Arremalada, que fazes aqui? (...)



A Cividade

1.       Qual era  a utilidade do Monte da Cividade antigamente?

2.       Que tipo de descobertas se faziam aí?

3.       Explica a metáfora “regado com sangue” (2º parágrafo).

4.       Explica a utilização do advérbio “até” na frase “Até Marta os achou bonitos.”.

5.       Caracteriza a Sra. Maria Costa.

6.       Que comparação é feita por Lourença entre o irmão Falco e o tio António?

7.       Explica em que consistiu a “tragédia”.

8.        Descreve, por palavras tuas, as tempestades na aldeia de Corvos.

9.       Como foi que Lourença encontrou Xerxes?

 

 

 

Proposta de correção

 


1.       No tempo dos romanos, o Monte da Cividade era uma fortaleza, um posto de vigia e de defesa.

2.       Naquele monte encontravam-se púcaros de barro quebrados e, por vezes, jóias como pulseiras de ouro.

3.       Esta metáfora é usada para realçar que nas batalhas e treinos que se desenrolaram naquele campo muitos homens ficaram feridos ou morreram.

4.       O advérbio “até” é usado para realçar que Marta tinha gostos muito requintados, isto é, para dizer que alguém era bonito tinha de ser excecional.

5.       A Sra. Maria Costa era uma lavradeira rica que tinha uns filhos anormalmente bonitos. Era vaidosa e orgulhosa das suas propriedades.

6.       Lourença compara o irmão ao tio porque ambos guardavam segredo das suas aventuras.

7.       A tragédia deu-se quando Falco levou um tiro na cara e teve de ir ao hospital tirar os chumbos.

8.        Naquela aldeia, as tempestades caíam de repente, escurecendo o céu e provocando algum medo à população.

9.       Lourença tinha ido com Emília ao celeiro quando começou a chover. Ficou à espera que a criada lhe trouxesse um guarda-chuva, mas como esta se demorou, a menina, a certa altura, começou a ouvir um barulho metálico vindo da adega e desceu para ir ver o que era. Foi aí que encontrou Xerxes preso.

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

50 perguntas de escolha múltipla para verificar a leitura de O Cavaleiro da Dinamarca- com correção

 TENTEI GRAVAR NO SLIDESHARE, MAS, NÃO SEI PORQUÊ, SÓ CARREGOU A 1ª PÁGINA:

1.    Onde fica situada a Dinamarca?

a)    No norte da Europa.

b)    No centro da Europa.

c)    No sul da Europa.

 

2.    Na Dinamarca, os pinheiros sobressaem na floresta porque

a)    são muito altos.

b)    não perdem as suas folhas.

c)    ficam despidos no inverno.

 

3.    O cavaleiro morava numa floresta cheia de

a)    carvalhos, sobreiros, pinheiros e bétulas.

b)    cedros, pinheiros, tílias e carvalhos.

c)    pinheiros, tílias, abetos e carvalhos.

 

4.    O cavaleiro vivia

a)    no cimo de um outeiro rodeado de flores.

b)    numa clareira rodeada de bétulas.

c)    numa pequena ilha no meio de um rio.

 

5.    Em frente da sua casa estava

a)    um lago tranquilo cheio de peixes.

b)    a árvore mais alta da floresta.

c)    a casa de uns lenhadores seus amigos.

 

6.    Para a família do Cavaleiro, a maior festa do ano era

a)    a Páscoa.

b)    o Carnaval.

c)    o Natal.

 

7.    Naquele ano, o cavaleiro anunciou que

a)    estava doente, pelo que ia em peregrinação a Jerusalém.

b)    ia passar a próxima noite de natal a rezar na gruta onde Jesus nasceu.

c)    iria visitar o seu irmão doente.

 

8.    Segundo os cálculos do Cavaleiro, este regressaria a casa

a)    no ano seguinte.

b)    dezoito meses depois.

c)    dali por dois anos.

 

9.    A viagem de ida do Cavaleiro

a)    decorreu sem contratempos.

b)    foi difícil e demorada.

c)    permitiu-lhe ouvir muitas estórias.

