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sábado, 9 de abril de 2011

Teste de avaliação de 12º sobre "Felizmente Há Luar! " com a correção no final

Teste do 12º ano, sobre Felizmente Há Luar!, com as soluções (retirado do livro de testes de 12º ano de Português da Asa)
I
A
Lê atentamente o excerto da obra Felizmente Há Luar! que se segue e responde, de forma cuidada, às questões colocadas:





5






10






15

D. Miguel anda, no palco, dum lado para o outro, com passos decididos.
20




25




30





35





40
Os tambores entram em fanfarra e o palco enche-se de soldados.




45






CORVO
     Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura.
     Tudo o que se diz pode não passar de um boato…

D. MIGUEL
     Cale-se! Onde está a sua dedicação a el-rei, capitão?

PRINCIPAL SOUSA
     Agora me lembro de que há anos, em Campo d’Ourique, Gomes Freire prejudicou muito a meu irmão Rodrigo!

D. MIGUEL
     Se eu fosse falar do ódio que lhe tenho…

BERESFORD
     O marquês de Campo Maior tem razões para odiar a Gomes Freire…

D. MIGUEL
     E, agora, meus senhores, ao trabalho! Para que o país não se levante em defesa dos conjurados há que prepará-lo previamente. Há gente, senhores, que sente grande ardor patriótico sempre que os seus interesses estão em perigo. Há que provocar esse ardor. Há que pôr os frades, por esse país fora, a bramar dos púlpitos contra os inimigos de Deus. Há que procurar em cada regimento um oficial que se preste a dizer aos soldados que a pátria se encontra ameaçada pelo inimigo de dentro. Há que fazer tocar os tambores pelas ruas para se criar um ambiente de receio.
    Os estados emotivos, Srs. Governadores, dependem da música que se tem no ouvido. Para que se mantenham, é necessário que as bandas não parem de tocar.
     Quero os sinos das aldeias a tocar a rebate, os tambores, em fanfarra, nas paradas dos quartéis, os frades aos gritos nos púlpitos, uma bandeira na mão em cada aldeão.
     (Começa a entrar povo pela direita e pela esquerda do palco. Os tambores tocam sem cessar.)
     Quero o país inteiro a cantar em coro. Lembrai-vos, senhores, de que uma pausa pode causar uma ruína de todos os nossos projetos!
     (Entra pela direita do palco um púlpito a que o principal Sousa sobe. Começa a ouvir-se um sino a tocar a rebate.)

PRINCIPAL SOUSA
     (Do púlpito)
     Meus filhos, meus filhos, a Pátria está em perigo! Os inimigos de Deus preparam, na sombra, a ruína, dos vossos lares, a violação das vossas filhas, a morte d’el-rei!

D. MIGUEL
     Portugueses: a hora não é para contemplações Sacrifiquemos tudo, mesmo as nossas consciências, no altar da Pátria.

PRINCIPAL SOUSA
     Morte aos inimigos de Cristo!

D. MIGUEL
     Morte ao traidor Gomes Freire d’ Andrade!

     (Apagam-se todas as luzes. As personagens ficam na penumbra, agitando os braços e erguendo bandeiras no ar. Durante um espaço de tempo muito curto, ouvem-se os sinos e os tambores.)
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!,
Porto, Areal Editores, 2003



  1. Insere o excerto nas estruturas externa e interna da obra, referindo a sua importância no contexto da ação da obra.
  2. Explicita o sentido da frase “Os estados emotivos, Srs. Governadores, dependem da música que se tem no ouvido.” (ll. 22-23).
  3. Explica a crítica implícita nas falas de D. Miguel.
  4. Identifica, justificando, os elementos que contribuem, neste excerto, para o aumento da tensão dramática.
B


            Na obra Felizmente Há luar! os valores da liberdade e do patriotismo assumem grande relevância.

            Fazendo apelo à tua experiência de leitura da obra mencionada, explicita, num texto de oitenta a cento e vinte palavras, a afirmação apresentada.

