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Sei que há muita gente que consulta este blogue e utiliza os materiais aqui publicados, mas poucos deixam comentários e eu gostava mesmo de saber a vossa opinião... :-)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

teste de 7º ano- texto narrativo- corrigido


I

Compreensão do oral

 

Ouve atentamente o conto tradicional “A noiva do corvo de Teófilo Braga. De seguida escolhe a alínea que completa corretamente cada uma das afirmações (20 pontos):

 

1. Havia, numa terra, um corvo que queria casar. À primeira rapariga que recusou o seu pedido, o corvo
a. prometeu vingar-se. ____
b. arrancou-lhe um pedaço do braço. ____
c. arrancou-lhe os olhos. ____
d. bicou-lhe as orelhas até sangrarem. ____
 
2. Com medo, uma rapariga aceitou casar-se com o corvo. A vizinha aconselhou-a a
a. chamuscar-lhe as penas. ____
b. arrancar-lhe algumas penas quando adormecesse.____
c. deitar-lhe veneno na comida. ____
d. contratar um bandido para o matar.____
 
3. A vizinha achava que, assim,
a. o corvo não magoaria mais a esposa. ____
b. lhe quebraria o feitiço. ____
c. dessa maneira ficaria com a magia do corvo.____
d. o corvo morreria.____
 
4. Ao fazer o que a vizinha lhe aconselhou, a rapariga
a. ficou sem os olhos. ____
b. recebeu a magia do marido. ____
c. enfraqueceu o corvo. ____
d. dobrou o encantamento do corvo.___
5. O corvo pediu à mulher que chamasse os pássaros para
a. lhe darem as suas penas. ____
b. chorarem no seu funeral. ____
c. adorarem o seu rei. _____
d. o levarem até ao paraíso. ____
 
6. Logo de seguida, o corvo
a. morreu. ____
b. ficou transformado em pó. ____
c. bateu as asas e desapareceu. ____
d. foi levado pelo demónio. ____
 
7. Antes de desaparecer, o corvo disse à mulher que, para o tornar a ver, teria de
a. dançar durante sete semanas. ____
b. romper uns sapatos de ferro. ____
c. fazer um pacto com o diabo. ____
d. mandar rezar uma missa pela sua alma. ____
 
8. Ao perguntar a um velho se tinha visto um pássaro, aquele disse-lhe que
a. não tinha visto nenhum. ____
b. só tinha visto rolas e pombas. ____
c. naquela zona não havia pássaros. ____
d. vira muitos na fonte Madrepérola. ____

 


9. Um corvo que encontrou disse-lhe para entrar numa casa ao pé de uma fonte e para
a. matar o velho que a guardava e quebrar as gaiolas que ele tinha.____
b. procurar aí o seu marido. ____
c. esperar aí o rei dos pássaros. ____
d. bater à porta. _____
10. Ao fazer o que o corvo mandou, a rapariga descobriu que o seu marido era
a. um feiticeiro.____
b. um belo rapaz. ____
c. o rei. ____
d. um duende encantado. ____

 
II

Leitura

Lê o texto com atenção e, de seguida, responde às questões:


1
 
 
 
5
 
 
 
 
10
 
 
 
 
15
 
 
 
 
20
 
 
 
 
          Cão bonito, dizia eu, em momentos raros. E era um acontecimento lá em casa. Os filhos como se reconciliavam comigo, minha mulher sorria, o cão começava por ficar surpreendido e depois reagia com excesso de euforia[1], o que por vezes me fazia arrepender da expressão carinhosa.
          Cão bonito. E ei-lo aos pulos, a dar ao rabo, a correr a casa toda.
          Digamos que aquele cão era quase um especialista nas relações com os humanos. Tinha o dom de agradar e de exasperar[2]. Mas assim que eu dizia ―Cão bonito― ele não resistia. Deixava-se dominar pela emoção, o que não era vulgar num cão que fazia o possível e o impossível para não o ser.
          Mas faça-se justiça: sempre partilhou as nossas alegrias e as nossas tristezas. Estou a vê-lo no dia do funeral do meu pai. Quando viemos do cemitério ele correu a casa toda, percebeu que havia uma falta, ou talvez sentisse uma presença que nós fisicamente já não sentíamos. Subiu as escadas, desceu as escadas, entrou e saiu de cada sala, deu voltas ao jardim, tornou a correr a casa toda. Até que de repente parou e foi enroscar-se, como sempre, aos pés de meu pai, quero dizer, em frente à cadeira vazia onde meu pai costumava sentar-se. Ou talvez para ele a cadeira não estivesse assim tão vazia.
          ― Ele está a sentir o avô, disse o meu filho mais velho.
          E talvez fosse verdade. Talvez para ele o meu pai estivesse mesmo deitado aos seus pés. Talvez o meu pai lhe estivesse a fazer uma festa, o que era um facto verdadeiramente excecional. E talvez só ele a sentisse. Não víamos o que ele via, e não sabíamos o que ele sabia.
          (É possível que o meu pai também ande por aí. Às vezes sinto-o dentro de mim, ele apodera-se dos meus gestos, entra no meu andar, não é a primeira vez que a minha irmã me diz: Pareces o pai.
          Mas não sei se ela sabe que a cadeira vazia do pai não está vazia, há nela uma ausência sentada e agora, sempre que vamos a Águeda, há, a seus pés outra ausência enroscada.)
Manuel Alegre, Cão como nós, Dom Quixote

