IA
Lê o texto que se segue e responde às
questões com frases completas:
1
5
10
15
20
25
30
35
40
45
50
|
Vós, diz Cristo, Senhor nosso,
falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra,
porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a
corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo
tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta
corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa
salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira
doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo
verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal
não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra
se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que
fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a
si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em
vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade?
Ainda mal!
Suposto,
pois, que ou o sal não salgue ou a terra se não deixe salgar; que se há-de
fazer a este sal e que se há-de fazer a esta terra? O que se há-de fazer ao
sal que não salga, Cristo o disse logo: Quod si sal evanuerit, in quo
salietur? Ad nihilum valet ultra, nisi ut
mittatur foras et conculcetur ab hominibus. «Se o sal perder a
substância e a virtude, e o pregador faltar à doutrina e ao exemplo, o que se
lhe há-de fazer, é lançá-lo fora como inútil para que seja pisado de todos.»
Quem se atrevera a dizer tal cousa, se o mesmo Cristo a não pronunciara?
Assim como não há quem seja mais digno de reverência e de ser posto sobre a
cabeça que o pregador que ensina e faz o que deve, assim é merecedor de todo
o desprezo e de ser metido debaixo dos pés, o que com a palavra ou com a vida
prega o contrário.
Isto é o que se deve fazer ao sal que não salga. E à
terra que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer? Este ponto não
resolveu Cristo, Senhor nosso, no Evangelho; mas temos sobre ele a resolução
do nosso grande português Santo António, que hoje celebramos, e a mais
galharda e gloriosa resolução que nenhum santo tomou.
Pregava Santo António em
Itália na cidade de Arimino, contra os hereges, que nela eram muitos; e como
erros de entendimento são dificultosos de arrancar, não só não fazia fruto o
santo, mas chegou o povo a se levantar contra ele e faltou pouco para que lhe
não tirassem a vida. Que faria neste caso o ânimo generoso do grande António?
Sacudiria o pó dos sapatos, como Cristo aconselha em outro lugar? Mas António
com os pés descalços não podia fazer esta protestação; e uns pés a que se não
pegou nada da terra não tinham que sacudir. Que faria logo? Retirar-se-ia?
Calar-se-ia? Dissimularia? Daria tempo ao tempo? Isso ensinaria porventura a
prudência ou a covardia humana; mas o zelo da glória divina, que ardia
naquele peito, não se rendeu a semelhantes partidos. Pois que fez? Mudou somente
o púlpito e o auditório, mas não desistiu da doutrina. Deixa as praças,
vai-se às praias; deixa a terra, vai-se ao mar, e começa a dizer a altas
vozes: Já que me não querem ouvir os homens, ouçam-me os peixes. Oh
maravilhas do Altíssimo! Oh poderes do que criou o mar e a terra! Começam a
ferver as ondas, começam a concorrer os peixes, os grandes, os maiores, os
pequenos, e postos todos por sua ordem com as cabeças de fora da água,
António pregava e eles ouviam.
Se
a Igreja quer que preguemos de Santo António sobre o Evangelho, dê-nos outro.
Vos estis sal terrae: É muito bom texto para os outros santos
doutores; mas para Santo António vem-lhe muito curto. Os outros santos
doutores da Igreja foram sal da terra; Santo António foi sal da terra e foi
sal do mar. Este é o assunto que eu tinha para tomar hoje. Mas há muitos dias
que tenho metido no pensamento que, nas festas dos santos, é melhor pregar
como eles, que pregar deles. Quanto mais que o são da minha doutrina,
qualquer que ele seja tem tido nesta terra uma fortuna tão parecida à de
Santo António em Arimino, que é força segui-la em tudo. Muitas vezes vos
tenho pregado nesta igreja, e noutras, de manhã e de tarde, de dia e de
noite, sempre com doutrina muito clara, muito sólida, muito verdadeira, e a
que mais necessária e importante é a esta terra para emenda e reforma dos
vícios que a corrompem. O fruto que tenho colhido desta doutrina, e se a
terra tem tomado o sal, ou se tem tomado dele, vós o sabeis e eu por vós o
sinto.
Isto
suposto, quero hoje, à imitação de Santo António, voltar-me da terra ao mar,
e já que os homens se não aproveitam, pregar aos peixes. O mar está tão perto
que bem me ouvirão. Os demais podem deixar o sermão, pois não é para eles.
Maria, quer dizer, Domina maris: «Senhora do mar»; e posto que o
assunto seja tão desusado, espero que me não falte com a costumada graça. Ave
Maria.
Padre
António Vieira, Sermão de Santo António
|
1.
Atenta
no conceito predicável deste sermão: “Vós
sois o sal da terra”.
1.1.
A
quem se refere o pronome “Vós”?
1.2.
Interpreta
a frase.
2.
Explica
por que razão o orador inicia o seu discurso citando Cristo.
3.
A
terra está tão corrupta que a culpa pode ser da responsabilidade quer dos
pregadores, quer dos ouvintes.
3.1.