II

Lê atentamente o texto que se segue:





5




10




15




20




25
     Se nos fixarmos em 1808 verificamos, num relance rápido, que os efeitos da ocupação francesa foram diretamente sentidos por todas as classes sociais. Antes de findar o ano de 1807 já Lisboa se despovoava. “A população de Lisboa calculava-se em 280 a 300 mil almas; mas julgo que se pode afirmar, sem exageração, que ela tem diminuído de 15 de Novembro para cá, [29 de Dezembro] em mais de 70 mil pessoas, principiando pela saída dos Ingleses a que se seguiu o decreto para se lhes fecharem os Portos e, em consequência, o bloqueio que paralisou o comércio, a saída da esquadra que levou imensa gente e deixou outra sem meios de subsistência… Esta despovoação há-de continuar ainda até que os habitantes se reduzam ao número proporcionado às circunstâncias e qualquer que seja o nosso último destino é provável que Lisboa nunca chegue a ser tão populosa como dantes era, sendo certo que ela tinha demasiada gente, e a sua grande povoação era efeito de vícios da administração e não de causas materiais… Há mais de 8 dias que ouvi que só pela Intendência Geral da Polícia se tinham dado 11 000 passaportes. Muitas famílias aqui estabelecidas têm-se retirado para o campo, outras para as províncias.”[1]
     O aumento da procura de bens essenciais aliado aos efeitos devastadores da guerra e ao cancelamento das importações reflete-se, de imediato, na subida incontrolável dos preços. Em Março de 1808, o redator do Dietário de S. Bento assinalava “a falta de alguns géneros de primeira necessidade” e para o mês seguinte registava os seguintes preços – “o trigo está a 1200 e 1400 o alqueire; o azeite a 3000 e 5200 por almude; o feijão a 1000 e 1100 e o mais à porção: manteiga a 550 e a 600” e acrescentava “o peixe fresco nem por exorbitante dinheiro”[2].
     Acentua-se o caráter rural da sociedade portuguesa; a indigência aumenta; entre as classes possidentes que ficam generaliza-se a tendência para o entesouramento e a vertigem da venda de bens, a qualquer preço; a atividade fabril abranda e nalguns casos suspende-se mesmo.
     Para a paralisia económica do reino contribuíram ainda as pilhagens e requisições da tropa invasora, o sequestro dos bens ingleses e de todas as mercadorias de origem britânica em poder dos negociantes, para além da imposição de avultadas contribuições extraordinárias e de guerra, parcialmente executadas.
     Associada a esta política de saque, Junot desarma o país tentando, em vão, silenciar quaisquer manifestações de hostilidade e revolta.
Ana Cristina Araújo, “Revoltas e ideologias em conflito durante as invasões francesas”,
In Revoltas e Revoluções, Coimbra, Instituto de História e Teoria das Ideias,
Faculdade de Letras, 1985 (adaptado)


1.    De acordo com o sentido do texto, assinala a opção correta que completa cada afirmação que se segue:

1.1.                        Segundo o excerto, um dos primeiros efeitos da ocupação francesa foi
a)    o empobrecimento de muitas pessoas em Lisboa.
b)    o falecimento de muitas pessoas em Lisboa.
c)    a chegada de muitas pessoas a Lisboa.
d)    a fuga de muitas pessoas de Lisboa.

1.2.                        A citação introduzida na linha 3 serve para
a)    introduzir dados concretos acerca do exército francês.
b)    apresentar dados de uma fonte especializada no estudo da época.
c)    introduzir no texto uma fala em discurso direto.
d)    negar o que foi dito anteriormente através de provas concretas.

1.3.                        Com a expressão “Esta despovoação há-de continuar ainda até que os habitantes se reduzam ao número proporcionado às circunstâncias” (ll. 7-8), o autor sugere que a população continuará a abandonar Lisboa até
a)    cessarem as inúmeras mortes na cidade.
b)    o número de pessoas que ficar consiga viver em condições.
c)    melhorarem as condições de vida na cidade.
d)    o número de pessoas que ficar seja insignificante.

