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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Fábula da Costa do Marfim


A Lebre e o Porco-Espinho
Por: Redacção

Para esperto, esperto e meio. Mas, como mostra esta fábula da Costa do Marfim, a esperteza tem o seu preço. E, ao entrar no jogo de enganar o próximo, há que contar sempre com uma resposta à altura.

Durante uma tremenda carestia, o Porco-Espinho e a Lebre puseram-se juntos a caminho em busca de comida. Ao chegarem à primeira aldeia, combinaram que ele continuaria a chamar-se Porco-Espinho e ela Estrangeiro. Bateram à porta do chefe, que os recebeu hospitaleiramente. E disse à esposa para lhes arranjar de comer.

Pouco depois, a mulher trouxe uma bacia de comida dizendo:

– Estrangeiros, aqui têm a comida.

Ambos se precipitaram sobre a vasilha, mas a Lebre disse ao Porco-Espinho:

– Calma, amigo! Se bem entendi, a comida era para o Estrangeiro, que sou eu, pois tu chamas-te Porco-Espinho.

O pobre do animal lá ficou de barriga vazia. Entretanto, caiu a noite. Como tinha muita fome, resolveu ir à procura de comida nos campos em redor. Mas, primeiro, tirou a sua roupa e vestiu a da Lebre, que adormecera de barriga cheia. Comeu tudo o que encontrou: inhame, batatas, cenouras...

No dia seguinte, os habitantes ficaram estarrecidos ao ver os seus campos todos revolvidos e foram ter com o chefe dizendo:

– Foram os estrangeiros que acolheste que nos deram cabo das hortas.

O chefe mandou que viessem à sua presença e disse-lhes furioso:

– Estrangeiros, aqui não há ladrões. Portanto só podeis ter sido vós a destruir tudo.

A Lebre olhou para o Porco-Espinho, que se dirigiu à multidão dizendo:

– Se bem entendi, o chefe disse que foram os estrangeiros os culpados. Ora, eu sou o Porco-Espinho. Só pode ter sido o Estrangeiro (e apontou a Lebre), porque a minha roupa está limpa e a dele está toda suja de terra.

Perguntaram, então, ao Porco-Espinho que castigo se haveria de dar à Lebre e ele respondeu:

– Umas 40 palmadas no rabo devem chegar – respondeu.

Mas a Lebre não se ficou e retorquiu:

– Senhor chefe, eu não saí de casa a noite inteira, porque comi muito bem. Se não acredita em mim, faça-nos vomitar a comida e verá que tenho razão.

Então o chefe mandou dar-lhes uma poção amarga e ambos vomitaram o que tinham comido: a Lebre a comida preparada pela esposa do chefe e o Porco-Espinho o inhame, as batas e as cenouras.

A Lebre tinha razão. Perguntaram-lhe então que castigo se daria ao companheiro:

– Uns 80 açoites devem bastar – respondeu.

Açoitaram-no e expulsaram-nos da aldeia. O Porco-Espinho saiu à frente da Lebre e chegou a uma aldeia de ferreiros, a quem disse:

– Vem ali atrás um criado meu, com dois abanadores à cabeça. São para vós, para abanardes as brasas na forja. E prosseguiu caminho.

Logo que a Lebre chegou, atiraram-se a ela e cortaram-lhe as orelhas. Esta, furibunda, deitou a correr atrás do Porco-Espinho, passou-lhe à frente e encontrou um grupo de caçadores, a quem disse:

– Está a chegar um criado meu com um carrego de setas às costas. São para vós, tirem-lhas!

E eles assim fizeram. A Lebre morria de riso ao ouvir os gritos do companheiro. Era a sua vingança. Mas o Porco-Espinho ainda não dissera a última palavra. Deitou novamente a correr, passou à frente da Lebre, encontrou um grupo de caçadores com cães e gritou-lhes:

– Caçadores, não façam barulho, porque ali atrás vem caça grossa! Ides ter comida para mais de uma semana!

Os caçadores ficaram de atalaia e quando a Lebre apareceu, atiçaram-lhe os cães. Mas ela, espertalhona, fintava-os bem, enquanto ia dizendo de si para si, pensando no Porco-Espinho: «Enquanto não tiveres atravessado o rio, não insultes o jacaré!»

http://www.alem-mar.org


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