1.    Raramente o narrador chamava “Cão bonito” (l. 1) ao seu cão.

1.1.        Refere o sentimento que o dominava ao usar esta expressão (4 pontos).


2.    Explica o significado da expressão “em momentos raros” (l. 1) (4 pontos).


3.    A família reagia à forma como o narrador tratava o seu cão. Que motivos os levariam, na tua opinião, a reagir daquela maneira (5 pontos)?

 

4.    Segundo o narrador, o cão comportava-se como um ser humano.

4.1.        Apresenta as razões que apoiam este ponto de vista (6 pontos).

 

5.    “Mas faça-se justiça: sempre partilhou as nossas alegrias e as nossas tristezas.” (l. 9).

5.1.        Descreve o acontecimento que serve de argumento a esta afirmação (5 pontos).

 

6.    O cão acaba por ser o protagonista deste conto. Apresenta dois argumentos que fundamentem esta afirmação (6 pontos).

 

III

Gramática

 

1.    Refere a subclasse dos nomes que se seguem (3 pontos):

Cão
 
flora
 
Euforia
 
biblioteca
 
cimento
 
Kurika
 

 

2.    Identifica a subclasse a que pertencem os determinantes presentes nas frases que se seguem (2,5 pontos):

a.    Este cão parece uma pessoa!

b.    Que cão preferes?

c.    Certa pessoa elogiou o nosso cão.

 

3.    Identifica as funções sintáticas sublinhadas no excerto de Cão como nós que se segue (3,5 pontos):

 

“É certo que às vezes me rosnava. Mas um cão não rosna ao dono, mesmo que se trate de um cão com a mania que o não é. Por isso tinha de o meter na ordem. O que às vezes fazia, confesso, com algum prazer, revoltado com as liberdades que ele se permitia com o resto da família. Então era preciso repor a hierarquia, eu era o dono, ele era o cão, eu levantava a mão e ele agachava-se.”

 

3.1.        Dos enunciados sublinhados, retira um grupo nominal, um verbal e um preposicional (1,5 pontos).

 

 

4.    Refere se as frases que se seguem estão na voz ativa ou na passiva, colocando à sua frente as letras (A) ou (P), conforme o caso (1,5 pontos):

a.    O narrador possuía um cão teimoso. (        )

b.    Kurika foi recebido pela família do narrador com muito amor. (        )

c.    Este cão é amado por todos. (        )

 

4.1.        Retira, das frases atrás apresentadas, os complementos agente da passiva (2 pontos).

 

4.2.        Agora, transforma as frases, passando as que estão na voz ativa para a passiva e vice-versa (6 pontos).

 

IV

Escrita

            Redige um texto de opinião, correto e bem estruturado, com um mínimo de 90 e um máximo de 140 palavras, em que dês a tua opinião acerca dos benefícios que os animais domésticos representam na vida das pessoas (30 pontos)

            O teu texto deve incluir:

            - um parágrafo de abertura, ou introdução, para apresentação do assunto;

            - um ou mais parágrafos de desenvolvimento;

            - um último parágrafo, de conclusão.

************

                                      Atenção: *Antes de redigires o texto, esquematiza, numa folha de rascunho, as ideias que pretendes desenvolver na introdução, no desenvolvimento e na conclusão (planificação);

                   *Tendo em conta a tarefa, redige o texto segundo a tua planificação (textualização);

                   *Segue-se a etapa de revisão, que te permitirá detetar eventuais erros e reformular o texto. Para tal, consulta o conjunto de tópicos que a seguir te apresento:

Tópicos de revisão da Expressão Escrita
Sim
Não
Respeitei o tema proposto?
 
 
Estruturei o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão?
 
 
Respeitei as características do tipo de texto solicitado?
 
 
Selecionei vocabulário adequado e diversificado?
 
 
Utilizei um nível de linguagem apropriado?
 
 
Redigi frases corretas e articuladas entre si?
 
 
Respeitei a ortografia correta das palavras?
 
 
Respeitei a acentuação correta dos vocábulos?
 
 
Identifiquei corretamente os parágrafos?
 
 
A caligrafia é legível e sem rasuras?
 
 

           

 

 

 

 

 

 

BOM TRABALHO!                 A DOCENTE:  Lucinda Cunha

 

Proposta de correção

 

Grupo I-1.c; 2.a; 3.b; 4.d; 5.a; 6.c; 7.b; 8.d; 9.a; 10.c

A Noiva do Corvo

Havia numa terra uma mulher, que tinha em sua companhia um corvo. Defronte dela moravam três raparigas muito lindas. Como o corvo queria casar, mandou falar à mais velha; respondeu-lhe que não, e o corvo, raivoso, arrancou-lhe os olhos. Sucedeu o mesmo com a segunda, até que a terceira sempre se sujeitou a casar com o corvo.

