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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Teste diagnóstico de 10º ano com a correção no final

I

Compreensão oral

         Ouve atentamente o texto retirado do livro Boca do Inferno de Ricardo Araújo Pereira. Terminada a audição, seleciona, para cada uma das questões abaixo apresentadas, a resposta que consideras correta, de acordo com o sentido do texto.

1.    O essencial desta crónica centra-se
a.    no uso e abuso das mensagens de telemóvel.
b.    no uso e abuso de SMS na passagem de ano.
c.    no uso e abuso de SMS na passagem de ano e no próprio conteúdo das mensagens.

2.    O início desta crónica põe em evidência um sentimento de “raiva”. Este sentimento advém
a.    do autor estar farto, fartíssimo, de apagar as mensagens que tem recebido.
b.    do autor não ter tempo para fazer mais nada do que ler mensagens.
c.    do autor não estar nada interessado nas mensagens dos amigos.

3.    Sugerem-se na crónica algumas soluções para acabar com o flagelo destas mensagens. Uma das soluções é esta:
a.    deitar fora o telemóvel e comprar outro mais tarde.
b.    deixar de usar telemóvel definitivamente.
c.    cortar relações com os amigos antes do Natal e reatá-las em meados de janeiro.

4.    Motivado talvez pela irritação, o autor põe mesmo em causa o conteúdo das mensagens,
a.    porque não acredita na sinceridade dos votos de bom ano novo.
b.    porque faz tanto sentido desejar um bom ano novo, como um bom semestre ou um bom quinquénio.
c.    porque dá azar receber tantos votos de bom ano.

5.    Não foi dito o título do texto. De entre estes títulos de crónicas do autor, e de acordo com o conteúdo desta, julgo que
a.    o título original é “O chato de todos os portugueses”.
b.    o título original é “Como uma força que ninguém pode parar”.
c.    o título original é “10, 9, 8, 7…! Espera aí, isto é estúpido”.


II

Leitura

Lê o texto atentamente e responde às questões com frases completas:

A MINHA OLYMPIA
Nem vale a pena falar de computadores e processadores de texto. Numa fase inicial, ainda me senti tentado a comprar uma dessas maravilhas para mim, mas ouvi demasiadas histórias de terror em que uma pessoa carregava no botão errado e eliminava um dia de trabalho — ou um mês de trabalho — e demasiados avisos sobre súbitas falhas de energia, capazes de apagar todo um manuscrito em menos de meio segundo. Eu nunca fui bom com máquinas e sabia que, se houvesse um botão errado para carregar, acabaria por carregar nele.
       De maneira que não mais larguei a minha velha máquina de escrever e os anos 80 passaram e deram lugar aos anos 90. Um a um, todos os meus amigos mudaram para Macs e IBMs. Comecei a parecer um inimigo do progresso, o último baluarte pagão num mundo de conversos digitais. Os meus amigos gozavam comigo por eu resistir às novas tecnologias. Quando não me chamavam sovina, diziam que eu era um reacionário e teimoso como um burro. Entrava-me por um ouvido, saía-me pelo outro. O que era bom para eles não era necessariamente bom para mim, dizia eu. Por que raio é que eu havia de mudar se, como estava, me sentia perfeitamente feliz?
       Até então, não me sentira especialmente ligado à minha Olympia. A máquina era apenas uma ferramenta que me permitia fazer o meu trabalho, mas, agora que se tornara uma espécie em perigo, um dos últimos artefactos sobreviventes do homo scriptorus do século XX, começava a desenvolver uma certa afeição por ela. Dei-me conta de que tínhamos o mesmo passado. Gostasse ou não, essa era a pura verdade. Com o passar do tempo, acabei por compreender que tínhamos também o mesmo futuro.
Paul Auster, A história da minha máquina de escrever, Edições Asa



1.    “…ouvi demasiadas histórias de terror…” (ll. 2-3).
1.1.       Explica porque considera o autor as histórias que ouviu sobre computadores “histórias de terror”.
1.2.       Essas histórias tiveram consequências na sua vida? Justifica a tua resposta.