 

10.  O cavaleiro fez a viagem

a)    toda por mar.

b)    por terra.

c)    a cavalo.

 

11.  Ao chegar à Palestina, o cavaleiro seguiu para Jerusalém

a)    onde conheceu o Mercador de Veneza.

b)    ouviu a estória de Dante.

c)    com outros peregrinos.

 

12.  Na noite de Natal, o Cavaleiro julgou ouvir

a)    um coro de anjos.

b)    um grupo de pastores.

c)    campainhas celestes.

 

13.  Passado o Natal, o Cavaleiro ficou na Palestina

a)    até o inverno passar.

b)    três dias.

c)    mais dois meses.

 

14.  No porto de Jafa teve de

a)    aguardar  pelo bom tempo.

b)    ficar internado por ter muita febre.

c)    pedir ajuda a um banqueiro rico.

 

15.  A caminho da Itália,

a)    o Cavaleiro conheceu Pêro Dias.

b)    o barco foi apanhado por uma tempestade.

c)    assistiu ao naufrágio de um navio.

 

16.  Na Itália, o Cavaleiro desembarcou em

a)    Veneza.

b)    Ravena.

c)    Ferrara.

 

17.  O Cavaleiro aceitou o convite do Mercador e

a)    foi jantar a sua casa.

b)    seguiu com ele para Veneza.

c)    foi visitar igrejas e palácios.

 

18.  O Mercador contou ao Cavaleiro a estória de

a)    Dante e Beatriz.

b)    Giotto e Cimabué.

c)    Vanina e Guidobaldo.

 

19.  O Cavaleiro permaneceu na casa do Mercador durante

a)    três dias.

b)    cinco dias.

c)    nove dias.

 

20.  O Mercador deu ao Cavaleiro

a)    algumas moedas de ouro para a viagem de regresso a casa.

b)    um cavalo e cartas de apresentação.

c)    um mapa da Europa.

 

21. Aconselhado pelo seu novo amigo, o peregrino decidiu

a)    parar em Florença durante três semanas.

b)    voltar dali a três anos.

c)    fazer a viagem por terra até Génova.

 

22.  O Cavaleiro chegou a Florença

a)    no início de fevereiro.

b)    no início de abril.

c)    no início de maio.

 

23.  Aí, ficou hospedado em casa de um amigo do Mercador, um Banqueiro chamado

a)    Averardo.

b)    Jacob Orso.

c)    Michelangelo.

 

24.  Na casa do Banqueiro, o peregrino ficou espantado com

a)    as canções que ouviu.

b)    o telescópio que ele possuía.

c)    os temas de conversa.

 

25.  O Banqueiro contou-lhe

a)    uma estória.

b)    duas estórias.

c)    três estórias.

 

26.  Uma das maiores figuras da Literatura daquela cidade foi

a)    Guidobaldo.

b)    Giotto.

c)    Dante.

 

27.  Giotto ficou conhecido pois foi

a)    o primeiro pintor de Itália.

b)    o maior pintor da Europa.

c)    descoberto por Cimabué.

 

28.  Dante foi ter com Beatriz, auxiliado por

a)    Virgílio.

b)    Homero.

c)    Elias.

 

29.  Beatriz encontrava-se no Paraíso Terrestre, que se situa

a)    a seguir ao Inferno.

b)    ao lado do Purgatório.

c)    por cima do Purgatório.

 

30.  Aí, Dante encontrou a sua amada

a)    entre bosques, fontes e flores.

b)    rodeada de animais selvagens.

c)    a tocar harpa em conjunto com outras almas.

 

31.  Beatriz mandou chamar Dante para lhe pedir

a)    que fosse falar com o deus dos mortos para a deixar regressar.

b)    que emendasse o seu comportamento.

c)    que buscasse o livro sagrado ao Purgatório.

 

32.  Depois de Florença, o Cavaleiro dirigiu-se para Génova, mas, perto do fim,

a)    foi assaltado por malfeitores.

b)    o cavalo morreu, exausto.

c)    adoeceu.

