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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Conto popular de Angola


A rã Mainu (conto popular de Angola)



Quando o filho de Kimanaueza chegou à idade de casar, o pai perguntou.-lhe se queria escolher a noiva. Mas ele deu uma resposta surpreendente:

– Não me casarei com uma mulher da terra, só casarei com a filha do senhor SOL e da senhora LUA.

– E como pensas pedi-la em casamento?

– Cá me hei de arranjar.

O rapaz escreveu uma carta e foi pedir a um veado que a levasse. Ele recusou:

– Sendo um animal terrestre, não posso levar ao céu a carta.

– Tens razão, vou arranjar outro mensageiro.

Depois de falar com o antílope que lhe deu uma resposta semelhante à do veado, o rapaz procurou quem pudesse voar. Teve uma conversa com o falcão, que ainda agitou as asas mas desistiu:

– Desculpa, não te posso valer. O céu é muito alto.

Quanto ao abutre, foi mais direto:

– Nem penses. O fôlego só me permite ir até meio caminho.

Desconsolado o rapaz guardou a carta. Acontece que a notícia daquele estranho desejo já se tinha espalhado pela aldeia e chegou aos ouvidos da rã Mainu, que resolveu oferecer os seus serviços. O rapaz ficou admirado e até zangado:

– Como te atreves a dizer que vais ao céu se aqueles que possuem asas garantem que não é possível!

– Dá-me a carta e eu levo-a - insistiu a rã Mainu.

Ele aceitou com maus modos.

– Toma. Mas olha que se não cumprires o combinado, levas uma sova.

A rã não ficou nada aflita. Dirigiu-se ao poço onde o povo do Sol e da Lua costumava abastecer-se de água, prendeu a carta na boca, desceu e ficou quieta.

As pessoas esperadas não tardaram e logo que lançaram o balde à água a rã entrou disfarçadamente e assim viajou até ao céu sem ninguém saber. Chegando ao destino, deu um pulo e foi colocar a carta no quarto do rei Sol e da senhora Lua. Eles ficaram muito admirados quando leram a carta mas aceitaram o pedido. A rã Mainu regressou a casa pelo mesmo processo. A noiva desceu à terra deslizando por um fio especial tecido pela aranha que servia o rei.

O rapaz casou com a filha do senhor Sol e da senhora Lua, foram felizes para sempre e tudo graças à inteligência viva da rã Mainu.


 In http://www.ciadejovensgriots.org.br/Contos_Africanos_Infantis/Gracas_a_ra_Mainu.php

Conto que consta também em Rãs, Príncipes e Feiticeiros (oito histórias dos oito países que falam português), de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska.

5 comentários:

  1. encontrei outra versão em que há as cartas trocadas pelas personagens.

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  2. Gostei muito do conto e da forma como o escreveu. Posso utiliza-lo num trabalho que estou a fazer? Muito obrigada,
    Cecília Rezende

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    Respostas
    1. Olá, boa noite. O conto não é meu, tem a referência no final, e claro que pode usar quando quiser, como tudo o resto que está neste blogue. ;-)

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  3. Estava à procura de um conto angolano para fazer uma recriação para livro e gostei deste e da forma que conta. Também me deu a ideia de recriar contos tradicionais de outros países dos palop. Obrigada

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