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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Teste de 7º ano corrigido- texto narrativo

I
Compreensão do oral

Ouve atentamente a gravação de um texto. De seguida escolhe a alínea que completa corretamente cada uma das afirmações:

1.A narradora, Brenda, para não ouvir David, disse-lhe que lhe apetecia
a. ver um filme.
b. ler um livro.
c. jogar PSP.
d. brincar no jardim.

2.Quando ofereceu um livro a David, este reagiu como se lhe estivesse a oferecer
a. um bolo.
b. uma pedra.
c. um lacrau.
d. um espinho.

3. O rapaz preferia
a. andar de bicicleta.
b. sair com os amigos.
c. ir ao cinema.
d. jogos e filmes.

4. O livro que Brenda estava a ler era
a. recente e fora escrito há poucos anos.
b. do século XVI.
c. antigo, do século passado.
d. moderno.

5. A personagem central, o Principezinho, morava
a. num asteroide.
b. num meteorito.
c. numa galáxia.
d. num planeta-anão.

6. O livro contava a história de um aviador
a. que foi a um palácio.
b. que teve uma avaria no deserto.
c. que foi a um casamento real.
d. que conheceu uma princesa.

7. O mais importante no livro
a. são as aventuras excitantes.
b. são os conselhos dados pelo aviador.
c. é o significado que há por trás das palavras.
d. é a vida das personagens.

8. Brenda leu um excerto em que o Principezinho conversava com
a. um político.
b. um geógrafo que contava as estrelas.
c. uma bailarina.
d. um comerciante.

9. David achava que o Principezinho era
a. um querido.
b. um atrevido.
c. muito ingénuo.
d. um idiota.

10. Brenda e David
a. não se entendiam, pois eram muito diferentes.
b. eram grandes amigos.
c. respeitavam-se mutuamente.
d. eram amigos, mas às vezes desentendiam-se.
II
Leitura
Lê o texto com atenção e, de seguida, responde às questões com frases completas:

A QUEDA DE SANTA-MARIA
Foi por uma noite de nuvens baixas: por uma dessas noites tão desprovidas de luz que a brisa parece feita de musgo e o próprio ar de limos e de lodo. Roberto Santa-Maria, escriturário natural de Ambaca, vinha de visitar a noiva nos penedos de Pungo Andongo, quando de repente sentiu o chão dissolver-se debaixo de si e caiu, caiu, caiu, ininterruptamente e longamente, numa queda que parecia não ter fim. Acordou embrulhado em espessas teias de aranha e logo ali percebeu que lhes devia a vida visto que fora caindo por entre elas como quem desliza entre cortinas de seda e chegara assim ao chão mais leve que um breve pássaro. Durante as primeiras horas acreditou haver caído no inferno, não só devido à profundidade do lugar, mas sobretudo por causa do insuportável cheiro a carne podre. Preso de um infinito horror tacteou em volta mas não encontrou nada a não ser húmidas paredes de terra e formas móveis de pequenos insetos. Compreendeu depois que caíra sobre um ninho de formigas-cadáver e teve então a certeza de que já estava morto pois mesmo que alguma vez saísse dali nunca mais aquele cheiro se lhe desentranharia do corpo.
Sete semanas mais tarde, Afonso-o-Caçador passou pelo local acompanhado por uma vintena de serviçais e igual número de cães e deu com o improvável buraco no chão. Curioso, ajoelhou-se sobre ele e gritou para dentro, tentando avaliar pelo eco a profundidade do poço. O grito rolou pelas paredes e despenhou-se, desmedido e múltiplo, dentro da cabeça de Roberto Santa-Maria, como uma trovoada no interior de uma catedral. O ambaquista demorou a levantar-se e a gritar também, fraco como estava de andar há cinquenta e um dias a sorver apenas a humidade das pedras e a comer aranhas e formigas-cadáver. Afonso estranhou o eco, em particular porque lhe chegaram dois, e o segundo era triste e descorado como uma lombriga da terra. Gritou de novo e dessa vez o grito-lombriga chegou antes do seu.
Sucuama! — Espantou-se o caçador —, está um homem lá dentro…
E logo mandou que lhe fossem procurar uma corda para libertar o infeliz. Veio a corda e com ela muito gentio das redondezas, alarmado pela notícia de que Afonso pretendia extrair um homem de dentro de um buraco.
Lançada a corda para dentro do poço, Santa-Maria agarrou-se a ela e os serviçais começaram a puxar, trabalho facilitado pelo pouco peso do desditoso escriturário. Já tinham puxado muitos metros de corda e ainda faltavam puxar outros tantos quando principiou a ascender do buraco um bafo pútrido a pauis antigos e em breve o ar estava tão insalubre que parecia que tinham morto ali mil dinossauros.
Roberto Santa-Maria assomou à luz e ninguém o reconheceu, pois trazia a pele inteiramente recoberta por um veludo verde e os cogumelos brotavam-lhe dos cabelos como se fossem pequenas serpentes em posição de ataque. Houve primeiro um estático segundo de assombro e depois a multidão virou-se para trás e começou a fugir, os mais novos atropelando os mais velhos e estes uns aos outros num irreprimível furor de manada enlouquecida.
Menor não foi o susto de Roberto Santa-Maria ao ver toda a gente a fugir de si. Depois, mais calmo, sacudiu os cogumelos dos cabelos mas foi incapaz de se limpar dos fungos que lhe cobriam a pele. Desalentado pôs-se a caminhar em direção ao norte, murmurando pragas contra a sua sorte maldita. Diante dele caminhava o cheiro: um fedor inconcebível a cidades destroçadas, silencioso e triste como um amor sem esperança. De maneira que antes mesmo do escrivão atingir as cercanias de Ambaca, já uma brisa carregada de presságios e de melancolia afugentara o povo, os bois, as aves e até os bichos silvestres. Roberto Santa-Maria encontrou à sua frente só sanzalas sem vida e foi-as atravessando uma por uma, dentro de um silêncio tão intenso que o respirar das árvores se tornara audível. Ao declinar a tarde encontrou um velho a quem o excesso dos anos enovelara a tal ponto o quebrantado corpo que nele se não distinguia extremidade alguma, quase se confundindo com turva pedra ou chamuscado pedaço de madeira. O velho viu-o aproximar-se com os olhos abertos de estupor e assim se manteve até que Roberto lhe tocou com a ponta dos dedos. Então desdobrou-se como um bicho-de-conta e largou a correr, numa gritaria capaz de despertar os anjos no regaço do Senhor.
Foi este o primeiro milagre de Santa-Maria.
Mais depressa do que o vento se espalhou a novidade da cura e logo no dia seguinte um grupo de aflitos seguiu o caminho inverso do desgraçado cheiro que para sempre se colara ao escrivão e encontrou-o desesperado e pensativo junto ao buraco de onde, acreditava agora, nunca deveria ter saído. Vendo-os chegar julgou Roberto que os traziam propósitos assassinos e de um pulo lançou-se dentro do poço.
A partir desse dia o lugar passou a receber a visita de grande número de peregrinos, trazidos de longe pelo rumor dos milagres que ali se produziam. Vinham escutar a voz do buraco e respirar o ar apodrecido que dele se desprendia e que segundo a crença popular tinha a virtude de curar as mais insólitas malformações do corpo humano.
José Eduardo Agualusa, in A Feira dos assombrados e outras estórias verdadeiras e inverosímeis

1. Roberto Santa-Maria, escriturário de Ambaca, numa noite de azar caiu num buraco profundo. Que expressões textuais usou o narrador para realçar a profundidade desse buraco?
2. Como reagiu Roberto Santa-Maria ao seu infortúnio?
3. Como sobreviveu Roberto durante aquelas semanas em que permaneceu no buraco?
4. Explica como se deu a descoberta de Roberto Santa-Maria.
5. Para realçar o cheiro pestilento que saía do buraco durante o salvamento, o narrador recorre a uma hipérbole. Identifica-a.
6. Ao caracterizar Roberto, quando este saiu finalmente do buraco, o narrador usa uma comparação. Identifica-a.
7. Como se deu o primeiro milagre de Roberto? Que efeitos provocou nas pessoas e na região?
8. Caracteriza o narrador deste conto.
9. Qual será a lição de moral (ou uma das lições de moral) que podemos concluir a partir da leitura deste texto?
III
Conhecimento Explícito da Língua

