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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Um conto da Ásia

As sete estrelas da Ursa Maior

A bondade, por muito que se queira esconder, há-de sempre vir ao de cima. Como nesta fábula que os naturais da Coreia contam sobre uma velhinha e os seus filhos.
Há muitos, muitos anos, havia uma viúva velhinha que morava com os seus sete filhos numa zona rural a leste de Seul (Coreia do Sul), nas margens de uma ribeira. Os filhos adoravam a mãe.
Antes de o Inverno chegar, os filhos costumavam ir todos os anos à serra ali em frente cortar lenha para manter a fogueira acesa na loja por debaixo da casa. Pensavam que o chão assim quentinho pudesse permitir à velha mãe dormir uns bons sonos.
Mas, apesar de todos estes esforços, a mãe tinha sempre frio e o seu rosto macilento toldava-se de uma profunda, inexplicável tristeza. Quanto mais os jovens deitavam lenha no lume, mais e velha mãe parecia ter frio. Até mesmo durante o Verão, quando fazia muito calor lá fora, a mãe tremia de frio.
Certa noite, o filho mais velho, acordou de repente com uma estranha sensação. Levantou-se e foi ver como estava a mãe, mas o quarto dela estava vazio. Bastante preocupado, o jovem voltou para a cama e fingiu dormir; mas, na realidade, os seus ouvidos estavam atentos ao mais pequeno ruído de passos.
Eis senão quando, pouco antes do amanhecer, a mãe regressou a casa, caminhando de mansinho para não acordar os filhos.
Na noite seguinte, quando a mãe saiu de casa com um saco na mão, o filho mais velho seguiu-a de longe, curioso de saber para onde ela ia. Em pleno Inverno, a natureza em redor parecia morta.
Ao chegar às últimas casas da aldeia na margem da ribeira, a mulher levantou um pouco as saias e começou a atravessar as águas geladas em direcção à margem oposta, enquanto se ia lamentando: «Meu Deus, que gelada que está! Que frio! Que frio!»
Aí chegada, deteve-se em frente de uma cabana em ruínas e, batendo à porta, começou a dizer baixinho: «Pai, pai, abre!»
Apareceu então à porta um velhinho, que a convidou a entrar. Era um pobre ancião viúvo, muito conhecido nas redondezas, que ganhava uns cobres, que mal lhe davam para sobreviver, fazendo cestas de vimes.
O jovem compreendeu então os sentimentos do nobre coração da mãe. Regressou rapidamente a casa, acordou os irmãos e, juntos, começaram a levar para a ribeira grandes pedregulhos, para fazerem uma passadeira, a fim de que a mãe pudesse atravessá-la sem molhar os pés. Depois regressaram a casa e, deitando-se nas esteiras, adormeceram como se nada tivesse acontecido.
Quando a velha mãe saiu da cabana para regressar a casa, reparou naqueles pedregulhos, que nunca tinha visto ali. Mas nunca imaginou que fossem os filhos a levá-los para lá.
A velhinha sentiu nascer-lhe no coração uma profunda gratidão e rezou assim: «Deuses do céu, fazei com que aqueles que esta obra executaram tenham a dita de se tornarem as sete estrelas do Norte!»
Como recompensa da sua bondade, os sete amorosos filhos, quando morreram, foram sendo transformados pelos deuses nas sete estrelas da Ursa Maior, constelação que no Ocidente indica o Norte.
http://www.alem-mar.org

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