1.4.                        O autor do excerto citado nas linhas 3 a 13 é
a)    Ana Cristina Araújo.
b)    Christovam Ayres de Magalhães Sepúlveda.
c)    Ricardo Raimundo Nogueira.
d)    Dietário de S. Bento.

1.5.        Nesta altura, os preços subiram incontrolavelmente (l. 15) por causa
a)    do aumento da quantidade de bens à venda, da destruição provocada pela guerra e da cessação da aquisição de bens do exterior.
b)    do aumento da procura de alimentos, da destruição provocada pela guerra e do cancelamento das vendas para o exterior.
c)    do aumento da procura de alimentos, da destruição provocada pela guerra e da cessação da aquisição de bens do exterior.
d)    do aumento da quantidade de bens à venda, da intensificação da violência da guerra e da cessação da aquisição de bens do exterior.

1.6.        O excerto “entre as classes possidentes que ficam generaliza-se a tendência para o entesouramento e a vertigem da venda de bens, a qualquer preço” (ll. 20-22) revela uma tendência que as pessoas tinham para
a)    arrecadar o máximo de dinheiro possível.
b)    se despojarem dos bens de modo a poderem sair do país.
c)    venderem os bens que tinham em boas oportunidades de lucro.
d)    enriquecerem, aproveitando a situação de desgraça dos outros.


2.    Faz corresponder a cada um dos elementos da coluna A um elemento da coluna B.

A

B
1.    Na frase “Antes de findar o ano de 1807 já Lisboa se despovoava.” (ll. 2-3)
2.    Com o recurso a “há-de continuar” (l. 7)
3.    Com a expressão “tão populosa como dantes era” (l. 9)
4.    Com o recurso ao travessão (l. 17)
5.    No segmento “para a paralisia económica do reino contribuíram ainda as pilhagens e requisições da tropa invasora” (ll. 23-24)


a)    o enunciador recorre a um hipérbato para destacar uma parte do enunciado.
b)    o enunciador introduz uma enumeração.
c)    o enunciador introduz uma metáfora.
d)    o enunciador perspetiva um futuro.
e)    verifica-se uma relação lógica de causa.
f)     estão  presentes duas referências deíticas temporais.
g)    o enunciador introduz um discurso direto.
h)    o  enunciador explicita uma comparação.








III


SOUSA FALCÃO
“Durante meses, duas vezes dei comigo à berma de lhe chamar louco, para desculpar a minha própria cobardia.
            Há homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro…”
Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar!



Num texto bem estruturado, com o mínimo de cento e oitenta e o máximo de duzentas e quarenta palavras, apresenta uma reflexão sobre o que é afirmado na fala de Sousa Falcão, tendo em conta a influência que alguns homens (e mulheres), através do seu caráter e da sua conduta, têm sobre os outros.
            Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.


COTAÇÕES
GRUPO I………………………………………100 pontos
A.
1. …………………………...……..………20(C=12+OCL=8)
2 …………………………….……………..15 (C=9+OCL=6)
3 ………………………….………………..20 (C=12+OCL=8)
4 ……………………………………………15 (C=9+OCL=6)
B.  ………………………………………..30 (C=18+OCL=12)
GRUPO II ………………………..……….50 pontos
1.…………………………….…….….…..30pontos
2 ……... ……………………………….20 pontos

Grupo III ………………………50 pontos(C=30+OCL=20)
TOTAL ……………………………..…200 pontos

                       Conteúdo = C                   Organização e Correcção Linguística = OCL

BOM TRABALHO!                                                                                  
A DOCENTE:  Lucinda Cunha


[1] Ricardo Raimundo Nogueira, “Apontamentos”, in Christovam Ayres de Magalhães Sepúlveda, História orgânica e política do exército português, vol. X, Lisboa, 1913, p. 66.
[2] “Dietário do Mosteiro de S. Bento”, in C. A. de Magalhães Sepúlveda, op. cit., Lisboa, pp. 310-312.




