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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Teste de avaliação - 10º ano- corrigido

I
A
Lê com atenção o texto que se segue e responde com frases completas e bem estruturadas às perguntas:
         
          Exmo. Sr.
          Chefe de repartição de finanças de Sabugal
         
          João Miguel Teixeira, contribuinte fiscal nº 342129045, residente na Rua José Relvas, nº 65, 3º D, Sardoal, tendo sido notificado do valor tributável atribuído à sua fração autónoma, sita em Sabugal, Lote 19, freguesia de sabugal, inscrita na matriz sob o artigo 805 e descrita na caderneta de avaliações nº 599 sob o nº 62, vem, por este meio, requerer a V. Exª. que  se digne mandar proceder à 2ª avaliação do referido prédio nos termos do artigo 279 do Código da Contribuição Predial e do Imposto sobre a Indústria Agrícola, em virtude de achar exagerado o valor atribuído na 1ª avaliação, com os seguintes fundamentos:
1.    O prédio que contém a referida fração localiza-se numa zona suburbana de fraca acessibilidade.
2.    Neste local é impossível obter o rendimento anual de € 3 694,75.

          Solicito, assim, que seja considerado o valor patrimonial de €15 749,64 para a referida fração.
          Para o efeito, indica para seu louvado[1] Sr. José Manuel da Conceição Justo, contribuinte nº 333178901, residente na Rua Alves Redol, nº 16, A, Sardoal.

                                    Pede deferimento,
                                    Sardoal, 26 de setembro de 2009
                                    O Requerente,
                                    _______________________________________________



1.    Identifica a tipologia textual do texto apresentado.
2.    Identifica o seu destinatário.
3.    Apresenta a causa desta petição.
4.    O requerente apresenta dois argumentos que justificam o seu pedido.
4.1.        Indica-os.
4.2.        Explica o sentido da expressão “zona suburbana de fraca acessibilidade”.
5.    Explicita o significado de “Pede deferimento”.
6.    Delimita as três partes em que o texto se estrutura.
7.    Transcreve três vocábulos específicos deste tipo de documento.

B

            Num texto bem estruturado entre 50 e 80 palavras, elabora um requerimento dirigido ao coordenador da biblioteca da tua escola para requisitares um volume valioso que se revele fundamental para um trabalho de investigação.

II



1



5




10




15





20




25




30




A sobrevivência do papel

          O fim do papel tem sido sucessivamente anunciado, por vezes por arautos[2] do progresso, na maioria dos casos por saudosos do passado. O fenómeno não é novo e tem-se repetido sempre que um novo meio de comunicação aparece. Quando Thomas Edison inventou o fonógrafo, imaginou que ele seria utilizado para fazer circular mensagens dentro das empresas e reduzir o uso de papel. Quando apareceu a TSF[3] falou-se do fim da imprensa. Quando apareceu a televisão previu-se o fim da rádio. Na realidade, há meios de comunicação que desaparecem quando surgem outros que cumprem melhor a respetiva função. É o caso do telex, que não resistiu à invenção do faxe e do correio eletrónico. Mas há os que subsistem, porque permitem usos que outros meios não conseguem substituir.
          O caso do papel é um dos mais curiosos. Os países que têm as redes de computadores mais desenvolvidas são precisamente aqueles onde as taxas de leitura dos jornais e dos livros são mais elevadas — é o que se passa com os Estados Unidos e alguns países do Norte da Europa. E os países onde a informatização dos escritórios está mais desenvolvida — que coincidem essencialmente com os anteriores — são aqueles onde o consumo do papel continua a subir. Entre 1995 e 2000, anos de grande progresso da informatização, o consumo per capita do papel de escritório nos Estados Unidos subiu quase 15%.
          (…)
          O computador (…) está a permitir resolver o problema com que se começaram a debater os escritórios do século XX: a necessidade de arquivar documentos de forma a poder recuperá-los sem dificuldade. Mas isso apenas significa que é preciso arquivar menos papéis e não que será necessário usá-los menos.
          No escritório, o papel permite desenvolver um processo de colaboração entre as pessoas que o computador não substitui. Hoje quase toda a gente escreve os documentos diretamente no teclado, mas depois imprime os rascunhos, revê-os, discute-os e anota-os no papel impresso. A informalidade e visibilidade das notas manuscritas são insubstituíveis.
          O manuseio[4] do papel adapta-se bem ao nosso processo de pensamento. Começamos por ficar a par da existência de uma questão quando pegamos pela primeira vez num documento. Depois, percebemos os contornos do problema ao lê-lo na diagonal. Finalmente, organizamos a nossa resposta regressando ao documento, folheando-o, lendo-o e relendo-o seletivamente.
          As pilhas de papel nas secretárias permitem também pensar com base no seu aspeto e na sua disposição física. As pilhas mais urgentes estão naturalmente mais perto da pessoa, outras estarão mais afastadas. As provas mais claras da sobrevivência do papel são os pequenos autocolantes amarelos. Há quem neles escreva as suas notas e — ironia!— os cole depois no ecrã do computador.
Nuno Crato, Passeio aleatório pela Ciência do Dia-a-Dia, 3ª ed., Gradiva (texto com supressões)