Explicita
a responsabilidade de uns e de outros.
4.
Refere
em que medida o Padre António Vieira se identifica com Santo António.
5.
Transcreve
do texto o excerto que mostra o objetivo do orador ao escrever este sermão.
6.
Justifica
a invocação que o autor faz à Virgem Maria.
IB
Num texto, entre 80 e 120 palavras, refere
em que medida as ideias do Padre António Vieira poderão ser consideradas
intemporais e sempre atuais, dando, pelo menos, um exemplo concreto.
II
1.
Lê
o texto que se segue com atenção e assinala as alíneas corretas para cada item:
1
5
10
|
Com
toda a sua vaidade e com toda a sua ambição, Vieira sabia-se portador de uma
mensagem importante para os seus compatriotas, mensagem que, desligada do seu
precário contexto histórico, ainda hoje continua importante. Intrépido, tomava
a defesa de grupos indefesos do império Português do século XVII: os
cristãos-novos em Portugal e os ameríndios no Brasil. Aberto e “ecuménico”,
concedia um lugar próprio a todas a raças e todas as culturas no seu Quinto
Império, que seria um mundo pacífico e unificado, mas não monótono ou
uniformizado. Acreditamos ─ talvez piamente, mas muito sinceramente ─ que, se
Vieira tivesse vivido durante algum tempo em terra islamita, onde reina “a
nefanda seita de Mafona”, também lá teria encontrado coisas respeitáveis e
teria excogitado meios apropriados para converter os muçulmanos com o mínimo
possível de sacrifícios culturais.
José Van Den
Besselaar, António Vieira: O Homem, a
Obra, as Ideias
|
1.1.
A
mensagem de Vieira que “ainda hoje
continua importante” (ll. 3) centra-se na ideia de que
a)
Portugal
voltará a formar um grande império.
b)
todos
os povos devem viver em harmonia e em comunhão.
c)
a
mensagem cristã ainda é importante nos nossos dias.
d)
os
tempos se repetem.
1.2.
A
palavra “intrépido” (l. 3) significa
a)
temeroso.
b)
insensível.
c)
destemido.
d)
simpático.
1.3.
Vieira
foi um “profeta” bem-sucedido, no sentido bíblico do termo, na medida em que
a)
tinha
visões e compreendia as vontades de Deus.
b)
revelou
um ideal e apontou um caminho para o seu povo.
c)
pregava
ao povo, mas este não o ouvia.
d)
previu
o futuro.
1.4.
A
“nefanda seita de Mafona” (l. 8) é
uma referência
a)
à
religião cristã.
b)
a
uma seita religiosa que adora o pão.
c)
a
uma seita da localidade portuguesa de Mafômedes.
d)
à
religião muçulmana.
1.5.
A
palavra “importante” (l. 3)
desempenha a função sintática de
a)
predicativo
do sujeito.
b)
complemento
direto.
c)
complemento
agente da passiva.
d)
complemento
oblíquo.
1.6.
A
oração “se Vieira tivesse vivido durante
algum tempo em terra islamita” (ll. 7-8) é uma oração
a)
adjetiva
relativa restritiva.
b)
coordenada
explicativa.
c)
subordinada
adverbial condicional.
d)
subordinada
adverbial causal.
2.
Liga
os elementos da coluna A a um elemento da coluna B:
COLUNA
A
|
COLUNA
B
|
1. A palavra “hoje” (l. 3) trata-se
2. Após os dois pontos, na linha 4,
3. Com a utilização da conjunção “mas” (l. 6)
4. Com a informação, entre travessões,
na linha 7,
5. Com a oração iniciada por “se Vieira tivesse vivido” (l.7)
|
a. o enunciador especifica a sua
posição sobre o assunto que vai expor.
b. de um advérbio de predicado que funciona
como um deítico espacial.
c. o enunciador concretiza com exemplos
a ideia exposta anteriormente.
d. de um advérbio de predicado que
funciona como um deítico temporal.
e. de um advérbio de tempo e um deítico
temporal.
f. o enunciador exprime oposição em
relação à ideia apresentada anteriormente.
g. o enunciador formula uma situação
hipotética.
|
3.
Indica
os processos fonológicos presentes na variação histórica das seguintes
palavras:
3.1.
lana> lãa> lã
3.2.
area> areia
III
SELECIONA UMA HIPÓTESE:
A)
Num
texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, imagina que te dirigias a
todos os portugueses, pela televisão, e que querias dar dois importantes
conselhos, bem fundamentados, que fariam de Portugal um país melhor.
B)
Num
texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, redige um discurso a proferir
na ONU subordinado ao tema “As alterações climáticas e os seus efeitos nefastos
para as gerações futuras”.
BOM TRABALHO!!!