1.     Identifica as funções sintáticas sublinhadas nos enunciados que se seguem:
a.    Roberto Santa-Maria, escriturário natural de Ambaca, vinha de visitar a noiva nos penedos de Pungo Andongo”
b.    teve então a certeza de que já estava morto
c.    “teve então a certeza de que já estava morto
d.    e assim se manteve até que Roberto lhe tocou com a ponta dos dedos”

2.    Refere a subclasse dos verbos sublinhados, tendo em conta os complementos por eles selecionados:
a.    teve então a certeza de que já estava morto”
b.    Ao declinar a tarde encontrou um velho a quem o excesso dos anos”
c.    “tinha a virtude de curar as mais insólitas malformações do corpo humano”
d.    sentiu o chão dissolver-se debaixo de si e caiu, caiu, caiu

3.    Substitui o complemento direto das frases que se seguem por um pronome pessoal:
a.    Roberto foi visitar a noiva a Pungo Andongo.
b.    O escriturário comeu vários insetos.
c.    Uns caçadores encontraram o Roberto Santa-Maria.
d.    As pessoas apreciariam os milagres.

IV
Escrita
Imagina que, ao passares por um campo abandonado, te acontece o mesmo que aconteceu a Roberto Santa-Maria e que ias ter a um outro mundo. Conta a tua aventura, num texto entre 100 e 140 palavras.


BOM TRABALHO!                                                      A DOCENTE:  Lucinda Cunha
COTAÇÕES:

Grupo I……… 10 pontos
Grupo II ……….. 50 pontos
1 ……………… 6 pontos
2 e 3…………. 4 pontos
4………………. 6 pontos
5 e 6 …………….5 pontos
7……………….10 pontos
8 e 9…………… 5 pontos
Grupo III……………………. 20 pontos
1……………………………..6 pontos
2……………………….……. 6 pontos
3……………………………..8 pontos.
Grupo IV ……………………… 20 pontos
(estruturação temática e discursiva – 15; Organização e correção textuais – 10)



CORREÇÃO
(texto usado no grupo I encontra-se o manual Com todas as letras de 8º ano, Porto Editora, pp. 114-116- está incluído no CD áudio-, mas as questões foram criadas por mim, assim como as restantes do teste)

I-1b;2c;3d;4c;5a;6b;7c;8d;9d;10a

II
1.    Para realçar a profundidade do buraco, o narrador usa as expressões “caiu, caiu, caiu”, “ininterruptamente e longamente” e “numa queda que parecia não ter fim”.
2.    Roberto ficou horrorizado com a sua pouca sorte e julgou mesmo ter caído no inferno.
3.    O homem sobreviveu a sorver a humidade das pedras e a comer aranhas e formigas-cadáver.
4.    Quem o encontrou foi Afonso-o-Caçador, que passou por ali com os criados e os cães. Ao ver o buraco, e para tentar avaliar a sua profundidade, gritou lá para dentro e Roberto respondeu, apesar de estar muito fraco.
5.    em breve o ar estava tão insalubre que parecia que tinham morto ali mil dinossauros”
6.    os cogumelos brotavam-lhe dos cabelos como se fossem pequenas serpentes em posição de ataque”
7.    O primeiro milagre de Santa-Maria deu-se quando, ao tocar num velho, que foi o único que não fugiu porque estava tão retorcido que mal se conseguia mexer, este desatou a correr e a gritar desesperadamente. Ao saberem o que aconteceu, as pessoas decidiram seguir Roberto para conseguirem, também elas, ser curadas.
8.    Narrador heterodiegético.
9.    A moral deste conto será que não se deve julgar os outros pela aparência, pois somos muito mais do que os olhos alcançam.
III
1.    a. complemento direto
b. predicativo do sujeito
c. predicado
d. complemento indireto

2. a. copulativo
b. e c. transitivos diretos
d. intransitivo

3. a. Roberto foi visitá-la a Pungo Andongo.
b. O escriturário comeu-os.
c. Uns caçadores encontraram-no.
d. As pessoas apreciá-los-iam.

IV- resposta aberta

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