1.    Para cada um dos itens seguintes, escolhe a alínea que corresponde à opção correta, de acordo com o sentido do texto.

1.1.        Através do recurso à repetição da conjunção subordinativa “quando”, nas linhas 3 a 5, o autor pretende
a.    conferir ao seu texto um tom literário.
b.    salientar exemplos que ilustram a sua afirmação anterior.
c.    evidenciar a importância do papel no nosso dia-a-dia.

1.2.        A expressão “Na realidade” (l. 6) é usada para
a.    insistir nas ideias já expostas.
b.    chamar  a atenção do leitor para o que se passa à sua volta.
c.    mostrar a diferença entre aquilo que se pensa e aquilo que acontece.

1.3.        Na frase “O caso do papel é um dos mais curiosos” (l. 10), o adjetivo refere-se
a.    ao facto de o papel ser um objeto raro interessante.
b.    à curiosidade que o papel suscita nos seus utilizadores.
c.    à estranheza que o autor revela pelo facto de o fim anunciado do papel não se ter concretizado.

1.4.        O travessão, nas linhas 13 e 32,
a.    tem valores diferentes, já que, no primeiro caso, acrescenta-se uma informação, tornando-a mais precisa e, no segundo, faz-se um comentário.
b.    tem exatamente o mesmo valor.
c.    tem valores diferentes porque, na primeira ocorrência, o autor acrescenta informação e, na segunda, o discurso direto.

1.5.        No excerto “mas depois imprime os rascunhos, revê-os, discute-os e anota-os” (l. 23), o pronome pessoal é usado para
a.    evitar a repetição do seu antecedente “rascunhos”.
b.    tornar mais evidente a importância dos rascunhos.
c.    Evitar a repetição do nome “documentos”.

1.6.        A expressão “ler em diagonal” (l. 27) significa
a.    observar com toda atenção os pormenores de um texto.
b.    ler um texto pelo prazer da leitura.
c.    procurar as principais informações de um texto, através de uma leitura rápida.

1.7.        No penúltimo parágrafo do texto as expressões “Começamos por…”, “Depois…” e “Finalmente…” são marcadores discursivos que
a.    evidenciam ideias alternativas.
b.    organizam as ideias por ordem sequencial.
c.    indicam uma condição.

1.8.        Na frase “O manuseio do papel adapta-se bem ao nosso processo de pensamento.” (l. 25) estamos perante um ato ilocutório
a.    declarativo.
b.    assertivo.
c.    compromissivo.


2.    Identifica, nas frases que se seguem, a(s) função(ões) sintática(s) da(s) expressão(ões) sublinhada(s):
2.1.         “O fim do papel tem sido sucessivamente anunciado, por vezes por arautos do progresso, na maioria dos casos por saudosos do passado.” (ll. 1-2).
2.2.        “Quando apareceu a TSF falou-se do fim da imprensa.” (l. 5).
2.3.        “Começamos por ficar a par da existência de uma questão quando pegamos pela primeira vez num documento.” (ll. 25-26).
2.4.        “Finalmente, organizamos a nossa resposta regressando ao documento, folheando-o, lendo-o e relendo-o seletivamente.” (ll. 27-28).

III
            Seleciona uma das hipóteses:

A-   Num texto bem estruturado, com um mínimo de cento e trinta e um máximo de cento e sessenta palavras, redige uma declaração dos direitos do aluno.
B-   Num texto bem estruturado, com um mínimo de cento e trinta e um máximo de cento e sessenta palavras, redige uma declaração dos direitos do cidadão.
----------------------------------------------------------------------
Atenção: *Antes de redigires o texto, esquematiza, numa folha de rascunho, as ideias que pretendes desenvolver na introdução, no desenvolvimento e na conclusão (planificação);
                   *Tendo em conta a tarefa, redige o texto segundo a tua planificação (textualização);
                   *Segue-se a etapa de revisão, que te permitirá detetar eventuais erros e reformular o texto. Para tal, consulta o conjunto de tópicos que a seguir te apresento:
Tópicos de revisão da Expressão Escrita
Sim
Não
Respeitei o tema proposto?