A professora: Lucinda Cunha
COTAÇÕES:
Grupo I………… 100 pontos
1.1……… 5pontos (C=3+O=2)
1.2………….. 8 pontos (C=5+O=3)
2………………….8 pontos (C=5+O=3)
3.1…………..18 pontos (C=12+O=6)
4…………….…..12 pontos (C=8+O=4)
5………………… 10 pontos (C=6+O=4)
6……………….. 9 pontos (C=6+O=3)
|
B…………………….. 30 (C=18+O=12)
Grupo II …………….. 50 pontos
1……………………… 24 pontos
2……………………… 20 pontos
3………………………
6 pontos
Grupo III…….. 50 pontos (C=30+O=20)
|
Conteúdo = C Organização e Correção Linguística
= O
Proposta
de Correção:
IA
(questões e respostas retiradas, em parte, do manual Português 11º ano (Santillana)- com adaptações:
1.1.
O pronome “Vós” refere-se aos pregadores.
1.2.
Uma vez que os pregadores são considerados “o sal da Terra” e o sal evita a
corrupção, isto é, a degradação espiritual, aos pregadores caberá a função de
impedir a degradação moral dos fiéis que os escutam.
2.
O orador cita Cristo para conferir autoridade ao seu sermão, uma vez que as
suas palavras sempre serão sinónimo de verdade absoluta.
3.1.
Segundo o orador, tanto os pregadores como os ouvintes poderão ter
responsabilidade no facto de a Terra estar corrupta e enumera as várias
hipóteses, a saber: ou os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, praticam
ações distintas das palavras que proferem ou pregam-se a si próprios e não a
Cristo, isto é, defendem os seus interesses pessoais e não a doutrina de Jesus;
ou, por outro lado, os ouvintes não estão recetivos às pregações, ou preferem
seguir as ações dos pregadores em vez das suas palavras ou, por último,
preferem servir os seus caprichos e não a Cristo.
4.
O orador identifica-se com o referido Santo pois, tal como este não foi ouvido
pelos hereges em Arimino, na Itália, também ele sente que as suas palavras são ignoradas
pelos fiéis que o escutam.
5.
“para emenda e reforma dos vícios que a corrompem”
(l. 48).
6. Padre António Vieira pede à Virgem Maria a graça de o ajudar a proferir
um bom sermão. Sendo este dirigido aos peixes, o orador vê a ajuda divina como
mais relevante ainda.
IB-
resposta aberta
II-
questões 1 e 2 retiradas do manual Português 11º, Santillana Constância (com
adaptações)
1.1. b ; 1.2. c; 1.3. b; 1.4. d; 1.5. a; 1.6.
c
2.
1-d;
2-c;3-f; 4-a; 5-g
3.1. síncope
do “n”; nasalização do “a” e crase do “ãa”;
3.2.
Ditongação do “e”.
III-
Resposta aberta
Este "teste"/ficha de trabalho é muito útil! Fiz todos os exercícios como estudo para um teste e achei-o muito bom. Obrigada! :D
ResponderEliminarObrigada eu, Rafa, e continua a visitar-me :-)
EliminarMuito boa ficha Senhora Professora Lucinda, tenho vindo a procurar fichas deste tipo sobre os varias obras que podem sair no exame nacional de 2014 e esta já me ajudou bastante :)
ResponderEliminarVolta qd quiseres, Bruno, há aqui mt material à disposição e sempre com correção;-)
EliminarBastante util! Gostei!!!
ResponderEliminarO seu trabalho é realmente notável, sendo por isso muito importante para os estudantes.
ResponderEliminarMuito obrigada e Feliz Natal!
ResponderEliminarObrigada, Sandro e Boas Festas!
ResponderEliminarMuito obrigado por partilhar este teste com todos, de certeza que me vai ajudar no teste de amanhã.
ResponderEliminarObrigada pela visita, Rafa ;-)!
EliminarEstou muito feliz pois encontrei tudo o que eu precisava, acredito que já me sinto capaz de fazer o teste na segunda feira.
ResponderEliminarAinda bem :-) Espero que tenhas boa nota!
Eliminareu qqro a resposta do III grupo
ResponderEliminarPor norma, não se apresenta sugestão de resposta desses exercícios porque não há uma resposta certa: há inúmeras. Aconselho-o a escrever já que a prática faz o mestre.
EliminarBastante util! Espero que me ajude para o teste de amanha! Obrigado!
ResponderEliminarEu é que agradeço o seu comentário!Espero que o teste corra bem! Bom trabalho e boa semana!
ResponderEliminarMuito bom o questionário.Me ajudou a compreender muita coisa.
ResponderEliminarObrigada pelas suas palavras. Fique bem! -)
Eliminarmuito obrigado!
ResponderEliminarObrigada, eu. Bjinho.
EliminarAs respostas tão muito claras e muito bem estruturadas.
ResponderEliminarAjuda-me muito a estudar e a perceber as coisas para o teste de PT.
Fico feliz por saber isso. Bjinhos e boa semana.
EliminarEstá uma ficha muito útil! Um grande obrigada à disposição do seu trabalho no âmbito de nos ajudar a todos nós.
ResponderEliminarMuito obrigada, Inês, pelas suas palavras tão gentis. Fico feliz por ajudar.
Eliminarperfeito
ResponderEliminarFicha de grande utilidade, obrigado por me ajudar.
ResponderEliminar