 

33.  Aí, o Cavaleiro foi pedir ajuda

a)    a um convento.

b)    a um palácio cor-de-rosa.

c)    à mansão dos duques.

 

34.  Esse contratempo fê-lo atrasar-se quanto tempo?

a)    Um mês e meio.

b)    Dois meses e meio.

c)    Três meses e meio.

 

35.  Quando, finalmente, chegou a Génova,

a)    soube, por carta, que a mulher estava doente.

b)    decidiu permanecer três dias a visitar a cidade.

c)    os barcos já tinham partido.

 

36.  Então, o cavaleiro decidiu

a)    viajar até à Flandres por terra.

b)    falar com um armador que o levasse à Dinamarca.

c)    ir à igreja rezar.

 

37.  Em Antuérpia, o Cavaleiro ficou hospedado em casa de um

a)    mercador gaulês.

b)    navegador português.

c)    negociante flamengo.

 

38.  Nessa casa, ouviu uma estória de

a)    amor impossível.

b)    morte e frustração.

c)    fadas e feiticeiros.

 

39.  Um capitão de um navio trouxe três cofres que continham

a)    prata, ouro e marfim.

b)    ouro, incenso e mirra.

c)    ouro, pérolas e pimenta.

 

40.  Quando o Cavaleiro disse ao seu anfitrião que ia partir, este

a)    revelou  a sua tristeza  pela partida do peregrino.

b)    convidou-o a ficar.

c)    desejou-lhe  boa sorte.

 

41.  O cavaleiro decidiu seguir viagem por terra e chegou à sua floresta do dia

a)    23 de novembro.

b)    24 de novembro.

c)    25 de novembro.

 

42.  Na floresta, o cavaleiro sentiu-se como se estivesse num

a)    local familiar.

b)    sítio misterioso.

c)    labirinto.

 

43.  O Cavaleiro percebeu que não estava perdido quando

a)    avistou o rio que passava perto da sua casa.

b)    viu a casa do lenhador seu vizinho.

c)    viu marcas de trenós na neve.

 

44.  Segundo o cavaleiro, não correria perigo pois

a)    na noite de Natal os animais não atacam os homens.

b)    sabia o caminho para casa de olhos fechados.

c)    a intensidade da neve estava a diminuir.

 

45.  Alguns animais vieram ao encontro do cavaleiro. Quais?

a)    Esquilos, lobos e corujas.

b)    Lobos e um urso.

c)    Leões da montanha e um falcão.

 

46.  Para não se perder, o peregrino

a)    seguiu o rasto de um cavalo.

b)    guiou-se pela estrela polar.

c)    seguiu o rio.

 

47.  Quando deixou de ver e de ouvir o que quer que fosse, que fez o Cavaleiro?

a)    Chorou.

b)    Fez um desvio.

c)    Rezou.

 

48.  Ao ver uma luz, o peregrino pensou que se tratava

a)    do lume da chaminé da sua casa.

b)    da fogueira de um lenhador perdido na neve, como ele.

c)    da sua família que vinha ao seu encontro.

 

49.  Ao aproximar-se, o Cavaleiro percebeu que se tratava do abeto mais alto da floresta que

a)    tinha sido iluminado por anjos.

b)    tinha sido cortado e ardia para o guiar até casa.

c)    estava todo iluminado pelo luar.

 

50.  Nesta obra, a viagem simboliza

a)    a imortalidade.

b)    a fuga às responsabilidades.

c)    a capacidade de o Homem vencer os obstáculos.

 

Correção

1-a
2-b
3-c
4-b
5-b
6-c
7-b
8-c
9-a
10-a
11-c
12-a
13-c
14-a
15-b
16-b
17-b
18-c
19-a
20-b
21-c
22-c
23-a
24-c
25-b
26-c
27-c
28-a
29-c
30-a
31-b
32-c
33-a
34-b
35-c
36-a
37-c
38-b
39-c
40-b
41-b
42-c
43-c
44-a
45-b
46-c
47-c
48-b
49-a
50-c

 

 

A professora: Lucinda Cunha