Estruturei o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão?


Respeitei as características do tipo de texto solicitado?


Selecionei vocabulário adequado e diversificado?


Utilizei um nível de linguagem apropriado?


Redigi frases corretas e articuladas entre si?


Respeitei a ortografia correta das palavras?


Respeitei a acentuação correta dos vocábulos?


Identifiquei corretamente os parágrafos?


A caligrafia é legível e sem rasuras?















COTAÇÕES:


Grupo I………………………………………… 100 pontos
1…………………………………………… 5 pontos (C=3+O=2)
2…………………………………..……….  5  pontos (C=3+O=2)
3.…………………………………………..15 pontos (C=10+O=5)
4.1…………………………………………..10 pontos (C=6+O=4)
4.2…………………………………………. 7 pontos (C=4+O=3

5……………………………..…… 7 pontos (C=4+O=3)
6………………………………... 15 pontos(C=10+O=5)
7………………………………………………… 6 pontos
Grupo II ……………………………………….. 50 pontos
1………………………………………………… 32 pontos
2………………………………………………… 18 pontos
Grupo III…………….………... 50 pontos (C=30+O=20)


                       Conteúdo = C                                                        Organização e Correcção Linguística = O
BOM TRABALHO!                                                                               A DOCENTE:  Lucinda Cunha



Correção do teste
I
A
1. Este texto é um requerimento.
2. O seu destinatário é o chefe da repartição de finanças do Sabugal.
3. O requerente, João M. Teixeira, considera muito elevado o valor tributável atribuído à sua fração de terreno, solicitando uma reavaliação.
4.1. Os dois argumentos apresentados são a fraca localização da propriedade e a desadequação do rendimento anual apontado.
4.2. O terreno situa-se nos arredores da cidade, numa região com poucos transportes, logo de difícil acesso.
5. A expressão significa que o requerente solicita a aprovação do seu pedido.
6. O texto estrutura-se em três partes: abertura (“Exmo. Sr” até “Finanças de Sabugal”), encadeamento (“João Miguel Teixeira…Sardoal”), fecho (“Pede deferimento” até ao fim).
7. “requerer”, “se digne”, “solicito”, “deferimento”, “requerente”.
(as questões deste grupo foram retiradas do manual Página Seguinte, 10º ano)
B. Resposta aberta.

II
1.1.- b; 1.2.-a; 1.3- c; 1,4- a; 1.5- a; 1.6- c; 1.7- b; 1.8- b. (questões retiradas do manual Entre margens 10- exceto a 1.8).
2.1. complemento agente da passiva; 2.2. sujeito simples; 2.3. complemento oblíquo; 2.4. complemento direto.

III
Resposta aberta.




[1] perito nomeado para avaliar.
[2] mensageiro.
[3] Telefonia Sem Fios.
[4] ato de mexer com a mão.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ficha formativa-a declaração- 10º- com correção