 
Correção do teste sobre Felizmente Há Luar!
IA
1.    O excerto apresentado localiza-se no fim do Acto I, depois de longas conversas entre o principal Sousa, D. Miguel e Beresford, das quais surgiu um nome como o principal chefe da conjura.
Trata-se de um momento importante na ação, uma vez que as personagens refletem acerca do nome indicado e revelam que realmente têm razões pessoais para desejarem a prisão de Gomes Freire, exceto Beresford, que já o havia feito de modo dissimulado.
Assim, este excerto apresenta, precisamente, o final da reunião, que termina, de modo exaltado, no acordo em torno do nome de Gomes Freire, o que irá condicionar o desfecho trágico da peça.

2.    Esta frase pode ser interpretada nos seus sentidos metafórico e literal, pois ambos apontam para a mesma direção. No seu sentido literal, expressa a ideia de que, ao fazerem tocar tambores pelas ruas, criarão um ambiente de tensão, ansiedade, suspense, prenúncio de que algo importante irá acontecer, colocando, assim, todas as pessoas em alerta. Metaforicamente, D. Miguel está a firmar que o povo é perfeitamente manipulável, como já havia sido referido por Beresford anteriormente, e que, dependendo do ambiente que se crie, assim o povo reagirá, mais ou menos exaltado, conforme a vontade dos governantes.
3.    As falas de D. Miguel neste excerto são, sem dúvida, um veículo de denúncia política. D. Miguel expõe de modo claro e inequívoco a manipulação que o poder político exerce sobre o povo, preparando-o previamente para que acolham bem as suas decisões mais controversas; aponta para o patriotismo hipócrita e falso de certas pessoas, que só se lembram que são patriotas quando veem os seus interesses em perigo; revela o modo como a esfera religiosa entra ao serviço da conjura para defender interesses e atingir objetivos comuns; por fim, denuncia a falta de escrúpulos dos governantes, que se dispõem a sacrificar as próprias consciências para manter a sua posição de poder.
4.    Os elementos cénicos que contribuem para aumentar a tensão dramática têm a ver com a movimentação cénica das personagens e a sonoplastia.
Assim, verifica-se a movimentação de D. Miguel que, no início do excerto, “(…)anda, no palco, dum lado para o outro(…)” (1ª nota à margem); a entrada do povo, simultaneamente “(…) pela direita e pela esquerda do palco”; a subida do principal Sousa a um púlpito; a entrada dos soldados, que enchem o palco, e a movimentação das personagens, que “(…) ficam na penumbra, agitando os braços e erguendo bandeiras no ar.”.
Por outro lado, um elemento de extrema importância para criar o efeito em questão é o crescendo de som que se verifica ao longo do excerto. Ouvem-se, com a entrada do povo, os “(…) tambores [que] tocam sem cessar”; de seguida, ao mesmo tempo que o principal Sousa sobre ao púlpito, começa a ouvir-se “(…)um sino tocar a rebate”; aumenta a intensidade do som, quando os “(…) tambores entram em fanfarra (…)” (2ª nota à margem), sendo que o ato acaba, precisamente, ao som dos sinos e dos tambores.

IB

A resposta poderá contemplar os seguintes aspetos:
- Verifica-se, na obra, uma luta contra um regime ditatorial e opressivo, através da tentativa de implementação de um regime liberal que defendia uma constituição política assente sobre bases populares;
- Há também a luta contra as influências estrangeiras que tinham peso na governação portuguesa, desde as invasões francesas até à “ajuda e proteção” britânicas.

II
1.1.        D
1.2.        B
1.3.        B
1.4.        C
1.5.        C
1.6.        A

2.     1-F
2- D
3-H
4-B
5-A


10 comentários:

  1. Material muito útil. Obrigada pela partilha.

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  2. Infelizmente, esta obra vai sair do programa (parece-me), o que não me surpreende nada, convenhamos...

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. muito util , mas esperava mais perguntas sobre a obra em si.

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  5. Gostaria de saber se este livro também contém algum teste da obra 'Memorial do Convento'. Já agora, esta publicação foi essencial essencial para o teste que tive. Obrigada!

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