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terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma fábula do Benim



A faraona[1] e a formiga        
         Eis mais uma história que aconteceu no tempo em que os animais falavam. Um belo dia, ao nascer do Sol, a faraona foi passear até às margens do rio da aldeia. Aproximou-se da água para beber. De repente viu uma pequena formiga que, um pouco afastada da margem, se debatia contra a força da corrente. Agarrada a um pequeno ramo de árvore, fazia tudo paras e manter ao de cima e não ser levada pelas águas.
         — Socorro! Socorro! — gritava a formiga.
         A faraona, de imediato, foi em seu socorro: pegou num ramo e lançou-lho.
         A pequena formiga agarrou-se ao ramo até sair das águas. Depois apegou-se à terra da margem e subiu para fora do rio. Já fora da margem, quando se encontrava na terra firme, cheia de gratidão agradeceu à faraona o tê-la salvo. Depois, cada uma seguiu o seu caminho.
         As noites sucederam-se aos dias e os dias às noites. Passou mesmo muito tempo. Até que um dia apareceu um caçador a deambular por aquelas paragens, à espera dos animais que vinham beber ao rio. De longe, o caçador viu a faraona que se passeava na margem do rio. Com movimentos lentos para não se fazer notar e espantar a caça, o homem levantou o arco, tirou uma flecha da aljava e preparava-se para alvejar a faraona.
         Foi então que a pequena formiga, que se encontrava na erva e tinha reparado no caçador que punha a sua flecha no arco, se precipitou sobre ele: subiu-lhe pelo pé e mordeu-lhe a barriga da perna com quanta força tinha.
         Fulminado pela dor, o caçador repentinamente voltou-se para se defender da mordedura. Ao fazê-lo, provocou um ruído seco e suspeito, que chegou aos ouvidos da faraona. Esta, ao pressentir o perigo, num abrir e fechar de olhos levantou voo e escapou a grandes golpes de asas. Ela nunca chegou a sabê-lo: mas teve a sua vida salva graças à intervenção da pequena formiga.
         É por isso que os anciãos dizem que na vida, com muita frequência, não são só os pequenos que têm necessidade dos grandes, mas também os grandes que, muitas vezes sem o saberem, têm necessidade da ajuda dos pequenos. Dizem, sobretudo, que as boas ações nunca se perdem.


[1] Galinha-da-guiné

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