FICHA FORMATIVA DE PORTUGUÊS- 10ºA

Texto 1
A minha experiência com passaportes é longuíssima. Como o meu pai se estabeleceu em Paris quando eu tinha dez anos, desde essa altura que me habituei a tratar da documentação necessária para sair do país. Embora vivesse com a minha mãe e com dois irmãos (um deles quatro anos mais velho), era sempre eu quem tratava da papelada.
          Naquela época a burocracia não era para brincadeiras. Qualquer pedido de documento exigia uma quantidade de papéis. Para certos efeitos era necessário um certificado de residência com os carimbos de comerciantes da zona onde morávamos! E, como eu era menor, para sair do país precisava naturalmente de autorização de pai.
          E aqui residia a maior dificuldade. Estando o meu pai no estrangeiro, ele tinha de mandar de lá, por carta, a dita autorização. Só que não podia ser um papel qualquer. Essas autorizações eram obrigatoriamente em papel selado (um papel azul, com linhas, que tinha um selo branco no topo e se comprava nas tabacarias autorizadas). “Vende-se papel selado” — anunciavam essas tabacarias num papel colocado à porta. Assim, eu tinha de mandar para Paris o papel por preencher; o meu pai fazia a declaração e assinava, em seguida devolvia o documento. Tudo isto era feito por carta— e, na melhor das hipóteses, demorava dez dias. No fim do processo, eu ia ao notário reconhecer a assinatura.
          Essas idas ao notário eram um momento de grande suspense. Havia dois problemas. Em primeiro lugar, o meu pai, sendo muito distraído, enganava-se por vezes a copiar a minuta[1] — e o notário mandava o documento para trás. E lá voltava tudo ao princípio: carta para Paris com folha de papel selado, devolução, nova ida ao notário.
          O segundo problema era a assinatura. A assinatura do meu pai foi evoluindo com o tempo. O que significa que, a páginas tantas, a que constava do registo notarial já nada tinha que ver com a que ele rabiscava nessas folhas de papel selado. Umas vezes eu tinha a sorte de apanhar uma funcionária mais compreensiva que, depois de muitas explicações, aceitava reconhecer a assinatura. Mas outras vezes a negativa era terminante e lá vinha eu para trás, dizendo mal da vida, sabendo que tinha pela frente novas trocas de cartas, novas despesas, possibilidade de novos enganos. Um martírio!
          Acrescente-se que todas estas voltas envolviam tempos intermináveis de espera em salas ou corredores de aspeto decrépito, com as pessoas apinhadas umas contra as outras, transpirando e cheirando a suor.
José António Saraiva, in “Tabu”, suplemento do jornal Sol, Abril, 2008 (excerto)
Texto 2
AUTORIZAÇÃO DE SAÍDA DE TERRITÓRIO NACIONAL DE MENOR NACIONAL
(legalmente certificada)

DECLARAÇÃO

_________________________________ (nome completo), ________________ (estado civil), residente em __________________________________-, portador do bilhete de identidade/ CC nº _____________________ emitido em _________________________, pelo Arquivo de identificação de ___________________________-, válido até ___________________, ___________ (relação de parentesco com o menor, se a houver), titular do poder paternal, declaro que autorizo a saída do território nacional do menor _________________________________ (nome completo), de nacionalidade portuguesa, nascido a _____________________, em ______________________, titular do BI/ CC nº _____________________, emitido a ___________, em _________________________-, válido até ________________, na companhia de* ____________________________ (nome completo), titular do BI/CC nº___________________, emitido em __________________, pelo Arquivo de identificação de ___________________, válido até ___________________, residente em ______________________________, para _____________________ (país(es) de destino) pelo período de* _________________________ (dias/ meses).

(Data) ___________________________________
(assinatura) _______________________________________________________
*a preencher apenas em caso necessário

I
Depois de leres os textos, responde às questões com frases bem estruturadas:
1.    Explica a finalidade da declaração apresentada.
1.1.       Indica as formas verbais que enunciam e cumprem essa finalidade.
1.2.       Reescreve, devidamente preenchida, em nome do declarante (neste caso o teu pai), essa declaração.
II

1.    Estabelece a correspondência entre as colunas, de forma a obteres afirmações verdadeiras relativas ao texto 1.


1
A expressão “Como o meu pai se estabeleceu em Paris quando eu tinha dez anos”
sintetiza e caracteriza a situação enumerada na frase anterior.
A
2
O antecedente da expressão “Naquela época”
contribui para a coesão textual.
B
3
Na expressão “Embora vivesse com a minha mãe” a conjunção subordinativa
é “quando eu tinha dez anos”.
C
4
Nos dois primeiros parágrafos, a cadeia de referência constituída pelas anáforas “documentação”, “papelada”, “quantidade de papéis”
organiza a informação do texto.
D
5
A sequência das expressões “Havia dois problemas. Em primeiro lugar”, “O segundo problema”
estabelece uma relação de oposição com a frase anterior.
E
6
 A expressão “Mas outras vezes a negativa era terminante”
obriga ao uso do modo conjuntivo.
F
7
A expressão “Um martírio!”
estabelece uma relação de causa com a oração anterior.
G


III
Num texto bem estruturado reflete, num texto entre 100 e 120 palavras, sobre o excesso de burocracia com que nos deparamos no dia-a-dia (consulta o dicionário para veres o significado da palavra, se necessário).



BOM TRABALHO!                                        A professora: Lucinda Cunha
Correção
I

1.    A declaração permite que o pai autorize a saída do filho menor para o estrangeiro.
1.1.       As formas verbais que enunciam e cumprem essa finalidade são “declaro” e “autorizo”.
1.2.        Resposta aberta.
II

1.     
1-g
2-c
3-f
4-b
5-d
6-e
7-a

III
Resposta aberta.
(Ficha retirada do manual Plural 10)

[1] Ver texto 2.