2.    Segundo os amigos, que razões o levavam a rejeitar as novas tecnologias?

3.    “Olympia” era o nome de uma marca muito conhecida de máquinas de escrever. A relação do autor com a sua Olympia foi-se alterando com o tempo.

3.1.       Até há bem pouco tempo, o que sentia por ela?
3.2.       Agora sente “uma certa afeição”(l. 17). O que motivou (e motiva), segundo ele próprio, esta mudança sentimental?

III

Conhecimento Explícito da Língua

1.    “Um a um, todos os meus amigos mudaram para Macs e IBMs” (l. 8).
“…todos os meus amigos mudaram para Macs e IBMs” (l. 8).

1.1.       Identifica o sujeito de cada uma das frases.

1.2.       Qual das afirmações que se seguem te parece mais correta?
a.    A mudança no grupo do sujeito não trouxe qualquer alteração se sentido à frase.
b.    Ao reduzir-se o grupo do sujeito, a frase ficou mais clara.
c.    Ao retira a expressão “Um a um” perde-se a noção de que a ação enunciada pelo verbo foi gradual e se prolongou ao longo do tempo.

2.    “Quando não me chamavam sovina, diziam que eu era um reacionário…”
Sem lhe alterar significativamente o sentido, reescreve a frase, substituindo a conjunção subordinativa temporal “quando” pela locução conjuncional coordenativa disjuntiva “ou…ou” (atenção às outras alterações que tens de introduzir).

3.    “O que era bom para eles não era necessariamente bom para mim, dizia eu. Por que raio é que eu havia de mudar se, como estava, me sentia perfeitamente feliz?”
Reescreve esta transcrição, utilizando o discurso direto.

4.    No texto entrecruzam-se registos diversos da língua.

4.1.       Transcreve uma frase em que se utilize um registo familiar, em que haja, portanto, um uso informal da língua.

4.2.       Transcreve uma frase que sirva como exemplo de registo cuidado da língua.

5.    “se houvesse um botão errado para carregar, acabaria por carregar nele.”

5.1.       Explica a formação da palavra sublinhada.

5.2.       Reescreve a frase substituindo “se houvesse” por:
a.    “se houver”
b.    “quando havia”
c.    “quando há”


IV

Expressão escrita

Dos temas aqui propostos escolhe apenas um para o teu trabalho de expressão escrita (entre 100 e 130 palavras).

1.    O COMPUTADOR
Para ti o que é computador? Uma máquina de escrever sofisticada? Uma máquina de jogos? Utiliza-lo com frequência? Para quê?
         Pensa nestas e noutras questões relacionadas com o tema e elabora uma exposição escrita subordinada ao título “Eu e o computador”.

2.    O LIVRO
Dos livros que já leste, houve decerto algum que te marcou especialmente, pelo tema, pelas personagens, pelas circunstâncias que rodearam a sua leitura ou por ser uma oferta de alguém especial. Reflete sobre o assunto e elabora uma breve exposição escrita subordinada ao título “O livro da minha vida”.


Correção do teste diagnóstico
I
Texto áudio:

10, 9, 8, 7…! Espera aí, isto é estúpido

Ainda imbuído do espírito da quadra natalícia, quero dizer a todos que vou assassinar a próxima pessoa que me mandar um SMS a desejar bom ano novo. E sei que o leitor partilha a minha raiva. Isto da amizade é dos piores flagelos do mundo moderno. Porque o mundo moderno, estupidamente, oferece um vasto leque de opções para os amigos nos mandarem mensagens. Ou seja, o mundo moderno meteu a pata na poça mais uma vez. São mensagens de bom ano a chegar em catadupa e a provocarem um mau fim de ano velho, na medida em que temos de estar a apagá-las todas. Posso dizer-vos que tenho o polegar em carne viva.
Reparem: ao fim das primeiras 600 mensagens, nós já percebemos a ideia. Os nossos amigos querem que nós tenhamos um bom ano de 2006. Obrigado. Sinceramente. Agradecemos a todos. Mas agora parem de mandar mensagens, por favor. Nós prometemos que vamos ter um bom ano. Parem de desejar. A sério. E, para o ano, organizem-se: mandem uma mensagem apenas a dizer: «Bom ano de todos os teus amigos.» Revezem-se, e cada ano manda um. O ideal talvez seja cortar relações com todos os nossos amigos na semana anterior ao Natal e reatá-las apenas em meados de Janeiro. Evitam-se as mensagens e, até, a troca de presentes – uma vantagem nada negligenciável. E a verdade é que o Natal é a altura em que menos precisamos dos amigos porque, de qualquer maneira, as pessoas são ser nossas amigas por dever sazonal.
Se me permitem, gostaria mesmo de pôr em causa toda a filosofia da mensagem de bom ano novo. Que sentido faz desejar bons períodos de tempo? E porquê «bom ano novo» e não «desejo-te um rico semestre, ou «espero que passes um excelente quarto de hora»? Será que, em Março de 2006, o desejo que formulámos em Dezembro de 2005 ainda está a fazer efeito? Nesse caso, para poupar tempo, talvez não seja mal pensado começar a desejar «Bom quinquénio». Arruma-se a questão durante um bom período de tempo. Está desejado, voltamos a falar em 2011. (…)
in Boca do Inferno,  Ricardo Araújo Pereira

1-    C
2-    A
3-    C
4-    B
5-    C

II
1.1.         “Histórias de terror” porque é decerto arrepiante pensar que um simples botão carregado inadvertidamente pode eliminar, num segundo, várias horas de trabalho ou que uma falha de energia pode apagar subitamente um original concluído.
1.2.         O autor ainda se sentiu tentado, inicialmente, a comprar um computador, mas, perante, essas “histórias de terror”, desistiu e continuou, agora com convicção e em definitivo, a utilizar a sua máquina de escrever como ferramenta de trabalho.
2.     As opiniões dos amigos dividiam-se. Segundo uns o autor rejeitava as novas tecnologias porque não queria gastar dinheiro; segundo outros essa rejeição era puro conservadorismo ou, simplesmente, teimosia.
3.1.         Até há bem pouco tempo, o autor não tinha nenhum sentimento especial pela sua máquina de escrever. Via-a como uma simples “ferramenta de trabalho”.
3.2.         O facto de se ter apercebido que ambos tinham um passado comum e iriam ter o mesmo futuro. Autor e máquina estavam unidos por um tempo de extinção.
III
1.1.         Na 1ª frase o sujeito é “Um a um, todos os meus amigos”; na segunda “todos os meus amigos”.
1.2.         A afirmação C.
2.     Ou me chamavam sovina, ou diziam que eu era um reaccionário.
3.     Eu dizia(-lhes):
— O que é bom para vocês não é necessariamente bom para mim. Por que raio é que eu hei-de mudar se, como estou, me sinto perfeitamente feliz?
4.1. “Quando não me chamavam sovina, diziam que eu era um reaccionário e teimoso que nem um burro. Entrava-me por um ouvido, saía-me pelo outro.”
4.2. “Comecei a parecer um inimigo do progresso, o último baluarte pagão num mundo de conversos digitais.”
5.1. A palavra formou-se pela contracção da preposição “em” com o pronome pessoal “ele”.
5.2. … se houver um botão errado para carregar, acabarei (acabo) por carregar nele.
       … quando havia um botão errado para carregar, acabava por carregar nele.
       … quando há um botão errado para carregar, acabo por carregar nele.

(Teste e correção retirados do manual Plural 10, da Lisboa Editora)

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