Tempos depois de já viverem na sua casa, a rapariga falou a uma vizinha no seu desgosto de estar casada com um corvo; a vizinha aconselhou-lhe que lhe chamuscasse as penas, porque podia ser obra de encantamento, e assim se quebraria. Quando à noite se foram os dois deitar, a rapariga chegou a candeia às penas do corvo; ele acordou logo, dando um grande berro:

- Ai, que me dobraste o encantamento! Se me queres salvar, vai pôr-te àquela janela, e todos os pássaros que vires, chama-os e pede-lhes assim: «Venham, passarinhos, venham despir-se para vestir el-rei que está nu.» De facto os passarinhos começaram a vir poisar na janela, e cada um deixava cair uma pena com que o corvo se foi cobrindo. Depois que ficou outra vez emplumado, o corvo bateu as asas e desapareceu, dizendo para a mulher: «Agora se me quiseres tornar a ver sapatos de ferro hás-de romper.»

A pobre rapariga ficou sozinha toda aquela noite, e logo que amanheceu foi comprar uns sapatos de ferro e meteu-se a correr o mundo. Tinha os sapatos quase estragados de andar, quando encontrou um velho e lhe perguntou se não tinha visto um pássaro. O velho respondeu:

- Eu venho da fonte da Madrepérola, onde estavam bastantes.

Ela continuou o seu caminho, e antes de chegar à fonte ali encontrou um corvo que lhe disse:

_ Olha, se quiseres salvar o rei, vai à fonte, onde estará uma lavadeira a lavar um vestido de penas, tira-lho e lava-o tu. Ao pé da fonte está uma casa, e um velho que a guarda; entra aí, mata o velho para poderes quebrar todas as gaiolas e dar a liberdade aos pássaros que ele tem lá presos.

A rapariga chegou à fonte, e fez como o corvo lhe tinha dito: lavou o vestido de penas, e depois entrou na casa onde estava o velho, fingiu que via vir pelo mar uma linda embarcação; o velho chegou-se à janela e a rapariga pegou-lhe pelas pernas e deitou-o ao mar. Depois quebrou todas as gaiolas e os pássaros em liberdade tornaram-se príncipes que estavam encantados, e entre eles estava o seu marido, que era o rei e lhes pôs obrigação de a servirem toda a vida.

 

Grupo II (questões e respostas retiradas de um teste do manual Conto Contigo 7, da Areal editores, pp. 6 e 7 do caderno “Avaliação”

1.1. O narrador mostra-se dominado pela afeição/ simpatia relativamente ao animal.

2. A expressão pode significar que os sentimentos do narrador para com o seu cão oscilavam, isto é, nem sempre estava disponível para ser amistoso com o animal.

3. Presume-se que a mulher e os filhos do narrador tinham uma grande simpatia e ternura pelo cão, o que não era tão evidente no narrador. Assim, sempre que este era amável com o cão, toda a família se alegrava.

4.1. O cão reagia, emotivamente, à alegria e à tristeza, à semelhança do que fazem os humanos, comportando-se em conformidade com estas emoções. O narrador esforça-se por fazer uma avaliação correta do comportamento do cão, reconhecendo que ele estava sempre atento aos acontecimentos familiares.

5.1. O acontecimento que confirma esta afirmação é a partilha da tristeza, no momento da morte do pai do narrador.

6. Apesar de a narrativa ser feita na 1ª pessoa, é o cão que o narrador descreve pormenorizadamente, apresentando-o como o protagonista do acontecimento relatado, a morte do seu pai. Aliás, o próprio título, “Cão como nós” indicia que a personagem principal é o cão.

Grupo III

1.cão- nome comum contável

euforia- nome comum não contável

cimento- nome comum não contável

flora- nome comum coletivo não contável

biblioteca- nome comum coletivo contável

Kurika- nome próprio

2.

Este- demonstrativo; uma – artigo indefinido

Que - interrogativo

Certa – indefinido; nosso- possessivo

3. ao dono-  complemento indireto

o- complemento direto

 na ordem- complemento oblíquo

 ele- sujeito 

a hierarquia- complemento direto

era o dono- predicado

agachava-se- predicado

3.1. um grupo nominal- o, ele, a hierarquia

um grupo verbal- era o dono, agachava-se

um grupo preposicional- ao dono, na ordem

4.

O narrador possuía um cão teimoso. (  A )

Kurika foi recebido pela família do narrador com muito amor. (  P  )

Este cão é amado por todos. (   P  )

4.1. pela família; por todos

4.2. Um cão teimoso era possuído pelo narrador.

A família do narrador recebeu Kurika com muito amor.

Todos amam este cão.

Grupo IV- resposta aberta

 



[1] Alegria entusiástica
[2] desesperar

2 comentários: