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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Mais uma fábula do Benim

O tecido, o ferro e a prata
Por: PAOLO VALENTE

O tecido, o ferro e a prata Desde sempre homens e mulheres dão valor aos objectos materiais. Mas nem todos resistem à erosão do tempo. Os que resistem recebem o seu valor das relações e dos afectos que tecem a vida, a começar pela fidelidade.



Na aldeia havia uma mulher que tinha três filhos. O mais velho chamava-se Tecido, o segundo chamava-se Ferro e o filho mais novo Prata. Viviam felizes com a mãe na aldeia, no meio da floresta. Mas, um dia, uma grande carestia assolou a região, havia pouco que comer e a água escasseava. Os três filhos viram-se forçados a abandonar a casa materna para sobreviver noutros lugares. Antes de partirem, despediram-se da mãe e juraram não a esquecer e voltar para a levar com eles se conseguissem ter sorte.

Passaram-se dias, meses e anos. Os três filhos conseguiram sobreviver e ter êxito na vida. Tornaram-se reis nas aldeias onde se estabeleceram. Mas na luta pela sobrevivência e com o passar do tempo esqueceram-se da mãe. A pobre mulher sobreviveu como pôde, consumida pelas preocupações do dia-a-dia e pela velhice. Passava horas sentada à porta da sua cabana, à espera que algum dos filhos chegasse. Como não tinha quem a ajudasse, foi descuidando o seu aspecto: os seus vestidos gastaram-se e parecia uma pessoa abandonada por todos. Na sua pobreza, porém, não deixou morrer em si o desejo de voltar a ver os filhos. Um dia decidiu deixar a aldeia e pôr-se a caminho à sua procura. Vê-los, beijá-los antes de morrer, era o seu único desejo.

Chegou, assim, à aldeia onde Tecido se tinha tornado rei. Pediu informações do filho, que, segundo ouvira, se tinha tornado rei da localidade. Ao ver o seu aspecto, a gente não acreditou nela e queria impedi-la de chegar à cabana real. Afirmando ser sua mãe, finalmente, conseguiu chegar à presença do rei. Mas a sua desilusão foi grande. O jovem soberano, em vez de se levantar e a abraçar, mandou expulsá-la e pô-la fora da porta. Com o aspecto miserável com que estava, as roupas a desfazerem-se, o seu filho Tecido não a reconheceu. «Uma tal megera não pode ser minha mãe», disse com arrogância.

A mãe, ao sair da aldeia, amaldiçoou-o: «Honrar-te-ão enquanto pareceres bonito… mas acabarás remendado no monte do lixo!» E continuou o seu caminho à procura da aldeia onde Ferro era rei. A cena repetiu-se e a mãe, ignorada pelo filho Ferro, pronunciou entre lágrimas a sua maldição: «Na tua riqueza esqueceste a tua mãe. Os homens dão-te valor agora, mas acabarás os teus dias velho e ferrugento abandonado no monte do lixo.»

Com as forças de que dispunha ainda conseguiu ir até à aldeia onde o filho Prata era rei. Teve de lutar para convencer as pessoas de que era a mãe do rei e a deixassem chegar à sua presença. Mas o sonho dela realizou-se. O filho Prata, ao vê-la chegar, correu ao seu encontro e abraçou-a, sem olhar à sujidade em que ela se encontrava e à sua aparência pobre. Chamou as servas, que imediatamente tomaram cuidado dela, a lavaram e vestiram convenientemente. Tão contente de a ver, o filho fê-la sentar a seu lado.

A alegria da mãe foi tal que não resistiu à emoção... Antes de morrer abençoou-o dizendo: «Prata, meu benjamim, tinhas-me esquecido, mas agora reconheceste-me e remiste-te. Fizeste-me sair da miséria. Para ti vai a minha bênção: os homens amar-te-ão com um amor sem par, farão tudo para te possuir e nunca acabarás no lixo.» A mãe adormentou-se nos braços do filho e, desde então, nunca se ouviu dizer que algum objecto de prata tenha sido encontrado no monte do lixo, onde se encontram sempre tecidos usados e ferro velho.



In http://www.alem-mar.org

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